Outerknown – Foto: Reprodução/Instagram

Por Najela Bruck

A moda possui seus encantos, mas também suas sombras. Afinal, o segmento é um dos maiores poluentes do mundo. Sobras de tecido e, às vezes, rolos inteiros são descartados de forma irregular e em lugares inimagináveis como o Deserto do Atacama, no Chile. Há 15 anos o local abriga um lixão de 300 hectares (300 campos de futebol) que recebe todo tipo de resíduo têxtil, com destaque para o poliéster. Contudo, na contramão da degradação ambiental, existem marcas eco-friendly que buscam, de fato, trabalhar com alternativas sustentáveis.

A californiana Outerknown, do surfista Kelly Slater, investe em sustentabilidade desde sua criação, em 2015. Em 2020, a marca deu mais um passo e comprometeu-se a alcançar a circularidade total até 2030. Na prática, isso significa eliminar desperdícios, reutilizar e reabastecer recursos naturais utilizados na produção. Quando assumiu publicamente o compromisso, a Outerknown declarou que “visa criar peças versáteis de guarda-roupa (suéteres, macacões, agasalhos e similares) que ajudem a eliminar o desperdício e a poluição e, também, capacitar as pessoas que produzem as roupas”.

Patagonia – Foto: Reprodução/Instagram

A Patagonia, reconhecida pela ONU como ‘Campeã da Terra’, produz roupas para esportes de aventura e declara que quase 70% de sua linha de produtos é composta por materiais reciclados, dentre eles nylon, poliéster, algodão e caxemira. Com faturamento anual estimado em mais de US$ 1 bilhão, a marca utiliza algodão orgânico em sua produção e trabalha para ir além. “Usamos algodão cultivado organicamente há anos, mas tudo o que ele faz é causar um pouco menos de dano ao planeta. Quero mais. Por isso, decidi começar a cultivá-lo de forma regenerativa”, afirma o fundador da Patagonia, Yvon Chouinard.

Esse tipo de produção ocupa um espaço menor que a cultura tradicional, além de revezar o plantio de outras espécies para que o solo esteja sempre rico em nutrientes. A produção regenerativa não pode ser adotada em larga escala, pois seu custo é mais elevado. Para cobrir a queda do faturamento dos produtores, a empresa passou a pagar 10% a mais do que o valor comum.

Urbô – Foto: Reprodução/Instagram

No Brasil, a Urbô promove uma moda masculina pautada no minimalismo e, sobretudo, na sustentabilidade. Para isso, utiliza tecidos feitos a partir do reaproveitamento de borra de café, garrafa pet, fibra de bananeira, cânhamo e tags plantáveis. “Reduzir o impacto ambiental sempre esteve no centro de nossa atenção. As camisetas feitas de garrafa pet, por exemplo, reciclam três garrafas cada. Para se ter ideia, uma peça dessa oferece à natureza 1200 anos livres de PET, já que este material leva, em média, 400 anos para se decompor “, afirma o co-fundador e diretor de estilo, Matheus Menezes.

Para o segundo semestre de 2022, a marca planeja o lançamento pioneiro no Brasil de camisetas feitas com tecido à base de enzima de prata. O produto, além de promover melhor absorção da transpiração, também auxilia na redução de parasitas provocados pelo suor. O resultado? Uma peça limpa por mais tempo e, consequentemente, menos lavagens e mais economia de água.