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Por Camila Salek

Vocês repararam como as marcas de moda andam se movimentando de forma mais rápida ultimamente? Apostando em caminhos que até pouco tempo atrás eram considerados arriscadíssimos? Alguns acreditam no movimento como uma resposta à necessidade de reinvenção. Talvez seja mesmo. Mas o fato é que marcas centenárias do universo da moda literalmente se jogaram no processo de explorar o metaverso, quebrando crenças seculares do segmento com formatos cada vez mais inovadores e imersivos.

Vale lembrar que venho falando sobre a força do mundo metaverso desde 2019 e quando dediquei uma coluna ao assunto 8 meses atrás, recebi dezenas de mensagens que se mostravam muito céticas em acreditar no caminho que estava apontando. A resposta veio a galope!!! A expressão METAVERSO chegou a atingir um crescimento de 100% em pesquisas no Google desde fevereiro deste ano, e eu preciso dizer, que você está atrasado demais se ainda não deu a devida atenção ao tema. Fica a dica: volte 10 casas e comece lendo minha coluna de fevereiro ;).

Brincadeiras à parte, games como Fortnite,  Roblox, League of Legends, Pokèmon, Avakin Life assim como novas plataformas sociais como IMVU, ADA e Stageverse vêm movimentando colaborações incríveis no universo da moda. O que antes era apontado como uma tendência futura, agora é o caminho claro de marcas que aprenderam a lidar com a melhor forma de mesclar o melhor dos mundos físico e digital numa nova proposta de CONSUMO metaverso. Apenas no último mês, Balenciaga, Gucci, Balmain e Selfridge’s são algumas das que provocaram o status quo do segmento com iniciativas no mundo dos games. Nesta coluna vou comentar algumas ações.

SELFRIDGE’S

A gigante londrina Selfridge’s, super conhecida por experiências incríveis de varejo, resolveu dar o seu play no mundo metaverso. Nas próximas duas semanas, será aberto, dentro de sua loja física, um portal para sua cidade virtual: a Electric City. Trata-se de uma pop-up colaborativa, desenvolvida em conjunto com a marca de streetwear Charli Cohen, o Yahoo Ryot Lab (estúdio de conteúdo do Yahoo) e o jogo Pokémon.

Em conversa com o Business of Fashion, Jeannie Lee, gerente da Selfridges comenta a estratégia: “O foco do projeto está em fundir o mundo físico e o mundo digital, para oferecer aos clientes a opção de comprar a roupas digital ou física” e ainda complementa sobre a ida da varejista para o mundo metaverso “é para lá que o mundo está indo, precisamos dar a opção para o consumidor escolher onde quer se relacionar com a marca”.

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BALMAIN

A Balmain lançou sua última coleção de forma simultânea na Semana de Moda de Paris e na rede social Stageverse. São peças virtuais icônicas que comemoram os 10 anos do Olivier Rousteing na marca. Para os que ainda não ouviram falar da Stageverse, imagine um espaço de troca cultural virtual, que se expande de forma ilimitada em diversos ambientes lindamente projetados. Um lugar onde comunidades se conectam, crescem, se divertem e compartilham cultura. Aliás, arte, moda, cultura e varejo nunca estiveram tão próximos e, na minha visão, a expansividade do metaverso é um dos grandes responsáveis deste impulso.

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BALENCIAGA

Aqui tenho testemunho pessoal: comecei a jogar Fortnite 15 dias atrás, porque queria usar a skin da Balenciaga. Achei as peças tão lindas que adquiri até um paraquedas da marca para chegar no jogo em grande estilo. Hahaha. Esta collab contou com roupas digitais inspiradas em uma coleção real que será lançada ainda este ano, além de varias intervenções metaverso, como um outdoor 3D que apareceu nas principais cidades onde a marca está presente e dentro do próprio Fortnite. A loja virtual, criada dentro do jogo, é um capitulo à parte e reproduz detalhes das lojas físicas Balenciaga.

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LOUIS VUITTON

“Louis the Game” é o hype do momento na LV. O jogo é protagonizado por Vivienne, mascote da marca e se passa em seis regiões do planeta que definem, de forma cuidadosa, a história de criatividade e inovação da Louis Vuitton. Os jogadores também podem personalizar seus personagens com diferentes estampas e cores

das peças da marca, além de aprender sobre a história de LV coletando cartões postais. Para o varejo físico não foi diferente, com uma proposta inédita, a Louis Vuitton, convidou 200 visionários que abrangem campos como arte e ciência ao redor do mundo para expressar sua criatividade nas vitrines.

Incrível ver como uma marca como a Louis Vuitton, tão clássica e ao mesmo tempo contemporânea, consegue em cada ação, produto e serviço encantar seu consumidor e apresentar de forma verdadeira seu propósito. Esta comemoração metaverso reforça esta ideia, fortalecendo a marca e sua relação com suas comunidades.

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Olhar para o metaverso e observar a movimentação de marcas em todo o mundo para aprender a lidar com esta nova realidade é um excelente exercício de inovação para os negócios. Temos muito a explorar dentro do universo digital, que pode de fato somar nas experiências do mundo físico. O que antes era quase um mundo paralelo, hoje se funde com a realidade trazendo nova formas de abordagem e evolução.

A realidade que mescla físico e digital, expande nossa possibilidade de experiência novas dimensões de tempo e espaço. É como se olhássemos para um mundo aberto a todos, em tempo real, sem limite para colaboração e participação. Tudo isso somado a um potencial criativo ilimitado e contínuo. Tudo muito novo e fascinante.

Não à toa, marcas como a OFF-WHITE já lançaram plataformas próprias para cocriar projetos no universo metaverso. Sigo amando e acreditando demais em toda esta reinvenção que, acreditem, está só começando!