Erjona Ala, modelo da Heartbreak Management. Beleza de Irina Jensen

2021 já chegou e você certamente começou a desenhar, ainda que mentalmente, a listinha de mudanças planejadas para o Ano-Novo: emagrecer, cortar a carne, virar vegana, beber dois litros de água por dia, tirar o açúcar e o refrigerante da dieta, entrar na academia, parar de fumar, beber menos, não falar mal dos outros… o rol é extenso.

Mudar velhos hábitos é uma das coisas mais difíceis de conseguir. Não por menos, virou uma expressão extremamente comum da língua inglesa: old habits die hard. Difícil matá-los dentro de nós. São decisões individuais que dependem única e exclusivamente de força de vontade.

Uma teoria, no entanto, vem ganhando espaço nesse terreno: segundo a regra dos 21 dias, esse é o tempo que um ser humano precisa para mudar um hábito. É o mínimo, mas não necessariamente o suficiente, afinal, cada um tem seu ritmo. Mas os especialistas são categóricos ao afirmar que, passada essa fase, mais fácil dizer não ao bombom, a só mais um cigarrinho, à preguiça de malhar.

Mas de onde vem essa teoria? Ela não é nova. Na década de 1950, o cirurgião plástico Maxwell Maltz percebeu um padrão de comportamento muito comum entre seus pacientes. O especialista notou que os operados levavam 21 dias para se acostumar com as reconstruções faciais e com as amputações. Antes disso, se comportavam como se tivessem um órgão fantasma. Mas, passadas três semanas, entendiam e aceitavam a nova condição.

A teoria foi resgatada recentemente, muito em razão das mudanças que as pessoas estão propondo em suas vidas. E não é só o momento reflexivo da pandemia que nos leva a novos olhares. A onda verde que invadiu o mundo recentemente fez muitos reverem seus costumes, inclusive os de consumo, como a adoção de cosméticos naturais no lugar da química, alimentos orgânicos em vez dos industrializados, itens veganos no lugar da carne. Tudo isso precisa de tempo para virar um novo hábito. Quanto? 21 dias.

Erjona Ala, modelo da Heartbreak Management. Beleza de Irina Jensen

Os programas de emagrecimento e detox mais modernos, caso do “Corpo e Mente iCare do Hotel Toriba“, em Campos do Jordão, já focam diretamente na mudança de hábitos com prazo para acontecer. O processo dos médicos nutrólogos Luiz Fernando Sella e Daniela Kanno, do Instituto Assaly de Medicina Personalizada, pioneiros em medicina do estilo de vida no País e certificados pelo International Board of Lifestyle Medicine, promove um detox profundo do corpo e da mente com mudanças não apenas no cardápio, mas na forma de encarar os alimentos e de reconhecer o impacto deles no organismo. “Se você conseguir manter-se nessa dieta natural e equilibrada por 21 dias, difícil querer voltar atrás”, atesta Daniela Kano.

Somos criaturas de hábitos. As pesquisas dessa área mostram que entre um terço e metade do nosso comportamento é ligado a movimentos repetitivos. Isso ajuda a explicar por que mais de 80% das pessoas que fazem resoluções de Ano-Novo já desistiram de suas metas até fevereiro.

Uma das razões está no circuito neurológico de recompensa e prazer no cérebro, que passa a entender que precisa de certos modus operandis recorrentes para sobreviver. Por mais que você queira cortar o açúcar, a lembrança e o desejo dele surgem mesmo contra a vontade.

Determinados contextos trazem pensamentos de recompensas, como a tragada de um cigarro em um momento de nervosismo. O prazo de três semanas, nesse caso, seria o mínimo para desprogramar no cérebro parte desse circuito “viciado” em determinada mania.

Tudo isso para justificar o quanto é difícil abandonar um velho hábito – bem mais do que nos fazem acreditar os manuais de autoajuda. Mas não é impossível. A psicóloga Daniela Faertes, do Rio de Janeiro, recomenda alguns passos para não recair, pelo menos não antes dos 21 dias. “É essencial priorizar metas”, diz a terapeuta. “Um dos principais erros é ser muito ambicioso nas resoluções do Ano-Novo e não administrar cada degrau desse processo”, ensina.

Daniela recomenda, para esse período de incertezas, flexibilidade: “é preciso ter um plano A e um plano B diante das possibilidades de 2021.” Ela indica ainda estipular prazos para cada uma das metas e se auto premiar por cada etapa conquistada nesse processo. São só 21 dias. Três semanas e você terá superado a fase mais difícil da mudança – para melhor, sempre.