Foto: Fernanda Fehring

Por Fernanda Fehring

Na eterna dúvida entre qual das margens do rio Sena é mais bonita e especial, ou se é melhor se hospedar na Rive Gauche ou na Rive Droite, a rua Faubourg Saint-Honoré é um trunfo de peso a favor da margem direita. Afinal, não me lembro de alguma outra rua no planeta que abrigue uma variedade tão grande de hotéis espetaculares, uma das praças mais bonitas do mundo, lojas das melhores grifes de design e que tenha ainda o Palais de l’Elysée – o palácio presidencial – e a embaixada americana dividindo as mesmas calçadas.

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A história da fabulosa rua se confunde com a de algumas das grifes de moda mais importantes do país e a de alguns dos hotéis mais emblemáticos da cidade. Sendo assim, é impossível escrever sobre um hotel como o Le Bristol Paris sem investigar a importância histórica de sua localização e do prédio que ocupa.

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História

A história da Faubourg Saint-Honoré começa em 1715 com o retorno da corte francesa para Paris, seguindo a morte do rei Louis 14. A rua foi uma das escolhidas para a construção de mansões pela elite francesa e, mais tarde, para a abertura de lojas de algumas grifes como Hermès e Lanvin.  Desde então, tornou-se forte a associação da Faubourg com grandes marcas de design.

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Em 1923, o empresário Hippolyte Jammet compra a extraordinária mansão privada do nobre Julles de Castellane com uma missão clara: transformar o belo prédio em um dos hotéis de maior prestígio da cidade. E assim, em 1925, nasce o Hotel Le Bristol Paris, batizado desta forma em homenagem a Bishop Frederick Hervey, o 4º Conde de Bristol, um apaixonado por viagens de luxo. E como não poderia deixar de ser, o hotel vira point de intelectuais e artistas, como Coco Chanel, Picasso, Balenciaga, Dali, Mondrian e Elsa Schiaparelli.

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Em 1978, a viúva de Jammet decide vender o hotel para o empresário alemão Rudolf Oetker, dono da empresa alimentícia Dr. Oetker, que começa um processo de renovação do Le Bristol. Dentre outras modificações, a mais relevante delas é a adição de uma piscina interna no rooftop do hotel – a única a ocupar essa posição dentre todos os grandes hotéis da cidade. E em 2007, é feita a aquisição do prédio vizinho na Avenue Matignon, e o hotel ganha uma nova ala com mais quartos e suítes, e um brasserie para chamar de sua, a deliciosa 114 Faubourg.

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O hotel

Antes de chegar ao Le Bristol, a expectativa era grande, o sentimento era de haver “borboletas no estômago”. Afinal, não é todo dia que nos hospedamos em um lugar que foi o primeiro hotel da França a receber a distinção “Palace Hotel” – um título concedido pelo premier francês a hotéis excepcionais.

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Ao cruzar a porta giratória e me deparar com o movimentado foyer, entendi que aquele era um hotel especial, um lugar que tem um ar descontraído e convivial mesmo em um ambiente tão elegante e sofisticado. O Le Bristol é daqueles hotéis podres de chique que recebem a todos de braços abertos, com uma simpatia e um joie de vivre que nos fazem sentir confortáveis e acolhidos quase que instantaneamente.

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Porém, as belas flores no foyer, o serviço impecável e a decoração linda e clássica não deixavam enganar – estávamos em um dos grandes hotéis de Paris, e um dos melhores hotéis do mundo.

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Os quartos

Os 190 quartos e suítes do hotel estão entre os maiores de Paris, alguns do tamanho de apartamentos parisienses. O décor é tradicional e usa e abusa de tecidos e tapetes em tons suaves, cortinas listradas ou florais em tons pastéis, móveis antigos e lustres de cristal.

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As camas king size são extremamente confortáveis e os banheiros, em mármore de carrara, têm design tradicional, que contrasta com a modernidade dos potente secadores Dyson, disponíveis para uso dos hóspedes.

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Nossa suíte era a especialíssima suíte 1925, ou suíte Josephine Baker, localizada no sétimo andar no hotel. Inaugurada em 2018, o espaço é uma homenagem à famosa cantora americana-francesa – habitué do hotel – que em 1975 convidou 250 convidados para celebrar nos salões do Bristol, os 50 anos de seu debut em Paris. Na lista de convidados, Grace Kelly, Alain Delon, Sophia Loren e Mick Jagger.

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A suíte de 70 metros quadrados tem vista para a Torre Eiffel e os telhados de Paris, e é extremamente elegante, intimista e aconchegante. Com retratos de Madame Baker decorando as paredes, cada detalhe de sua decoração foi pensado para expressar a elegância de sua musa inspiradora. As sedas e cashmeres usados são em tons de azul celeste, creme, branco, pink e madeira.

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Os destaques vão para a biblioteca e os ótimos livros ali presentes, e o característico toldo das janelas – listrados de vermelho e branco – que a todo instante nos lembravam que estávamos em um dos endereços mais desejados de Paris.

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Gastronomia

A gastronomia do Le Bistrol é um capítulo à parte – com o chef Eric Frechon no comando há mais de 20 anos, seus restaurantes têm impressionantes quatro estrelas no Guia Michelin. São cinco espaços no hotel que recebem seus hóspedes e comensais com excelência no serviço e na cozinha.

Foto: Acervo pessoal/Fernanda Fehring

O Epicure é o restaurante gastronômico e tem em seu comando o próprio Frechon, que conquistou as almejadas três estrelas Michelin para o estabelecimento. A culinária é francesa e o décor é de sonho, com lustres de cristal e belas cortinas com estampas florais, que emolduram os janelões com vista para o lindo jardim do hotel. O Epicure serve café da manhã e jantar.

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O 114 Faubourg é a linda brasserie do Le Bristol, que completa dez anos desde o recebimento de sua estrela Michelin. Para comemorar, o restaurante lançou um menu com os pratos mais amados e pedidos nesta última década, e fomos prová-lo em nossa estadia por lá.

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Os destaques do menu vão para o oeuf king crab e os ravioles de langoustine. E luxo dos luxos: os queijos servidos na brasserie são afinados no próprio hotel. O serviço simpático e atencioso coroou uma noite perfeita neste restaurante tão alegre e descontraído. Uma joia de lugar.

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O Café Antonia é o lindo café do hotel, que também serve o café da manhã e oferece um menu leve o dia inteiro, com opções de saladas, sanduíches, pratos clássicos e sobremesas.

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Seu chá da tarde é notório e concorrido, e o espaço tem decoração linda, com belas e pesadas cortinas listradas, lustres de cristal e móveis clássicos – e flores por toda parte. Na minha opinião, o Café Antonia é um dos ambientes mais bonitos do hotel.

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Um hotel como o Le Bristol não poderia deixar de ter um bar fantástico, e o Le Bar du Bristol não decepciona. Com decoração muito bonita, o espaço conta com painéis de madeira nas paredes, lareira, chão de parquet e belos tecidos em animal print – que dão um toque muito aconchegante ao espaço. Na carta, cocktails exclusivos e pratos leves.

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O bar promove também as noites B.A.D – ou Bristol after dark – quando o Le Bar du Bristol recebe uma série de DJs durante o fim de semana para noites de boa música regadas a excelentes cocktails.

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A cereja do bolo do hotel é seu jardim interno –  o Cour Jardin – um verdadeiro oásis urbano de 1200 metros quadrados, o maior jardim de todos os grandes hotéis de Paris.

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Seu restaurante, o Le Jardin Français oferece almoço e jantar em um ambiente lindo de morrer. O chá da tarde, também servido no jardim, é dos mais disputados da cidade.

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Os ateliês e L’epicerie

No subsolo do hotel encontra-se uma verdadeira fábrica de delícias, ou os “ateliês”. Ali, o chef Eric Frechon instalou um moinho (isso mesmo, um moinho) para moer sua própria farinha e com ela produzir os perfeitos pães 100% naturais. E o resultado é impressionante, os pães do Le Bristol e todas as viennoiseries ali servidas são simplesmente fantásticas – aliás, essa é uma característica forte de todos os hotéis pertencentes ao selo Oetker Collection.

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No mesmo local, há ainda a “La cave à fromage”, ou uma câmara de maturação de queijos franceses, e uma “Chocolaterie”, uma pequena fábrica de chocolates produzidos no próprio hotel.

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Com uma produção tão extraordinária dentro de casa, era de se esperar que o hotel abrisse uma loja para vender seus produtos ao público. E, assim, durante a pandemia o hotel lançou a L’Épicerie du Bristol com uma seleção incrível dos pães e terrines de Frenchon, e chocolates e sobremesas criadas pelo chef confeiteiro Pascal Hainigue. Irresistíveis!

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A piscina

A piscina do hotel é uma atração à parte e vale uma visita. Localizada no rooftop, no sexto andar do prédio, foi projetada para parecer um navio, com janelas, um corrimão e até um painel pintado da proa da embarcação.

Foto: Fernanda Fehring

Esse painel, na verdade, retrata uma imagem que realmente aconteceu e mostra Madame Oetker chegando à Côte d’Azur nos anos 1920 e avistando pela primeira vez o Hotel du Cap, em Antibes. Encantada com o prédio, teve a promessa do marido que o compraria para ela – já que fazia aniversário naquele mesmo dia. E assim, um hotel verdadeiramente fantástico entrou para o portfólio da família Oetker. Nada mal, como presente de aniversário, não?

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O Spa by La Prairie

O Spa by La Prairie tem ambiente calmo e tranquilo é dá para um lindo jardim de inverno. O espaço conta com oito salas de tratamento, incluindo uma sala para casais e uma “Banïya Russa’- ou uma sauna russa. Recentemente deu as boas-vindas à marca de cosméticos naturais Tata Harper, com uma sala de tratamentos decorada exclusivamente para receber seus tratamentos. Luxo puro!

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Socrate

A simpática tradição de ter um felino residente no hotel começou com Fa-raon, um gato da Birmânia que durante 11 anos desfilou sua elegância pelo foyer do Le Bistrol. Com a aposentadoria do pai, chegou ao hotel seu filho, Socrate, para ocupar seu posto e encantar a todos com seu charme e meiguice. Pois, Socrate é verdadeiramente apaixonante e não resisti em brincar um pouco com ele após o jantar, já a caminho de nosso quarto.

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Ao entrarmos em nossa suíte, de número 1.925 (o ano de abertura do hotel), mais um espetáculo nos aguardava: a torre iluminada e cintilante nos trazia janela adentro um pouco da magia inebriante da cidade luz. E a beleza daquele momento nos fez parar e refletir sobre o enorme privilégio que é ter uma cidade como Paris para voltar. Sempre.

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Le Bristol Paris
112 Rue du Faubourg Saint-Honoré,
75008 Paris,
França
@lebristolparis
Oetkercollection.com

@fernandafehring é formada em Hotelaria, Gastronomia e Turismo pela Universidade de Surrey, na Inglaterra, e em Cozinha pela École Le Cordon Bleu, de Paris. Foi expatriada por 18 anos, morando em países como Inglaterra, Alemanha, China, França e África do Sul. Mas é no Rio de Janeiro que Fernanda se sente mais feliz. Formada pela McQueens de Londres, Fernanda teve um ateliê de flores durante seis anos no Rio. Trabalha atualmente como curadora de viagens e colunista, e sua grande paixão são as viagens de natureza e de isolamento. País preferido no mundo? África do Sul. Viagem dos sonhos? Alasca.