Por Fernanda Fehring

Foto: Divulgação

Pensa em um lugar que te deixa sem palavras? Que é um verdadeiro nocaute? Um hotel localizado em um prédio lindo de morrer, em estilo neo-haussmaniano, à beira de um lago lindo e com vista para os alpes. Seus ambientes decorados com luxo, mas sem ostentação, e com um bom gosto e suavidade impressionantes. Me refiro ao The Woodward Genebra, a última novidade na hotelaria da cidade e uma verdadeira joia de lugar.

Foto: Fernanda Fehring

Já havia lido aqui na Bazaar a coluna da Carolina Andraus sobre o arquiteto Pierre-Yves Rochon e seu projeto espetacular para o novíssimo The Woodward. Mas ver esse hotel magnífico ao vivo foi uma experiência e tanto.

Foto: Fernanda Fehring

O Hotel

Aberto em setembro de 2020, o The Woodward chegou para sacudir a cena hoteleira de Genebra. Com localização privilegiada, no Quai Wilson, de frente para o Lago Léman, o hotel é simplesmente de cair o queixo.

Foto: Divulgação

O prédio que o abriga foi, de fato, construído em 1901 pelo arquiteto francês François Durel com projeto original para ser o Hôtel Bellevue (Hotel Belavista). Anos mais tarde, o hotel passou a ser uma residência privada e depois virou um prédio de escritórios. O último “inquilino”, o Banco HSBC, ficou lá por alguns bons anos antes de ceder a localização ao The Woodward.

Foto: Fernanda Fehring

A propriedade faz parte do portfólio Masterpiece Hotels da Oetker Collection, que tem uma coleção impressionante de hotéis icônicos como o L’Apogéee Courchevel, o Le Bristol Paris e o brasileiríssimo Palácio Tangará, entre outros.

Foto: Fernanda Fehring

 

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Pierre-Yves Rochon

O responsável por transformar o The Woodward em um dos hotéis mais deslumbrantes da Suíça, é Pierre Yves-Rochon, um dos arquitetos de interiores mais renomados do planeta. Dono de inúmeros projetos icônicos nas cenas da gastronomia e hotelaria mundiais, Yves-Rochon diz que projeta seus hotéis como “residências” e que fazer o projeto para o The Woodward foi como desenhar um Hôtel Particulier – ou uma grandiosa mansão francesa.

Pierre Yves-Rochon – Foto: Divulgação

 

Foto: Fernanda Fehring

Acomodações

Todas as 26 acomodações do hotel são suítes que têm entre 55 e 300 metros quadrados. A decoração é uma beleza, extremamente delicada e traz tecidos em tons suaves que casam lindamente com o chão de parquet. O minibar é montado em um armário de laca com pintura de cerejeiras em flor – lindo! – e conta até com uma miniadega. Além dos habituais refrigerantes, cervejas e cafés em cápsulas, chocolatinhos também estão disponíveis neste espaço – todos suíços, é claro.

Foto: Fernanda Fehring

 

Foto: Fernanda Fehring

Nos hospedamos na espetacular Suíte Léman, uma beleza de apartamento com sala de estar, quarto, banheiro e lavabo divididos em 80 metros quadrados. A sala de estar, com vista para o lago, tinha como peça central um sensacional lustre de Baccarat e o quarto adjacente – charmosérrimo – com parte do teto rebaixado, contava com uma cama king, dois armários e uma escrivaninha. O banheiro, inteiro de mármore branco, tinha vista para o lago e os bonitos prédios vizinhos do Quai, e seus armários e gavetas tinham lindos puxadores em Lalique – um verdadeiro luxo.

Foto: Fernanda Fehring

 

Foto: Fernanda Fehring

 

Foto: Fernanda Fehring

No quesito high-tech, o hotel preparou algumas surpresas para seus hóspedes, como a tampa do toalete do lavabo que levanta e dá descarga sozinha e os tablets que têm todos os controles do quarto (ar-condicionado/aquecedor, luzes, TVs). Superdivertido!

Foto: Fernanda Fehring

Durante minha estadia no hotel fui conhecer a magnífica Royal Suite, um extraordinário apartamento de 300 metros quadrados divididos entre uma sala de estar, sala de jantar para dez pessoas, cozinha, closet e duas suítes. O espaço é todo rodeado por varandas e tem uma vista sensacional do lago e do Mont Blanc. O banheiro todo de mármore branco tem lustres de Lalique desenhados pelo próprio Rochon e a suíte principal tem mural de seda com pintura e bordados de cerejeiras em flor. Simplesmente deslumbrante!

Foto: Fernanda Fehring

 

Foto: Fernanda Fehring

Gastronomia

Em uma cidade como Genebra, onde as pessoas têm o hábito de comer em restaurantes de hotéis, a gastronomia do The Woodward é um de seus grandes trunfos. O hotel tem filiais dos famosos L’Atelier Joël Robuchon e Le Jardinier by Alain Verzeroli, ambos com supervisão do chef executivo Olivier Jean, que teve o próprio Yves-Rochon como mentor.

Foto: Fernanda Fehring

O L’Atelier que é um dos restaurantes franceses mais queridos do mundo, chegou ao hotel com decoração deslumbrante de Rochon e segue o conceito de cozinha espetáculo, como nas outras filiais do mundo – com a característica cozinha aberta e o restante do restaurante à meia luz (como uma verdadeira casa de espetáculos).  No L’Atelier, a comida (e o trabalho dos chefs) são o verdadeiro show.

Foto: Fernanda Fehring

 

Foto: Fernanda Fehring

No menu, clássicos adorados como ravióli de lagostim com molho de foie gras e o delicioso L’Oeuf du Lignon (ovo orgânico frito, cogumelos, arroz de Gruyére e presunto Pata Blanca) – de comer rezando! E para a alegria de todos os comensais, o sensacional purê de batata (marca registrada de Robuchon) também está na carta.

Foto: Fernanda Fehring

Já no Le Jardinier, a leveza do ambiente reflete o menu com especialidade em pratos vegetarianos. Os pratos de carnes e peixes também estão disponíveis no cardápio e tudo o que provamos por lá estava divino. O ambiente elegante tem vista para o Lago Léman e para o bar do hotel, um dos ambientes mais bonitos de todo o prédio.

Foto: Fernanda Fehring

 

Foto: Fernanda Fehring

A confeitaria do hotel é fora de série e tem no seu comando o chef artista Titouan Claudet. A cada café da manhã, uma seleção de divinas viennoiseries é trazida à mesa e fica difícil decidir qual delas é a melhor de todas. Após visitar algumas propriedades do grupo Oetker Collection, e provar sempre os melhores croissants, brioches, pães e pains aux raisins, cheguei à conclusão de que os hotéis do selo são hors concours no quesito confeitaria.

Foto: Fernanda Fehring

O spa e o cigar lounge

O spa do hotel é dos mais sensacionais que já visitei, a começar pelas instalações, espalhadas em 1200 metros quadrados. Lá dentro, uma piscina interna de 21 metros (a maior da cidade), uma sala de ginástica muito bem equipada, duas saunas secas e duas a vapor, uma área de hamman e o incrível Guerlain Spa at The Woodward.

Foto: Fernanda Fehring

O spa conta com seis salas de tratamentos e todos os produtos utilizados por lá são da excelente linha Abeille Royale, da Guerlain. As massagens são excelentes e os produtos da própria marca estão disponíveis para quem quiser fazer umas comprinhas pós-tratamento. A linha de perfumes também conta com um pequeno stand para que os hóspedes possam experimentar todas as fragrâncias que desejarem – e voltarem para seus quartos cheirosérrimos. rs

Foto: Fernanda Fehring

Ao lado do spa está localizado o cigar lounge, instalado no antigo cofre do banco que ocupava anteriormente o prédio.  Um detalhe engraçado é a placa de “proibido fumar” que se encontra na porta do antigo cofre. Uma brincadeira charmosa do hotel com seus hóspedes. Adorei!

Sustentabilidade

Como parte do selo Oetker Collection, o hotel adotou a estratégia CSR, que tem quatro pontos fundamentais. São eles: responsabilidade filantrópica; responsabilidade ambiental; responsabilidade ética e responsabilidade social. As ações e números dos hotéis do grupo são publicados em um relatório anual.

Foto: Fernanda Fehring

Como iniciativa ambiental, por exemplo, o hotel também participa do GeniLac, um projeto da cidade de Genebra para diminuir as emissões de carbono. Por meio desta ação, os grandes prédios usam a água do lago para aquecimento e esfriamento de sua estrutura, em substituição aos combustíveis fósseis usados anteriormente para esse fim.

Foto: Fernanda Fehring

A equipe

A alegria com a qual fomos recebidos pela equipe do hotel foi contagiante. Talvez pelo hotel ser novo, ou por ser deslumbrante, mas o fato é que o entusiasmo do time era geral. Fora a simpatia dos funcionários, o nível de serviço do The Woodward é altíssimo – o que não poderia ser diferente em se tratando de um hotel do selo Oetker Collection, que tem a excelência de serviço tão forte em seu DNA.

Foto: Arquivo pessoal

The Woodward
Quai Wilson, 37
Genève, Suíça
+ 41 229013700
www.oetkercollection.com
@thewoodwardgeneva

@fernandafehring é formada em Hotelaria, Gastronomia e Turismo pela Universidade de Surrey, na Inglaterra, e em Cozinha pela École Le Cordon Bleu, de Paris. Foi expatriada por 18 anos, morando em países como Inglaterra, Alemanha, China, França e África do Sul. Mas é no Rio de Janeiro que Fernanda se sente mais feliz. Formada pela McQueens de Londres, Fernanda teve um ateliê de flores durante seis anos no Rio. Trabalha atualmente como curadora de viagens e colunista, e sua grande paixão são as viagens de natureza e de isolamento. País preferido no mundo? África do Sul. Viagem dos sonhos? Alasca.