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Congelamento de óvulos

Saiba mais sobre a alternativa para preservar a fertilidade de mulheres que ainda não optaram por serem mães

by Ariene Oliveira
Ivete Sangalo foi uma das famosas que revelou ter congelado os seus óvulos  - Foto: Instagram

Ivete Sangalo foi uma das famosas que revelou ter congelado os seus óvulos – Foto: Instagram

Uma tendência mundial e também no Brasil, envolve o avanço da idade das mulheres que buscam a gravidez. Cada vez mais independentes, com sonhos, profissões renomadas e com a agenda cheia de compromissos, as mulheres brasileiras estão optando pela gravidez tardia, geralmente a partir dos 35 anos, e fazem crescer a procura por congelamento de óvulos nas clínicas de reprodução humana.

 

Para explicar mais detalhes sobre esse procedimento que vem despertando o interesse de diversas pacientes, o médico mestre em Reprodução Humana pela Universidade Autônoma de Barcelona e Doutorando em Ginecologia e Obstetrícia pela UFMG, Dr. Matheus Roque explica mais detalhes sobre o congelamento de óvulos, um procedimento muito procurado nas clínicas onde atua no Rio de Janeiro, que é utilizado por mulheres em idade reprodutiva com o objetivo de preservar o seu potencial fértil.

 

“A criopreservação refere-se ao processo de resfriamento celular à temperaturas abaixo de 0ºC com o objetivo de parar todas as atividades biológicas celulares preservando-as para utilização futura. O advento da técnica de vitrificação oocitária talvez tenha sido um dos passos mais importantes dados pela medicina reprodutiva nos últimos anos. Atualmente, ela possibilita a manutenção da autonomia reprodutiva feminina, tornando possível para a mulher preservar seu potencial reprodutivo, seja por indicação médica ou desejo pessoal”, explica o médico que também venceu o GFI (Grant for Fertility Innovation), em 2017, considerado o maior prêmio de reprodução humana do mundo.

 

Quem pode fazer?

O congelamento de óvulos é indicado para mulheres que desejam postergar ou não tenha definido se desejará uma gestação no futuro.  A idade ideal para isso acontecer é abaixo dos 36 anos, apesar de não existir uma contraindicação sobre esse fator. Mesmo feito esse procedimento, há também a chance da mulher ter uma gravidez de forma natural, mas se isso não ocorrer, esses óvulos podem ser utilizados para uma reprodução assistida.

Chrissy Teigen e John Legend.  "O nosso próximo filho será um garoto porque esse é o embrião que sobrou", afirmou ela após congelar seus óvulos. Foto: Divulgação

Chrissy Teigen e John Legend. “O nosso próximo filho será um garoto porque esse é o embrião que sobrou”, afirmou Chrissy após congelar seus óvulos. Foto: Divulgação

Com o passar dos anos, o relógio biológico feminino diminui a quantidade e a qualidade dos óvulos que a mulher possui, uma vez em que ela já nasce com todos os óvulos que terá durante toda a sua vida, até que chegue um certo limite e entre em menopausa.

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“Talvez ainda mais importante que a diminuição da reserva ovariana esteja o fato da piora da qualidade oocitária, que também ocorre com o passar dos anos. Esta piora leva a uma menor chance de gravidez, maiores riscos de abortamentos, malformações e síndromes com o avanço da idade. Estas alterações passam a ser mais significativas após os 36 anos de idade”, salienta o especialista.

 

O congelamento de óvulos não tem prazo de validade, como por exemplo,  recentemente, a imprensa noticiou o caso de uma mulher americana de 26 anos, que deu a luz à um embrião (óvulo e espermatozoide fecundados) congelado em 1992, há 24 anos. Assim que passou por esse procedimento, o óvulo mantém as suas características e não envelhece.

 

“O objetivo do congelamento de óvulos é mostrar claramente às mulheres que as chances de gravidez de maneira natural ou com tratamentos caem drasticamente com o avançar da idade. Assim como ocorre um aumento no risco de aborto e de doenças genéticas com o avançar da idade. Porém, existe uma tendência mundial em que as mulheres estão adiando o momento para iniciarem a tentativa de engravidar. Isso faz com que as chances de gravidez diminuam e que aumente o número de pacientes inférteis. E a única maneira de tentar evitar os danos que a idade causa sobre o potencial reprodutivo da mulher, é através da Preservação de Fertilidade – congelamento de óvulos ou embriões”,  enfatiza.

 

Mulheres com histórico de menopausa precoce entre os familiares e mulheres que desejam conservar sua fertilidade são aconselhadas a fazerem o congelamento de óvulos. Quem está em tratamento de câncer apresenta um risco aumentando a insuficiência ovariana ou menopausa precoce e também pode congelar seus óvulos para uma futura gestação.

 

“Os tratamentos oncológicos, principalmente a quimioterapia e radioterapia podem causar um dano aos ovários das pacientes e levar à diminuição da reserva ovariana, levando a uma antecipação da menopausa nestas pacientes. Assim, todas as pacientes em idade reprodutiva que irão submeter-se a tratamentos oncológicos têm a indicação formal de realizarem um tratamento de preservação de fertilidade – congelamento de óvulos/embriões – antes de submeterem-se aos tratamentos oncológicos”, ressalta Roque.

 

Como funciona?

 

A paciente passa por uma estimulação hormonal, recebendo uma alta carga de hormônios para estimular o amadurecimento de diversos óvulos durante o período de estímulo, que dura em média 9-10 dias. Dois dias após o último dia do estímulo é realizada a captura dos óvulos guiada por uma ultrassonografia transvaginal, procedimento no qual uma agulha é introduzida através do fundo vaginal até os ovários, onde os óvulos são aspirados. O procedimento é feito com anestesia (sedação) e pode ser que ocorra uma cólica moderada, após o procedimento que dura cerca de 15-20 minutos e é feito em clínicas de reprodução humana.

 

“Não há nenhum tipo de diferença entre a gravidez com óvulos frescos ou a gravidez com o óvulo congelado. Depois de descongelado, ele se torna igual ao óvulo encontrado no ovário em um ciclo natural ou durante um tratamento de Fertilização in vitro”,  finaliza  dr. Matheus Roque.