Rishikesh: conheça a capital mundial da ioga

Aos pés dos Himalaias, fomos desvendar as experiências de um refúgio chamado Ananda SPA, uma espécie de Meca para estudiosos e admiradores da ioga

by redação bazaar
Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Por Carlos Marcondes

Desacelere, acalme sua alma e envolva-se em uma experiência singular. É essa a missão de quem chega à Rishikesh, uma pequena cidade de 100 mil habitantes, no norte da Índia, que parece ter o dom de estimular a espiritualidade até de pessoas céticas e racionais. É um lugar verdadeiramente único, repleto de energia positiva e abençoado, segundo os locais, pelas águas sagradas do ‘Mother Ganga’, o rio mais idolatrado do planeta.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Mas antes de imergimos na cultura de Rishikesh é preciso buscar equilíbrio entre corpo e alma. Subimos uma pequena serra, não é um lugar qualquer. Tratam-se dos pés dos Himalaias, mística, de onde brotam a cadeia de montanhas mais alta e desafiadora do mundo. Para um brasileiro que vem de tão longe a sensação é de privilégio, o primeiro de muitos gerados por Rishikesh.

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Após meia hora de carro, chega-se às portas do suntuoso palácio do Marajá de Tehri Garhwal. É a impressionante entrada de uma das hospedagens holísticas mais cobiçadas da Índia: O Ananda SPA in the Himalaias. O hóspede é recebido com chás e agraciado com um amenitie na forma do icônico colar japamala, com as endêmicas sementes de sândalo que, certamente, ajudará nos momentos de meditação.

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Estamos em um centro wellness que combina as filosofias ayurveda, yoga e vedanta, na busca por alinhar corpo, mente e espírito. Logo, o hóspede é encaminhado ao seu primeiro compromisso: o de passar por um médico que tem a missão de desvendar as principais necessidades e carências, além de descobrir os chamados Doshas, que indicam o perfil biológico das pessoas: Vata, Pitta ou Kapha. Muitos, têm dois deles associados. Eu, por exemplo, sou Vata-pitta e essa identificação será passada para o chef do restaurante que disponibilizará uma opção específica de dieta balanceada, para que eu possa seguir um programa saudável alimentar de acordo com meu dosha.

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

“A tradicional medicina Ayurveda busca trabalhar na desintoxicação e prevenção de doenças e em como melhorar a saúde das pessoas, utilizando-se de ervas e plantas locais”, revela o doutor Raghubansh Singh, que também me recomenda um tratamento com vitaminas Guduchi – conhecidas como as ervas da imortalidade. É excelente para imunidade, tenho sentido os resultados.

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

A propriedade é belíssima, emana paz e serenidade, com paisagismo repleto de verde, onde vez por outra, surgem macacos, além de pavões-azuis, muito comuns na região. Emoldurado em formato de curva na cidade de Rishikesh, o Ganges é visto de boa parte dos quartos do hotel.

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Mas o ponto forte do Ananda são os pacotes de wellness no SPA, que envolvem a inclusão de yoga e vedanta, além de um amplo menu com mais de 80 opções de tratamentos de beleza e massagens. São 24 salas com quase 40 terapeutas, metade deles, especialistas na filosofia ayurveda, que utiliza-se de ervas locais que agem diretamente na desintoxicação e na melhora das articulações.

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Dos cinco tratamentos que experimentei, todos foram de excelente nível. A que mais me impressionou foi a Abhyanga, também chamada de terapia antienvelhecimento. É realizada a quatro mãos, por dois profissionais da cidade de Querala, no sul da Índia, um dos maiores centros da cultura ayurveda do país.

Imperdível também é o Ananda Fusion, considerada a ‘Signature’ do SPA. Mescla técnicas locais com internacionais e tem como destaque o uso de um óleo picante, feito à base de gengibre, cardamomo e pimenta preta. A composição, além de atuar nas articulações, promete gerar resultados positivos no sistema digestivo.

“A concepção do Ananda é de ser um centro que harmoniza o corpo com a natureza. Os óleos dos Himalaias são essenciais na composição da experiência que propomos”, comenta Ashok Khanna, o simpático fundador e diretor da propriedade. Khanna pertence à família dos donos da rede de hotéis de Luxo Oberoi, tendo atuado na direção do grupo por diversos anos.

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Não estranhe ao ver todos em branco circulando pelas alamedas do hotel. Os hóspedes são estimulados a usar uma elegante e confortável bata indiana durante sua estadia. É um convite ao desprendimento que sentimos na região e é contagiante. Torna-se parte da rotina diária, todos em branco, ao amanhecer, se reúnem em um espaço sereno, rodeado de árvores, para a prática da ioga, sob a tutela de experientes instrutores. A energia é forte e tranquilizadora. Imergir em um SPA Ayurvédico, aos pés dos Himalaias está entre as experiências que devem entrar na ‘to do list’ de todo viajante de alma e de mente abertas.

Terra da ioga e de Ashram

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Descemos para Rishikesh, onde o Ganges ainda é limpo, ele nasce cerca de 250 km ao norte e sua águas com fortes correntes são um convite à aventura. Fazer rafting no rio mais sagrado da Terra é algo singular e uma das atrações da região.

Para Cristiane Cury, diretora da Indo Ásia Tours, uma das principais operadoras especializadas no destino, que organiza viagens customizadas para brasileiros, Rishikesh é indicada para ser a última perna de uma jornada ampla na Índia. “É um mergulho na espiritualidade e uma experiência bem interior, de paz e serenidade, onde certamente haverá momentos importantes de reflexão’, revela a expert.

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Ela aponta como destaques de passeios, além do rafting, a ida a caverna de Vashista, onde viveu um dos sete sábios imortais da Índia e um trekking ao templo de Kunjapuri no topo das montanhas, que passa por simpáticas pequeninas vilas.

Embora milenar a fama de Rishikesh é recente e acabou de completar apenas meio século. Sua espiritualidade arraigada ao hinduísmo se tornou celebre principalmente depois que os Beatles a escolheram para passarem um período de retiro em um Ashram, em 1968. Críticos afirmam ter sido o período mais criativo da banda onde compuseram 48 músicas, diversas delas fariam parte do premiadíssimo White Álbum.

Nesses 50 anos o número de Ashram se multiplicou, e hoje são ao menos 200 na região, de pequeninos para poucas pessoas, até gigantes como o Parmarth Niketan, no coração da cidade, que oferece 1.075 quartos. Muitos visitantes mesclam a experiência conceitual de um SPA como o Ananda, com alguns dias em um retiro simples, onde você come com as mãos, ajuda na limpeza e concentra seu tempo em meditar, buscando um equilíbrio espiritual.

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Na cidade vacas por todos os lados, dividem espaço com turistas moradores e muitos Sadhu, ‘homens espirituais’ vestidos de laranja que se desligaram do mundo material e são ajudados por moradores com alimentação e hospedagem. “Há cerca de mil deles na região. São pessoas que abdicaram de suas famílias e de sua vida anterior para se dedicarem ao estudo da espiritualidade e uma vida de desapego”, explica Ganga Ram, um dos mais respeitados Sadhus de Rishikesh e que carinhosamente me abrigou por duas noites.

É fascinante tentar entender a busca de quem ali visita. Há dezenas de cursos de ioga para formação de instrutores. Ter no currículo uma formação do berço da filosofia, que teria nascido nas montanhas dos himalaias, é um diferencial respeitado no mundo ocidental. Mas se alguns vão com o intuito educativo, outros vão atrás de respostas, de um significado para a vida.

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Foto: Divulgação/Andanda e Carlos Marcondes

Rishikesh também é notável pelo seu Ganga Aarti que ocorre todos os dias às 18 horas, às margens do rio. É um ritual emocionante de homenagem ao ‘Mother Ganga’ fonte de vida e devoção. Turistas se mesclam aos locais que entoam uma canção que penetra em nossos ouvidos como um transe do bem. É uma demonstração única de fé e de agradecimento pelo que a natureza e os deuses oferecem ao homem.

São diversos os casos de ocidentais que chegam à cidade para pequenas experiências e elas acabam se tornando mais transformadoras do que o previsto. De semanas, a busca pelo equilíbrio vira um período de anos de estudo e meditação. O quanto Rishikesh é capaz de tocar quem a conhece, é muito pessoal. É preciso desvendá-la, despido de qualquer tipo de amarra ou pré-conceito. O resultado seguramente será do bem.

* O jornalista teve o apoio da Incredible India – incredibleindiatourism.org, do Ananda SPA – anandaspa.com e da Indo Asia Tours – indoasiatours.com.br