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Samuel François estreia na joalheria

Badalado stylist de Paris se inspira e amuletos e no barroco italiano

by Cibele Maciet
Pulseira de amuletos, como olho grego, folha e caveira - Foto: Divulgação

Pulseira de amuletos, como olho grego, folha e caveira – Foto: Divulgação

Ele tem aquele charme parisiense, naturalmente refinado, adquirido nos vários anos trabalhando na capital francesa como stylist, ao lado dos mais festejados fotógrafos de moda e modelos. Mas Samuel François nasceu em Corrèze, no interior da França, onde viveu até os 18 anos entre a natureza abundante, a criação de cabras e a vida peace & love dos pais hippies.

É a união de dois mundos completamente diferentes que salta em sua primeira coleção de joias. Colares e anéis com caveiras, folhas de louro, figas, crucifixos, flores, pequenos órgãos genitais masculinos com asas e olhos turcos fazem parte de seu universo exuberante, surreal e hiperdesejável. “Desenho e faço os moldes usando a técnica de cera perdida, que então são preenchidos com bronze e, depois, cobertos de ouro ou esmalte”, conta.

Segundo ele, há um cuidado para que as joias não fiquem muito pesadas, já que são destinadas ao dia a dia. “Apesar da aparência desconfortável, elas não machucam e acompanham o movimento do corpo”, explica.

Há, nelas, uma clara inspiração barroca, um je ne sais quoi de antiguidade misturado a influências do cinema italiano dos anos 1970, de Fellini a Pasolini. “Sou apaixonado por Nápoles e seu culto aos mortos, além de filmes como ‘Satyricon’, ‘Mil e Uma Noites’ e ‘Medeia’”, enumera. “Gosto de ser viciado em superstições, da conotação de mágica, mesmo que minhas peças não sejam verdadeiramente assim.”

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Anel de caveira esmaltada envolta por pequenas flores - Foto: Divulgação

Anel de caveira esmaltada envolta por pequenas flores – Foto: Divulgação

François estudou Design de Moda no Studio Berçot, na década de 1990, o que lhe abriu as portas do ateliê de Martine Sitbon, a estilista francesa conhecida pelas coleções rock-attitude. Foi onde aprendeu a desenhar e até a fabricar, por meio da moldagem do ferro fundido e da técnica do douramento, os acessórios da marca. “Sou muito tátil, e rapidamente consegui fazê-los com minhas próprias mãos”, conta.

Com um desvio de duas décadas atuando como stylist de revistas de moda – ele trabalhou ao lado de Patrick Demarchelier, Paolo Roversi, Inez & Vinoodh e Ellen von Unwerth, além de Kate Moss e Gisele Bündchen –, a paixão pelos acessórios voltou com força total em 2018, quando decidiu retornar à bancada para desenvolver um projeto autoral.

Quase sempre esmaltadas, suas criações têm nas cores grandes aliadas: azul-celeste, vermelho, branco e preto dão vida a estruturas com um quê de macabro e sexy ao mesmo tempo. Vender no Brasil é um desejo, mas, por enquanto, suas peças exclusivas estão disponíveis apenas em seu site, com preços variando entre 150 a 1.500 euros.

Mas nada é impossível para uma criança das montanhas que sonhava em ser costureiro e chegou a ser stylist disputado. “Trabalhar com moda sempre foi meu objetivo. E é obvio que eu fazia roupinhas para minhas bonecas, né? É clichê, eu sei, mas super real”, conta ele, com um sorriso maroto. Bravo!

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