Nesta quinta-feira (27.11), aconteceu o quarto dia de desfiles da edição digital da Casa de Criadores. Um dos maiores destaques da noite foi a diversidade: de corpos, de estilos, de modelagens e de materiais. Assista acima todas as apresentações e veja abaixo um resumo de cada marca que se apresentou:

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Ken-gá

Inspirada nas cores, texturas e produtos encontrados no comércio popular do Brás, bairro central de São Paulo, a Ken-gá apresentou uma coleção extremamente vívida. As peças, que se destacam em tons de pink e dourado, reuniram elementos sensuais e que chama a atenção pela ousadia, como recortes, sobreposições que unem underwear a roupas amplas e silhuetas bem justas.

Os acessórios, como brincos e correntes de acrílico, são um charme à parte e o maior destaque é a máscara feita em látex e presa por enorme argolas douradas. A forma como a marca incluiu os elementos mais populares do Brás nas peças é genial – um exemplo é o colete em que óculos típicos da região funcionam como aplicações -, e o reaproveitamento de peças e materiais se faz presente ao longo de toda linha.

Thear

A coleção “Entrelaçar” faz uma conexão muito bonita entre diversos elementos. Depois de conhecer o projeto Tecendo a Liberdade – realizado dentro de uma penitenciária feminina em Goiânia, ele ensina e incentiva a produção do tear -, a Thear acrescentou seus tecidos à nova coleção, que também conta com o trabalho da artista plástica Cacilda Vitória.

Segundo a marca, “Entrelaçar” é sobre o poder feminino, o poder do coletivo e a ligação fio a fio entre o moderno e tradicional. Nas roupas, encontramos os princípios zero waste da Thear e a priorização por peças confortáveis e atemporais – o que conversa diretamente com a primeira característica sustentável da label.

Reptilia

O fashion film apresentado pela marca, chamado “Estamos Quase Lá”, fala sobre as características de estar no meio do caminho de uma trajetória sem destino ou data. Entre os sentimentos abordados, a Reptilia fala sobre superstição, apego e absurdo em um contexto que mistura a realidade com uma viagem intergalática.

Além das peças, que transitam entre tons de roxo, verde e coral e presam pelo conforto, a beleza cheia de brilho e cor, os cenários e o texto lido criam um produto questionador.

Ateliê Vou Assim

A coleção “Sertransneja” começou através do projeto de mesmo nome, de autoria de Tertuliana Lustosa. Em uma imersão na cidade Caldas do Jorro, no sertão da Bahia, a marca buscou as trans que ali habitam e mapeou as costureiras, performes, produtoras e fotógrafas da região – que trabalharam de forma voluntária na produção do filme.

Um dos objetivos é que o material se torne referência para a construção de novas possibilidades de articulação entre essas profissionais e artesãs do sertão da Bahia, região de alto índice de vulnerabilidade social. O filme é apenas um braço de um projeto que a marca já executa há anos, profissionalizando e incluindo corpos trans no mercado de trabalho.

Shitsurei

Foto: Divulagação

Em um ano de confinamento forçado, a Shitsurei criou a coleção-cápsula “Resident of Chaos” a partir de um trabalho praticamente terapêutico. As peças foram pintadas à mão, confeccionadas, captadas para o vídeo e editas pela artista visual Marcella Maiumi. O resultado são moletons e jaquetas com estampas fortes, como os tentáculos de um polvo, na maioria das vezes usando apenas preto e branco.

David Lee

O menswear chique, moderno e despretensioso de David Lee é de deixar qualquer um babando e a coleção “Teoria das Cores” não foge dessas premissas. As linhas retas das camisas, casacos e calças – na sua maioria em tons de preto e branco – contrastam perfeitamente com as cores e formatos dos tricôs oversized, criando um mix da modernidade da alfaiataria com a tradição do manual.

Com uma coleção tão forte, é em difícil selecionar apenas um destaque, mas uma peça que conversa perfeitamente com tendências atuais e podem ser coringa em looks fashionistas são os coletes. A marca aposta em tons fortes e num trabalho texturizado para a peça.

Weider Silveiro

A criação do fashion film apresentado por Weider Silveiro durante a Casa de Criadores foi um verdadeiro trabalho de colaboração. Todos os profissionais envolvidos nas etapas de produção trabalharam em duplas: um especialista que já atua no mercado e outro profissional, da mesma área, que não teve a mesma oportunidade. As trocas resultaram em um vídeo riquíssimo, com um casting diverso.

A coleção foi criada com peças de duas coleções passadas que não foram para a passarela e o resultado conversa com perfeição com a atualidade: conforto, estampas que remetem a um conceito de lar e detalhes utilitários, como enormes bolsos. Os looks que mesclam opostos, como uma saia de tule com um blazer que remete ao vestuário masculino, são os que mais se destacam.