Foto: Monica Palomares

Ela é linda, tem um corpão e ainda cozinha. Mariana Goldfarb, 29 anos, que está no quinto período do curso de nutrição, diz que se arrisca na cozinha, mas seus vídeos no Instagram mostram que moça tem, sim, habilidades. Adepta de muito exercício e meditação, Mariana cultiva bons hábitos alimentares e cuida da mente tanto quanto de seu corpo, e é o tipo de pessoa que gosta de dividir a vida. “Eu não trocaria estar casada por estar solteira. Não é que eu tenha problema de estar solteira ou sozinha, é que amo dividir a vida, as coisas, as alegrias, as tristezas. Estando em um relacionamento, a gente aprende mais a dividir, a ser menos egoísta”, diz.

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Durante a pandemia, tem passado por altos e baixos, mas sobretudo afirma que conquistou autoconhecimento no período. Mas nem sempre os tempos foram assim. Mariana, que hoje se sente mais leve com as redes sociais, enfrentou uma anorexia braba durante seis meses por não gostar dela mesma. E as redes tiveram grande influência nisso. Recuperada, partiu para a faculdade de nutrição, para se cuidar, e gosta de fazer cursos. “Eu faço curso de ayurveda, de bioquímica, de  jejum, e estou bem feliz com a minha escolha”, conta.

Agora, ela toca a vida com três projetos principais: a faculdade, um programa que criou com o marido, Cauã Reymond, e vai estrear e ser mãe.

Leia a seguir a entrevista que Bazaar fez com Mariana via Zoom:

Foto: Monica Palomares

Como tem sido esses tempos de pandemia?

Passei por altos e baixos, mas estou muito introjetada, conectada, tem sido um período de muito autoconhecimento. Eu sei que é meio clichê, porque está todo mundo falando isso, mas de fato estou sentindo isso de maneira muito verdadeira, muito forte.

E como é a questão de exercício na sua vida?

Todos os dias eu me movimento. Às vezes, a gente acorda com menos vontade, de forma mais frustrada, mais preguiçosa, mas eu nunca me arrependo de ter feito exercício. Se eu estou triste, eu faço exercício e eu fico melhor, se estou com raiva, o exercício ajuda a dissipar. Se estou feliz, faço o exercício rindo. Então, eu sempre saio melhor do que entrei, e ele [o exercício] muda de acordo com a demanda do corpo. Se eu não dormi muito bem, então não vou puxar muito, vou fazer uma ioga, um tai chi [tai chi chuan], uma caminhada, porque temos o privilégio de morar em um condomínio e poder caminhar sem problema. Me exercito todos os dias, inclusive aos domingos.

Foto: Leco Moura

Você é bem ligada em meditação também?

Sim, também, todos os dias, procuro fazer duas vezes por dia. Mas não são meditações longas, são de dez minutos, então eu consigo colocá-las na minha rotina diária. O legal é que vai aprimorando, conhecendo as respirações diferentes, e aí outras coisas vão surgindo, é como se a gente estivesse pulando de nível. No início, eu achava um pouco chato, aquela pessoa falando no meu ouvido e eu cheia de coisas para fazer, pensava: não estou vendo luz nenhuma, eu só quero que acabe (risos)! Mas tem que insistir, depois me acostumei.

Você cozinha?

Eu experimento. Eu gosto de cozinhar, coloco uma música, um podcast. Eu fico um tempão cozinhando, demora, se eu te chamar para almoçar meio-dia vai sair às 15h (risos). Mas eu tenho aprendido bastante também, tenho gostado de cozinhar.

Foto: Monica Palomares

Por que criou o desafio #SemFiltro no Instagram?

Eu criei esse desafio porque comecei a ficar assustada com o uso de filtros no Instagram. Assistindo a documentários, eu vi que as pessoas estavam procurando cirurgiões plásticos para ficarem parecidas com a imagem do filtro. E aí, o que era para ser uma coisa divertida, acabou deixando as pessoas incomodadas com seu próprio eu. E chegou a acontecer comigo também, quando eu me olhava no filtro, achava que estava linda e, ao natural, não. Acho que isso deu início a nos perdemos de quem de fato somos, a gente foi perdendo o carinho de se olhar. Então eu fiquei com vontade de propor o desafio pelo menos por um tempo para ver como ia repercutir.

E como foi a receptividade das pessoas?

Foi surpreendente, eu não esperava que tanta gente estava pensando dessa mesma forma e isso gerou uma aproximação com o meu público, foi muito legal. Eu vi muita gente marcando, seguindo, incentivando. Eu fiz uma campanha de uma semana, acho que se tivesse feito por mais tempo, a repercussão teria sido ainda maior. Foi uma boa experiência.

Foto: Leco Moura

Você pensa em fazer novamente?

Penso, sim, e por tempo indeterminado.

Fale um pouco sobre sua relação com seu corpo, você teve problemas com anorexia?

Eu já trabalhava com televisão, e fazia viagens para locais inóspitos, ilhas paradisíacas, sempre ligados à natureza. Eu estava ali viajando, conhecendo lugares, aprendendo a cultura e tal. A pressão era só subir na montanha, mergulhar, ver um tubarão. Quando mudou o meu público, fato que coincide com o início do  relacionamento com o meu marido, veio muita pressão, comparação, competitividade, difamação, humilhação, e eu fiquei de “cara” como o ser humano pode ser perverso, mau e sádico. E aí começaram umas cobranças em relação ao meu corpo. Eu tenho uma estrutura realmente mais larga, eu não sou uma mulherzinha, eu sou um mulherão, grandona. E as pessoas começaram a me incitar a odiar meu corpo, como se eu precisasse ser de determinada maneira. E eu comecei uma coisa muito louca de não  gostar mais de mim, de não me aceitar como eu sou, eu queria ser aceita, acho que todo mundo quer. Então eu comecei a não comer e fui vendo as mudanças no meu corpo, fui vendo a quantidade de elogios aumentando, a aceitação e o número de seguidores também, e aquilo foi me alimentando ao mesmo tempo em que eu não me alimentava. Foi uma loucura, porque achar que o que a gente come, o que colocamos para dentro do corpo, da nossa vida, não faz a menor diferença, isso é uma mentira. Então é óbvio que eu estava infeliz.

Foto: Monica Palomares

Quanto tempo durou esse processo de não se alimentar?

Seis meses.

E como você conseguiu sair dessa?

Porque eu comecei a vomitar, numa determinada fase. E na terceira vez que eu vomitei eu me olhei no espelho e disse que nunca mais vomitaria Depois disso eu fui procurar ajuda, comecei a faculdade de nutrição e a estudar sobre alimentação, sobre corpo, e isso foi dissipando.

E por que nutrição?

Justamente por isso [a anorexia]. E estando na faculdade de nutrição estou perto de outras pessoas que passaram por isso. Eu quis fazer nutrição para me curar e, ao mesmo tempo, eu posso ajudar outras pessoas a sairem desse buraco. Mas eu faço muitos cursos paralelos, eu faço curso de ayurveda, de bioquímica, de  jejum, e estou bem feliz com a minha escolha.

Foto: Leco Moura

Você posta no seu Instagram umas receitas e tal, como começou isso?

Eu tenho uma amiga chef de cozinha, Lorena Abreu, e aí, há muito tempo, quando eu realmente não sabia nem fritar um ovo, ela foi começando a me ensinar. Então, às vezes, eu digo para ela que estou com vontade de comer um doce e ela vai me ajudando. Nisso eu comecei a postar as receitas. É divertido, é leve. Eu tenho procurado fazer coisas cujos ingredientes são de mais fácil acesso às pessoas. Porque nem todo mundo pode pagar por um alimento orgânico.

Será que você vai ter um programa de cozinha?

Não, mas eu vou ter um programa.

Foto: Leco Moura

E qual seria?

Eu e meu marido criamos um programa para a TV, não sei ainda se aberta ou fechada ou em qual veículo, mas é sobre cura e autoconhecimento. É mais do que bem-estar, é sobre você tomar posse do seu corpo, se automedicando, mas sem remédio, sou super contra remédio. É por meio de alternativas – nesse mundo louco de ansiedade e depressão, onde a gente tem cada vez menos tempo, menos contato com a natureza, menos conhecimento de nós mesmos, mais pressão estética, mais doença, mais tudo de ruim – em que você consegue se conectar e se curar, por meio da meditação, por exemplo.

E como é o formato desse programa?

Serão episódios de 30 minutos ou um pouco menos. Vamos trabalhar dentro de um estúdio e fazer externas também. Vamos falar com pessoas que entendem do assunto e tal, e também com pessoas que querem ter um estilo de vida diferente.

Vocês vão apresentar em dupla?

Não, eu vou apresentar sozinha.

E como é estar casada?

Eu amo estar casada. A gente [ela e Cauã] estava conversando isso no carro outro dia. Eu não trocaria estar casa por estar solteira. Não é que eu tenha problema de estar solteira ou sozinha, é que eu amo dividir a vida, as coisas, as alegrias, as tristezas. Estando num relacionamento a gente aprende mais a dividir, a ser menos egoísta.

E você tem vontade de ser mãe?

Sim, eu tenho. Tenho muita vontade de ser mãe. E isso eu falo com a minha analista também, o quanto eu tenho vontade de ser mãe e o quanto eu morro de medo da nossa terra [referindo-se ao mundo atual]. Se eu tivesse um filho agora onde ia colocar essa criança? Porque a gente vê mais destruição, mais guerras, são coisas que quando a gente ama muito… eu fico meio receosa. Aí, a gente vê os adolescente cada vez com mais índice de depressão, de suicídio. Eu fico meio em cima do muro, mas eu acho que é natural.

Foto: Leco Moura

Você pensa em ser atriz?

Que pergunta difícil. Eu não antecipo muito as coisas. Eu estou nesse processo de estudo, do programa, e de ser mãe.

E qual sua relação com as redes sociais hoje? Porque no seu período de anorexia elas não foram muito positivas para você.

Eu acho que é saber pedir desculpas também. Eu errei quando eu estava postando foto minha de biquíni e só tinha osso, incitando isso nas outras pessoas. Eu acho que é ter a consciência e a responsabilidade de entender o alcance dessa ferramenta. Quando isso é entendido, acho que fica muito mais sadio, tanto comigo para com as pessoas como vice-versa. Por exemplo, tem dias que eu recebo comentários supermaldosos, tem dia que eu respondo, tem dia que eu apago, que eu bloqueio. Mas está melhor.