Julia Clemente é nomeada consultora da Art Consulting Tool

Há 10 anos atuando nesse mercado, metade deles fora do País, a art adviser fala sobre sua trajetória

by redação bazaar
Foto: Nicole Heiniger

Foto: Nicole Heiniger

Por Ana Ribeiro

A art adviser Julia Clemente está de volta a São Paulo, cidade onde nasceu e cresceu, e no momento está se empenhando para se sentir em casa de novo. “O corpo chega primeiro, mas a mente e o coração demoram um pouco mais”, explica. Para começar, nem casa ela tem ainda – está morando com uma amiga. Seus móveis e sua coleção de arte, ainda em fase inicial, estão espalhados por aí. É que, nos últimos anos, Julia acrescentou outros lugares à lista de “suas cidades”. Primeiro foi Nova York, onde passou 8 meses; depois Londres, onde viveu os últimos 4 anos. “A vida estava muito boa lá, eu adorava meu lifestyle”, conta. “Voltei porque recebi uma proposta interessante de trabalho, e não quero, aos 32 anos, ter medo de mudanças.”

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Trinta e dois anos de idade parece muito para a garota sardenta de cabelos enrolados, mas parece pouco para alguém que já andou tanto atrás dos seus sonhos. Julia é a primeira de três filhas de uma família em que a arte sempre fez parte do assunto. Seus avós já eram colecionadores. Ela e as irmãs, Manoela e Sofia, estudaram a vida toda no Vera Cruz, escola construtivista, onde as crianças tinham independência e espaço para criar.

Na faculdade, Julia cursou Relações Internacionais na ESPM, já de olho em mergulhar no mercado da arte e no intercâmbio entre artistas brasileiros e estrangeiros. “Trabalho com arte há 10 anos, sempre transitei nesse meio. No Brasil, trabalhei nas galerias Luciana Brito e Leme. Em Londres, atuei em duas galerias: a primeira foi a White Rainbow, que representava inicialmente só artistas japoneses. Quando quiseram internacionalizar o programa, me tornei a diretora do espaço. Fizemos uma exposição da Tomie Ohtake lá, a primeira mostra solo de Tomie em Londres em mais de 20 anos”, conta.

“A outra foi a Gallery of Everything, que trabalha apenas com artistas autodidatas. Eles têm um museu também, que não tem sede fixa e viaja o mundo representando o trabalho desses artistas. Onde estiver, ele envolve a cena local. Dirigi a galeria por um tempo e aprendi um monte.” A experiência de atuar com clientes levou a esse convite irresistível que a fez voltar para São Paulo, para trabalhar como consultora na ACT – Art Consulting Tool -, orientando gente que está começando a colecionar, ou quem já tem uma coleção e quer orientação também.

“O legal é que a gente pensa junto, para chegar a uma coleção que faça sentido, que tenha coerência, uma representatividade legal dos artistas. Mas cada coleção vai por um caminho, porque cada um compra o que gosta, é claro. E tem quem compre para investimento também.” Julia explica que “art advisor” é uma função um pouco nova no Brasil.

“O ACT segue um modelo internacional, que é trabalhar com o cliente e pensar a coleção com ele. Não é só porque o artista é bom que vai caber em determinada coleção.” Para oferecer opções, ela segue muitos artistas, está em contato com galerias do mundo todo, visita ateliês e vai viajar com os clientes para ver as feiras de arte por aí. A primeira será a Art Basel, em Miami, em dezembro. Ou seja: não vai dar tempo de Julia esquentar a cadeira.

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