La Robertita – Foto: Divulgação

Por Baárbara Martinez

Quando o look do dia parece já não impressionar mais ninguém, eis que surge La Robertita. Para um público de mais de 46 mil seguidores, a influencer é referência em estética minimalista surpreendente, com excessos pontuais. Se você pensou em um basiquinho do guarda-roupa, o minimalismo de Robertita é bem mais do que disso. Vai ter o pretinho clássico, sim, mas ele vai ter um corte ou uma textura diferente e virá, certamente, com um acessório nada óbvio, que pode ser um maxi brinco, óculos diferentões e ele, o mais inesperado de todos…o chapéu, que já virou sua marca registrada no Instagram.

Aos 27 anos, a persona de Laís Roberta, paulista filha de pernambucanos, é traduzida em fotos com um olhar delicado e apurado, cores estratégicas e poses poderosas. A ideia do perfil veio a partir de uma busca infrutífera por representatividade. “Mulheres como eu, negras e gordas, não são referências constantes na moda. Falo isso como crítica social. Sinto muito a ausência de pessoas iguais a mim. Por não ter um parâmetro, penso qual é a imagem que gostaria de representar e como posso incorporar isso para o meu público”, disse em entrevista à Bazaar, direto do México, onde realizava sua primeira viagem internacional.

La Robertita – Foto: Divulgação

La Robertita, o nome que incorpora a personagem, veio de um professor de espanhol na época em que a criadora de conteúdo, que também é professora e historiadora, tinha um grupo de rap e procurava a alcunha artística ideal. “Acabei usando esse nome muito poderoso. Por ser único, virou meu user no Instagram e as pessoas já me conhecem assim, é maravilhoso”, conta ela, que criou seu perfil durante a pandemia da Covid-19, como um respiro em meio a um tempo de recolhimento e tristeza profunda. Laís tinha perdido sua mãe dois anos antes e enfrentava mudanças profundas em sua vida.

Ao postar seus looks com frequência cada vez maior, seu feed ganhou mais e mais seguidores e admiradores. O chapéu entrou nessa história por acaso: caiu como uma luva (ela também entra em cena vez ou outra) em um shooting urbano e, a partir disso, ela nunca mais o largou. “Na hora em que coloquei o chapéu, achei uma coisa meio inspetor Bugiganga, mas gostei da produção neste sentido. Virou minha marca registrada, parte da minha construção de imagem”, diz ela, que ressalta que, no Brasil, esse tipo de acessório não é uma leitura estética usual. “Aqui, ele é muito atrelado à proteção solar. Por isso, tenho quebrado muitos estereótipos dentro da minha realidade”, afirma.

La Robertita – Foto: Divulgação

Com suas produções, a paulista do município de Jandira, propõe aos seus seguidores saírem da zona de conforto. “Quando falo de acessórios, não estou falando de compras vindas de lugares distantes. Muito dos meus acessórios são da 25 de março (rua de comércio popular em São Paulo). É uma questão de se propor, de pensar: ‘eu posso tentar’”. Além dos chapéus, ela abusa de brincos, colares e óculos. “Até me corrijo e penso na possibilidade de usar mais pulseiras e anéis”, diz ela, que teve como última aquisição fashion uma bolsa da Nannacay, feita por artesãos do Peru, e mais dois chapéus confeccionados no México, conhecido pela cultura do sombreiro.

Coragem e ousadia são o combustível diário na produção dos looks de Laís. Na hora de se vestir, a professora dá vazão ao seu lado criativo e à sua personalidade, sem medo de errar – ao contrário de muitas influencers que preferem não correr riscos. “Esse espanto e admiração que causo nas pessoas é por falta de coragem delas próprias. Eu só sigo um instinto. Tenho vontade? Vou lá e uso.” E completa: “Sou subversiva e gosto de levar as pessoas, com a minha imagem, para um lugar de provocação. A ideia é que eu passe na rua e as pessoas se perguntem quem eu sou.” Agora, você já sabe.