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Amigas inseparáveis, daquelas que se encontram todos os dias e ainda assim têm assunto novo para contar, Luciana Narciso e Yasmim Passos se conheceram há seis anos na universidade e descobriram que têm em comum a fixação pelo passado.

Por isso, foi em um suave túnel do tempo que a dupla embarcou intuitivamente quando decidiu transformar outras coincidências, como o gosto pela arte, na marca Luciana Yasmim.

Essa introdução é importante para entender o motivo de duas jovens escolherem um material tão antigo quanto o mármore. E, ainda que a decisão esteja ligada a referências vindas de colunas, pisos e paredes italianos seculares, o resultado tem uma pegada contemporânea própria da visão inconformista da geração millennial.

Aliás, se não fosse esse posicionamento, provavelmente a ideia não teria vingado. “Como o mármore é poroso, em escalas pequenas quebra com facilidade”, explicam em um bate-papo remoto, cada uma de sua casa, em Brasília.

Marble

Depois de muitos “nãos” e testes frustrados, contam que encontraram em São Paulo um escultor que aceitou o desafio de transformar a rocha em delicadas peças em perfeita sintonia com pedras e ouro amarelo. A linha, batizada de “Marble,” em referência à Itália renascentista, nasceu no ano passado e acaba de ganhar duas novas coleções-cápsulas: “Madonna” e “Piccolomini”.

Madonna

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A primeira, inspirada na “Madonna del Magnificat” ou “Virgem com o Menino e Anjos” – têmpera sobre painel de madeira pintada por Sandro Botticelli, em 1481, e que integra o acervo da Galleria degli Uffizi, em Florença – tem como base o lápis-lazúli, efeito que geralmente ocorre em mármores cristalinos.

O desafio, ressaltam, foi chegar ao formato convexo, base para anéis, brincos, pingentes e bracelete. A dupla comenta que foi desafiador alcançar a angulação perfeita da meia esfera e ainda incluir incrustações de tanzanitas, esmeraldas, rubis, safiras e citrinos em lapidações diferentes. Para arrematar, ouro torcidinho, helicoidal, inspirado em colunas salomônicas, que elas usam desde a primeira coleção, em 2016.

Piccolomini

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O mesmo efeito aparece, sutilmente, nos anéis da cápsula “Piccolomini”. Aqui, a homenagem é à colorida e rebuscada biblioteca homônima, também conhecida como a Biblioteca do Papa Pio II – Enea Piccolomini – na cidade de Siena.

Dos afrescos que retratam cenas da vida do sacerdorte vieram os tons de rosa, verde e marfim do mármore e das pedras: turmalinas pink, tanzanitas azuis e o verde das esmeraldas, que têm como pontos altos os brincos longos, além da choker e do bracelete com fechos em estilo industrial.

Neriage

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As coleções estão na multimarcas Pinga, e nos hotéis Fasano capital e Boa Vista, em São Paulo, e no ateliê em Brasília. Também podem ser vistas no vídeo de apresentação da nova coleção da Neriage com exibição na versão digital do SPFW, que acontece neste domingo (08.11).

Parte da geração que nasceu na capital federal e que não abre mão de morar na cidade, Luciana e Yasmim estavam se preparando para uma especialização em joias em Londres quando veio a pandemia. Com os planos adiados para o próximo ano, elas contam que aproveitaram para começar as pesquisas da próxima coleção e soltam um spoiler: a inspiração na obra “Sonhos do Carnaval” (1955), de Di Cavalcanti.

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“Queremos trabalhar apenas com gemas”, adiantam, ainda, as designers, que trazem no currículo o aprendizado com o joalheiro Cassio Mundim, a pós-graduação no IED São Paulo e o curso sobre a história do diamante e das pedras da Van Cleef & Arpels, em Paris.

Mesmo com a trajetória construída literalmente a quatro mãos e muitas afinidades, a dupla se diz diferente em vários aspectos, o que, provavelmente é o tempero que faz toda a diferença.