Gal Costa em seu apartamento – Foto: Carol Siqueira

Notívaga declarada, a cantora Gal Costa conta sua rotina de quarentena e detalhes da celebração de 55 anos de carreira com o disco “Nenhuma Dor”, que tem participações para lá de especiais. Leia seu depoimento para o 24 Horas da Bazaar Brasil:

13h

Durmo tarde desde sempre por conta do horário do meu trabalho e mantive essa rotina durante a pandemia. Acordo por volta de 13h (risos). Agradeço todos os dias pela vida lindíssima com todos os mistérios. Principalmente agora, em um momento tão difícil com a perda de tanta gente. Como não tenho nenhuma programação de trabalho, acordo, fico na cama, me espreguiço, ligo o celular e leio as mensagens. Vejo até um pouco de televisão e notícias. Como não levanto faminta, me dou esse tempo. Gosto muito de comer ovos, biscoito crocante, pão e um café preto que faço.

15h

Vou para meu escritório, em casa mesmo, fico no computador onde vejo as notícias, leio os jornais. Depois, vou para o YouTube assistir alguma coisa, ver se encontro alguma novidade. Essa galera que está no disco “Nenhuma Dor” foi Marcus Preto (produtor musical) quem me apresentou – celebra os 55 anos de estrada com participações de Criolo, Rodrigo Amarante, Rubel, Seu Jorge e Zeca Veloso.

Já tinha gravado músicas do Tim Bernardes, o Silva tinha tocado comigo em um show em homenagem ao Lupicínio Rodrigues. A gente gravou tudo em casa, cada um no seu quadrado, as bases foram feitas pelos convidados, que cantaram todos no meu tom. Foram bravíssimos.

17h

Capa do álbum “Nenhuma Dor” – Foto: Divulgação

O almoço perfeito é com pessoas que a gente ama e gosta, rindo, alegre e feliz. Não que esteja me proibindo, mas o momento nos traz uma tristeza. Para mim, comida gostosa é a que faz a gente se sentir bem. Que tem sabor, paladar, tempero bom. Gosto de massa, mas não tenho um prato preferido. Como de tudo, não sou fresca. Quando cozinho, é só com a receita do lado. Não sei criar nem inventar nada disso.

19h

Não tenho saído, nem ido a lugar nenhum, nem mercado. Antes, fazia as coisas normalmente, como sair para encontrar os amigos, passear com os cachorros na rua e ir ao cabeleireiro. Hoje, não dá. Sigo à risca as orientações dos médicos. Encaro com muita seriedade. A gente tem que acreditar, a ciência salva.

21h

Na TV, vejo muita gente que descobriu habilidades, está plantando horta, criando cavalo, mas eu não aprendi nada. Descobri que gosto mais é de cantar. Nesse tempo, entendi coisas minhas, da minha personalidade. Mas não afazeres, como cozinhar, arrumar a casa ou lavar a roupa. Nada disso (risos). Eu e meu filho Gabriel passamos o dia inteiro juntos. Além das notícias, gosto de filmes porque você esquece um pouco toda essa loucura. Quando tem um bom, assisto. Seja ele policial, romance, o que for. Não gosto de “Big Brother Brasil”, desculpe, não acompanho.

23h

Faço duas refeições por dia: quando acordo, que já é tarde, e no jantar. Peço comida japonesa ou delivery do restaurante Mestiço. E, às vezes, antes de dormir, tomo um leite ou como uma coisinha. A música está presente na minha vida, é a coisa mais importante. Claro que existem outras coisas importantes. Mas música, sempre ouço. Tenho ouvido mais pela internet. Já escutei coisas que gravei no passado, mas não todo dia. Gosto de fazer isso para ter uma avaliação com esse distanciamento do tempo.

1h

Gal Costa com o artista Rubel – Foto: Divulgação

Tenho muita fé. Rezo, peço por todos, meus amigos, quem está perto de mim, pela humanidade. A minha reza não é só Ave Maria ou Pai Nosso. Converso, falo com Deus… Me conecto dessa maneira, que acho muito importante. Nunca tive preocupação com skincare, como usar vitamina D porque não envelhece ou C porque é bom para fortalecer a pele. Antes de deitar, tomo outro banho. Não tem nada de especial nessa rotina, só uso creme no rosto para dormir. O dia que não uso, sinto a pele seca. Me dá muita agonia, então tenho que usar. Vou deitar bem tarde, por volta das

4h

Como durmo sozinha, deito com pouca roupa. Está muito calor, impressionante! Privacidade é sempre bom, ainda mais quando você é famoso, porque você guarda um pouco do que é para si. Trabalhar é bom, meu filho. Faz bem para o espírito e para a alma, levar música para as pessoas, um certo alívio e sonhos. Meu papel é esse… Tenho projetos, quero fazer shows e mais discos. Enquanto tiver desejo de continuar trabalhando, é importante para mim e me dá vitalidade. Posso estar com 90 anos, que vou seguir até quando houver a chama no meu peito.