Foto: Reprodução/Instagram/@spfw

Por Camila Salek

Já falei sobre metaverso em duas colunas diferentes ao longo do ultimo ano. Agora, mais recentemente, o termo, que não é novo e vem sendo muito comentado nos últimos anos, explodiu após o anúncio do novo nome do Facebook: META. Uma clara alusão ao mundo Metaverso, que se desenvolve a partir da interação de espaços virtuais com espaços físicos intensificando a experiência e a imersão.

Em todo mundo, muitas marcas de moda andam apostando neste caminho como uma resposta à necessidade de reinvenção do setor. Por aqui, em um esforço conjunto entre o São Paulo Fashion Week, o Santander, patrocinador oficial desta edição do evento e a Garena, detentora dos direitos do jogo Free Fire, aconteceu nesta quarta-feira (17.11), o primeiro desfile físico de skins virtuais do mundo.

Foto: Reprodução/Instagram/@spfw

Mais do que narrar o que vi na passarela, quero contar sobre a minha visão em torno desta movimentação como um todo. Começo pela atmosfera, antes mesmo do desfile, que estava bem diferente do habitual. O que se via, era um público de famosos bem pouco conhecidos no universo da moda. Gamers, tiktokers e streamers, essencialmente jovens, trocavam suas primeiras impressões sobre o evento. Na fila, antes da abertura da sala, fiquei bem no meio de dois grupos de gamers, que se conheciam e tinham interesses próximos. Ambos estavam vibrantes por estar ali. Me senti dentro de uma comunidade onde amigos se conectam, crescem, se divertem e compartilham cultura. Foi demais sentir esse mood, e olha que o desfile não havia nem começado.

Ao entrar na sala de desfile, uma grande tela em led  360º fechava todas as paredes. Luzes apagadas e frases de impacto explodindo na tela anunciavam a provocação colaborativa que foi base para o desfile:

Nenhum setor se reinventa tanto quanto a moda; Nenhuma indústria é tão criativa quanto a dos games.

Chamas invadem a sala através de imagens projetadas e os jogadores de Free Fire entram no jogo com seus paraquedas virtuais através das telas. Em sincronia com a imagem virtual dos jogadores e suas skins, modelos e gamers começam a invadir a passarela. Foi assim que a estreladíssima Isabeli Fontana abriu o desfile com a skin HIP HOP. Gritos na plateia.

Foto: Marcelo Soubhia/Fotosite

O que se viu na sequencia foi um trabalho muito bacana unindo os mundos físico e digital na apresentação de releituras exclusivas das 20 skins do Free Fire mais disputadas. Reforço que não se trata de um licenciamento, estamos falando de roupas virtuais, em tamanho real, reeditadas de forma exclusiva por dois grandes profissionais do segmento: Daniel Ueda e Alexandre Herchcovitch. Foi lindo de ver!

Eu, que sou grande entusiasta do metaverso e das suas diversas possibilidades, estava amando toda aquela imersão e me perguntei por diversas vezes como estas roupas seriam vendidas. Objetos de grande desejo estavam presentes naquela passarela. No final do desfile, Paulo Borges (fundador do SPFW) e Sergio Rial (presidente do Santander) apresentaram uma surpresa que fechou este ciclo: através de QR codes projetados nas telas, todos poderiam dar lances em um leilão virtual e adquirir cada look exclusivo até as 22h desta quinta-feira (18.11). A melhor parte? O dinheiro arrecadado vai para a projeto Amigo de Valor, mantido pelo Santander, com foco em crianças e adolescentes.

Foto: Reprodução/Instagram/@spfw

Um formato inovador, que provocou o status quo da moda aproximando este segmento de um novo público e toda sua comunidade e potenciais. Vale lembrar que a conexão da moda com o universo dos games é bem inteligente. Atualmente, o Brasil é o terceiro no ranking de audiência em e-sports, sendo que dois de cada três brasileiros conectados à web são jogadores.

O futuro é hoje e eu sigo muito feliz em poder participar de toda esta transformação!

Camila Salek – Sócia-fundadora da Vimer Experience Merchandising integrante do grupo de empreendedoras de sucesso do programa “Winning Women Brasil” da Ernst Young e colunista da Harper’s Bazaar Brasil. Referência em varejo e visual merchandising, está por trás de evoluções significativas da experiência de consumo e do desenvolvimento do conhecimento da área, através da implementação de projetos inovadores e compartilhamento de conteúdos ministrados em aulas, palestras, treinamentos e publicações nacionais e internacionais voltadas para moda e tendência.