Foto: Leandro Franco, com styling Ariel Bretas

Logo que Ronaldo Fraga estreou no extinto Phytoervas Fashion, o texto de um jornalista comparava seus desfiles a enredos de escola de samba. “Era uma abordagem pejorativa, mas encarei como elogio”, conta o estilista, que é de uma geração em que as famílias se reuniam em frente à televisão para assistir aos desfiles durante o carnaval.

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Acostumado a levar para o São Paulo Fashion Week coleções com storytelling, o estilista está mais envolvido do que nunca com a festa mais popular do País. Ele assina o visual da Velha Guarda da paulistana Rosas de Ouro, e seu universo virou combustível para a agremiação Canto da Alvorada, de Belo Horizonte. “Fiquei muito feliz com esses convites, porque adoro a data”, diz o estilista, que costuma curtir a folia no Recife.

Foto: Leandro Franco, com styling Ariel Bretas

Ronaldo será destaque de ala no encerramento do desfile da Canto da Alvorada, intitulado “Memórias de um Estilista Coração de Galinha”, que acontece em Belo Horizonte no dia 25 de fevereiro de 2020. “Ele é um mineiro que jamais esqueceu suas raízes. Para nós, é mais do que um enredo”, elogia Maria Elisa Moraes, diretora de carnaval da escola.

Como homenageado, Fraga diz que palpitou em tudo. Para as baianas, aliás, sugeriu um visual inspirado na coleção “Eu Amo Coração de Galinha”, do inverno 1996. “Me lembrei de uma capa da revista Manchete dessa mesma ala, com uma foto tirada do alto. Juntas, as fantasias lembravam as aves”, conta, bem-humorado.

Foto: Leandro Franco, com styling Ariel Bretas

Com o tema “Tempos Modernos”, a Rosas de Ouro vai fechar a noite de desfiles em São Paulo, dia 22 deste mês, mostrando os contrastes entre analógico e digital. Fraga assina os cerca de 30 looks da Velha Guarda, a partir de um jacquard desenvolvido especialmente para a ocasião pela tecelagem RenauxView. “Quis fugir da uniformização, fazendo roupas específicas para cada um dos participantes”, explica.

A proposta, diz, foi respeitar as diferentes anatomias dos corpos. “Também queria deixar as mulheres mais femininas”, diz o estilista. “Essa ala fala da primeira Revolução Industrial e vai retratar o momento em que a tecelagem deixou de ser artesanal”, acrescenta o carnavalesco André Machado.

Foto: Leandro Franco, com styling Ariel Bretas

Esta não é a primeira vez que escolas de samba cruzam o caminho de Ronaldo Fraga. Em 2010, foi um dos destaques no primeiro desfile da Porto da Pedra no Grupo Especial, no Rio de Janeiro, cujo enredo, “Com que Roupa… Eu Vou?”, recriava a história da indumentária. Depois, foi a vez do estilista levar a Velha Guarda da carioca Vila Isabel para encerrar o desfile do verão 2012 no SPFW, inspirado na obra de Noel Rosa. Para Fraga, moda e Carnaval têm muito em comum – daí o fato de ter encarado a tal crítica como elogio. “Muda o cenário e a função, mas o poder do vestir está ali.”

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