Matri aposta em coleção em palha de seda

Marca de bolsas apresenta proposta para o verão 2020

by Silvana Holzmeister
Foto: Divulgação

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Era 2014 quando Maiá Zequi, depois de 11 anos produzindo bolsas para grandes marcas nacionais, decidiu que era hora de seguir seu próprio caminho. Nasciam, ali, a Matri e o elemento que virou assinatura da marca: um chifre. Foi com ele que a designer decorou a alça do primeiro sucesso, a bucket bag “Saskia”. O acessório teve o poder de colocar a grife no radar das garotas mais antenadas da cidade. Até hoje, capitaneia todas as coleções.

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Neste Verão, virá em palha de seda, material nacional pinçado da decoração, ao lado de outros dois modelos: “Thyna” e “Unique”. Com aparência rústica e sofisticada ao mesmo tempo, a coleção é uma edição limitada em comemoração ao primeiro ano da loja física, no Shopping Cidade Jardim. Inspirada na filosofia grega meraki – fazer algo com alma, criatividade e amor –, reverencia mulheres apaixonadas pelo que fazem.

A cartela enxuta reflete essa inspiração, com nude e duas tonalidades de rosa. Não é a primeira vez que Maiá sai em busca de novos materiais, apesar de o couro ser a principal matéria-prima da marca. “No ano passado, usamos palha africana. A nova coleção atualiza a proposta”, conta ela, que hoje toca a Matri sozinha, depois da saída da sócia, Manuela Corano.

O chifre seguiu o mesmo caminho e está disponível nas versões madeira e latão com banhos em ouro, ródio negro, ônix e ouro velho, além da versão inicial, em resina. Com estrutura slow – suas criações levam, em média, trinta dias para serem desenvolvidas, da concepção ao produto final – e preocupação em desempenhar um papel sustentável, Maiá conta que busca fazer uso total dos materiais que utiliza.

Das sobras do couro, por exemplo, nascem carteiras e outros pequenos objetos. “Só trabalho com curtumes certificados”, diz. E ela tem feito testes com texturas ecológicas produzidas a partir da fibra do abacaxi. Com ateliê no apartamento onde mora, em São Paulo, costuma passar as tardes planejando novos modelos e soluções que unam estética e praticidade.

As mais recentes incluíram sapatos, cintos, brincos e organizadores de mala ao mix de produtos da Matri. Para a designer, passear das bolsas aos calçados é como unir os dois lados de sua família. Ela cresceu vendo o pai, um dos sócios da Side Walk, colocar no mercado itens como o sapatênis, e a mãe a criar bolsas artesanais e autorais.

A marca, conta Maiá, também se chamava Matri. “Mas tinha um significado mais ligado à maternidade. Resgatei o nome atualizando o sentido para uma mulher de uma sociedade matriarcal, contemporânea, forte e decidida, que tem uma agenda repleta de compromissos diferentes”, explica.

Além do conhecimento prático, a designer é formada em moda pelo IED (Istituto Europeo di Design) e ganhou expertise fazendo private label para marcas como Calvin Klein, Bob Store e Le Lis Blanc. Se no radar da designer está um público feminino independente, que segue sua própria intuição, no dia a dia ela acaba sendo o melhor espelho desse perfil.

Empresária e mente criativa, ela conta que encontra equilíbrio desenvolvendo práticas como meditação e acupuntura. Dinâmica, agora se debruça na produção para entregar as primeiras encomendas internacionais para Japão, Grécia e Uruguai, resultado da participação na feira de negócios White Show, em Milão, e na feira Tranoï, em Paris, em setembro de 2019.

Também planeja lançar, no primeiro semestre de 2020, a linha masculina de calçados, atendendo à demanda já existente de homens que não resistem às sandálias rasteiras com aparência sem gênero. E, ainda, inaugurar, em abril, a segunda loja, no Cidade Jardim Shops, que vai ocupar o terreno do antigo restaurante Fasano, nos Jardins, em São Paulo. A nova década já começa sendo um sucesso para a Matri.

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