Dani e Gabi Carvalho – Foto: Divulgação

Por Melize Sartorato

Em 2011 e as irmãs Dani e Gabi Carvalho decidiram vender online de forma despretensiosa itens próprios que não faziam mais sentido em seus guarda-roupas. As amigas gostaram da ideia, fizeram o boca-a-boca e o nascimento da era dos blogs na época deram a força orgânica que ninguém esperava.

Em um período em que sustentabilidade ainda não era palavra de ordem, a ideia de dar continuidade na vida útil de peças de luxo teve que encarar diversos preconceitos, especialmente ao lidar com um mercado onde a sensação de exclusividade é essencial. O giro das peças era um caminho novo e desmistificar a ideia de carregar a energia de outra pessoa ou das suspeitas que envolvem os porquês de um repasse não é tarefa fácil.

Por isso, a curadoria é coisa séria para as irmãs Carvalho: a avaliação das peças é feita de forma minuciosa, cheia de técnicas especiais e personalizadas. A certificação se dá com máquinas de inteligência artificial – investimento feito há 2 anos atrás para abrir o canal ao grande público – tudo para garantir a qualidade e autenticidade das bolsas, sapatos e joias que passam por ali.

A humanização do processo também é ferramenta importante para a construção da relação de confiança com o cliente. “Nossa experiência é de proximidade, o cliente pode realizar uma compra pela plataforma, mas se precisar de suporte consegue falar com nós mesmas. Gostamos de ter esse contato mais próximo para passar segurança e estabelecer essa relação nesse momento tão especial em que muitos estão realizando o sonho de ter sua primeira bolsa de grife, além de assim, termos a visão de tudo que acontece na operação”, afirma Gabriela, que comanda a área financeira e de relacionamento com o cliente, enquanto Daniela concilia o papel de mãe com a direção de marketing.

Com uma marca de mais de 250 mil seguidores no Instagram, durante esses 10 anos o Peguei Bode pôde observar e também instigar uma mudança de comportamento nos hábitos de consumo. A expectativa de um brechó de itens vintages desconstruída por uma plataforma online de produtos muitas vezes com etiqueta assistiu o movimento do consumo consciente tomar forma em compras que prezam agora mais pela qualidade que pela quantidade. É aqui que o mercado de luxo retoma seu protagonismo, o clássico ganha força e a procura por marcas que olham para o mundo aumenta – “Vejo muitos clientes preocupados com o posicionamento de marcas renomadas, de onde vem o material e como elas ajudam o meio ambiente“, comenta Dani.

Em um país que preza pela novidade, sai na frente o negócio que preza pela sustentabilidade colaborando ao máximo para o mínimo do consumo de matérias primas como couros, tecidos, minérios e emissão de carbono. Não podemos deixar de citar a pandemia e a atenção que ela chamou para a necessidade de olhar o próximo e para o nosso planeta. Como efeito da “aceleração” dessa tendência temos com o aumento da procura pela plataforma para vender peças paradas e o crescimento de quase 30% do número de novas clientes. “Vencemos um preconceito ao longo desses anos. Há 10 anos atrás ninguém contava que vendia ou comprava algo de segunda mão, mas hoje, isso é cool: além de pensar no mundo, é legal dizer que você encontrou um achado e ainda pagou mais barato por ele”, conclui Gabi.