Look da grife Zilver, de Pedro Lourenço – Reprodução/Instagram/@zilver

Qualquer pessoa que já tenha feito suco em casa sabe que as cascas quase sempre acabam no lixo. Imagine o volume descartado pela indústria. É desse subproduto que estão surgindo vários novos materiais.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Pinãtex

O Pinãtex, feito com fibras das folhas da fruta abacaxi, é o case mais bem-sucedido até agora. Lançado em dezembro de 2014, em Londres, é resultado de cerca de dez anos de pesquisa da designer espanhola Carmen Hijosa, da empresa Aanas Anamn, que contou com o apoio do Royal College of Art, Camper e Puma para transformá-lo em produtos.

O tênis da Hugo Boss, de couro de abacaxi – Foto: Divulgação

Para se ter ideia de como o material correu o mundo, no ano passado, a Hugo Boss fez sapatos, e a inglesa Altiir criou jaquetas biker metalizadas. Engrossando a lista de adeptos, a Insecta Shoes lançou, em janeiro deste ano, versões para as sandálias Argia e Lampiris.

Orange Fiber

Já a Orange Fiber, criada pelas italianas Adriana Santanocito e Enrica Arena, a partir do refugo do suco da fruta laranja, dá origem a tecidos feitos com um fio de celulose semelhante à seda, que pode ser usado na versão 100% cítrico ou misturado com outros materiais.

Peça da Ferragamo feita de fibra de laranja – Foto: Divulgação

A Salvatore Ferragamo foi a primeira a apostar na proposta, em 2017. A H&M também investiu no material para a linha sustentável Counscious Exclusive, lançada no ano passado, junto com o Pinãtex e o Bloom Foam, espuma feita de biomassa de algas.

O couro vegano de maçã é o resultado de um processo semelhante ao dos cítricos e já foi parar nas jaquetas da Zilver, marca de Pedro Lourenço baseada em Londres e com forte posicionamento sustentável. Produzido por empresas como a a dinamarquesa The Apple Girl e a italiana Frumat, o material é totalmente biodegradável e consome cerca de um litro de água para cada metro do material.

Há, ainda, opções feitas do bagaço da uva por outra italiana, a Vegea, e banana, feita por startups como Green Banana Paper, localizada na Micronésia, na Oceania. Já a indiana Malai Design & Materials criou uma versão usando celulose bacteriana derivada da água de coco. Vários desses desenvolvimentos acabam sendo apresentados ao mundo em feiras de novos materiais, como a Future Fabrics, em Londres.