Conjunto Mayara Sansana – Fotos Nicolau Spadoni, com edição de moda Rodrigo Yaegashi e styling Larissa Romano

Muito antes de a pandemia nos moldar com um novo jeito de vestir, a estilista Mayara Sansana, 35 anos, já antecipava um futuro que estaria mais próximo do que imaginávamos: o armário enxuto, prático e, acima de tudo, confortável. Peças descomplicadas que se encaixam para atender estilos que vão do casual ao chique.

Roupas que conversam entre si e ao longo de todas as coleções, seja em modelos ou em cores que não perdem a atualidade – mas que nem por isso restringem-se ao básico (que muitas vezes oscila na linha tênue da falta de personalidade). Há sempre informação de moda nos seus looks. E eles permitem combinações tão precisas que cabem em uma mala pequena ou em um armário de proporções diminutas sem deixar a desejar. Quem precisa de mais do que isso?

Bolsa Fendi que ela mesma criou em Nova York – Fotos Nicolau Spadoni, com edição de moda Rodrigo Yaegashi e styling Larissa Romano

“O mundo tem nos mostrado que o momento pede consciência, reciclagem e ressignificação de peças”, diz a empresária, dona da marca que leva seu nome. “Conforto e simplicidade para toda e qualquer situação.”

E, no caso de Mayara Sansana, essas duas palavrinhas vão muito além do uso de tecidos que parecem flutuar no corpo, ou de combos óbvios como moletom, camiseta e tênis. Sentir-se confortável é estar adequada a diferentes situações e ambientes sem precisar superdimensionar o look.

Mayara Sansana usa look total de sua marca homônima – Fotos Nicolau Spadoni, com edição de moda Rodrigo Yaegashi e styling Larissa Romano

Sua moda é sofisticada e fácil. A camiseta da última coleção, batizada de “DNA”, combina perfeitamente com uma saia de dois anos atrás. “A ideia é ir do trabalho ao jantar com amigas sem precisar voltar para casa ou trocar acessórios, e ainda assim se sentir bem e confiante na roupa”, ensina.

Aos 35 anos, Mayara Sansana, paulista nascida em São Bernardo do Campo, cidade operária da grande São Paulo, muito cedo entendeu o que as brasileiras gostam. Apaixonada por moda desde a adolescência, começou trabalhando em uma grande loja de varejo aos 16 anos, onde foi do balcão à gerência com seu jeito proativo, uma simpatia contagiante e os dois pés no chão sempre.

A empresária usa camiseta e calça de couro Mayara Sansana – Fotos Nicolau Spadoni, com edição de moda Rodrigo Yaegashi e styling Larissa Romano

Com muitas ideias na cabeça, e uma mãe amante das artes plásticas que a ajudava a cortar as peças que inventava, ela montou sua primeira confecção de moletons, malharia e camisetas. Do espaço de sete metros quadrados em que atendia a clientela do Laces and Hair (a lojinha ficava dentro do salão) à recém-ampliada loja no Cidade Jardim, meca do luxo paulistano, Mayara não mudou.

Mudaram as referências, o trabalho ficou mais complexo, sua mãe não corta mais as camisetas, mas a estilista não arredou um milímetro da sua essência. Continua batendo papo no provador com as clientes como se fosse um confessionário, controla com mão de ferro toda a produção, do desenho à arara, e jamais se deixa levar por deslumbres.

Colar comprado em Paris de seu acervo pessoal – Fotos Nicolau Spadoni, com edição de moda Rodrigo Yaegashi e styling Larissa Romano

E até hoje se faz sempre a mesma pergunta que a motivou a entrar nesse mundo: “qual o sentido da moda na minha vida? Essa questão é o fio condutor das minhas coleções. Nunca estudei moda, mas sei o que minhas clientes querem: conforto e praticidade atemporal. Aquela roupa que você não cansa de olhar”, conta.

Mayara construiu uma imagem de mulher segura, reflexo dela própria, e que acabou virando espelho para as clientes. A noção de cores, proporções e materiais como o couro, onipresente em suas criações, são o segredo da mistura fina, sem excessos, que traz esse ar de confiança.

Mayara Sansana usa look total de sua marca homônima – Fotos Nicolau Spadoni, com edição de moda Rodrigo Yaegashi e styling Larissa Romano

Uma t-shirt com babado tira a formalidade da calça de alfaiataria em couro. A saia do mesmo material ganha ares executivos com um corte diferente e uma camisa mais formal. “Gosto do couro porque reaproveito quase tudo. Os resíduos não são descartados, mas se transformam em cintos e bolsas”, explica.

Embora ame a moda, Mayara diz que não gosta de perder tempo com roupa. “Lembro que na minha primeira viagem para acompanhar a semana de moda de Paris, todas as mulheres que viajavam comigo carregavam 4, 5 malas. Eu tinha uma só, fiquei até constrangida”, brinca.

Bolsa herdada da mãe – Fotos Nicolau Spadoni, com edição de moda Rodrigo Yaegashi e styling Larissa Romano

Mas nada tira o bom humor da mãe de João que, aos 4 anos e criado sem babá, já entende e acompanha o ritmo da estilista – mulher destemida, daquelas de arregaçar as mangas e colocar a mão na massa, e cujo mantra, adotado desde cedo, e sob influência da mãe, é o “tem que dar certo”. Já deu, Mayara!.

Quiz

Uma mulher prática não deve jamais

Deixar de ter peças atemporais, como uma calça de couro e uma camisa branca em seu armário.

Um look para não errar

Calça de couro e uma boa camisa.

Confesso que já usei

E amo usar as roupas e bijuterias vintage da minha avó.

Não vendo e não dou

Minha bolsa Fendi que eu mesma fiz em Nova York, durante uma das semanas de moda.