Alexander Wang reinterpreta a bolsa mais clássica da Bvlgari

"Serpenti Forever" ganha seis modelos em edição limitada

by redação bazaar
Foto: Getty Images

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Por Carolina Camargo

Uma das bolsas icônicas do designer californiano Alexander Wang é uma versão luxuosa de uma sacola de compras de plástico, impressa com a expressão “Thank You” (Obrigado) repetidas vezes, e extremamente popular nos mercados nos Estados Unidos. No entanto, a peça criada pelo estilista é cravejada de cristais e circula nas mãos de nomes como Kylie Jenner.

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O acessório é um bom exemplo de como funciona a mente criativa de Wang, que agora reinterpreta a bolsa “Serpenti Forever”, de 2012, dentro do projeto “Serpenti Through the Eyes Of”, da joalheria italiana Bvlgari. São seis modelos em edição limitada. “Sinto que a Bvlgari tem sido uma marca bastante singular e inovadora. Não apenas pelas joias, mas pelos hotéis, fragrâncias e artigos de couro”, conta Wang à Bazaar, acrescentando que não consegue pensar em nenhuma outra grife semelhante. “Realmente admiro e sou fã. Quando surgiu o convite para reinterpretar a Serpenti, fiquei empolgado. A Bvlgari tem uma história muito rica, mas tentei descontextualizar o luxo, pensar de maneira diferente”, diz.

Isso porque, na visão do norte-americano, luxo é algo subjetivo. “Tentei olhar por uma perspectiva que não tivesse sido considerada antes”, afirma. Fiel ao DNA high-low, o estilista se voltou novamente para as embalagens. Desta vez, escolheu a sacola de compras de papel, o saco de tecido protetor de produtos delicados e a caixa de relógio.

Ele conta que a inspiração começou a ganhar forma quando visitou os arquivos da marca, em Roma, no verão de 2018. “Passei a pensar na cerimônia da compra, na ideia de empacotar e tudo que é considerado na hora de adquirir um produto de luxo, e trouxe tudo isso para o processo de design. Eu queria parecer familiar, mas diferente. Queria criar uma reação visceral. Você olha e entende que é um produto de luxo, mas que tem algo que não é tradicional”, explica.

Recriada, a cabeça da serpente, de 1950, adorna as bolsas - Foto: Divugação

Recriada, a cabeça da serpente, de 1950, adorna as bolsas – Foto: Divugação

O projeto exigiu quase um ano de trabalho até o lançamento. Nesse período, além do processo de criação e produção das bolsas, fez questão de estudar as demandas da grife, que deseja conquistar um novo público com a parceria. “Adoro um desafio! A ideia era pegar a essência da Bvlgari e traduzir para quem nunca comprou um produto da marca”, contextualiza.

Wang, que já fez colaborações com a esportiva alemã Adidas e a gigante fast fashion sueca H&M, explica que cada collab é diferente. “Primeiro, tento entender a marca e qual o objetivo, especialmente nos dias de hoje, em que você tem tantas parcerias e poluição de produtos. É preciso ter razão e propósito.” Ele fala que sempre tenta criar algo realmente novo e diferente. “Tento ir além, empurrando os limites. É importante ter a mente aberta, confiar no processo e correr riscos. É assim que acabam surgindo as melhores ideias”, acredita.

Com acesso a tudo o que foi criado pela grife desde 1884 e visitas aos ateliês em Florença, Alexander teve a chance de recriar o design da serpente que adorna os itens da coleção. “Notei a cabeça de serpente da década de 1950, originalmente feita para um bracelete. A Bvlgari graciosamente me deu autorização para redesenhá-la, algo que foi muito importante para mim. A peça me pareceu atemporal”, acredita.

Além das clássicas estampas de píton e lagarto, e de cores básicas como preto e marfim, ele apostou no verde-menta, que tem papel importante na paleta de cores. “Uma das minhas primeiras memórias da Bvlgari, de quando eu era jovem, é a da fragrância de chá verde (Au thé Vert – Green Tea). Amo o cheiro, a embalagem e a cor. Foi a primeira vez que fui exposto à marca”, relembra.

Assim como as criações de sua label própria, Wang quis trazer funcionalidade e versatilidade para a coleção, adicionando compartimentos e bolsos, como nos modelos “Duette” e “Triplette”, além de novas formas de usar as peças, caso da hero Belt Bag, que pode virar pochete ou clutch. “Onde antes existiam linhas, eu coloquei cabeças de serpentes que abrem novos compartimentos, criando propósito e função”, explica.

Recriada, a cabeça da serpente, de 1950, adorna as bolsas - Foto: Divugação

Recriada, a cabeça da serpente, de 1950, adorna as bolsas – Foto: Divugação

Não à toa, uma de suas peças favoritas é a Minaudière, clutch criada a partir da caixa de um relógio da marca, que vem com um bracelete de serpente que pode ser removido. “Estudei o consumidor da Bvlgari e o público que eles querem alcançar. Sempre penso na eficiência. Especialmente se você levar em consideração a minha cliente e em como eu gostaria de apresentá-la à marca. Tenho a ideia de uma mulher ‘on the go’, que é versátil e quer usar um acessório de diversas maneiras”, conta.

Reconhecido por sua notória dedicação aos acessórios, o estilista diz que não saberia fazer diferente. “Trabalhei por muitos anos com uma diretora de design de acessórios, que já havia passado por diversas grifes, e ela sempre me dizia: ‘Em geral, as grandes marcas pensam nos acessórios como um componente comercial, mas com você é diferente’. De fato, para mim, faz parte do look como um todo”, diz ele, que afirma nunca ter imaginado desenhar roupas sem bolsas ou sapatos. “Se você sai de casa com uma bolsa grande ou apenas com uma carteira, isso diz muito sobre quem você é e qual o seu lifestyle”, acredita. Com a collab com a Bvlgari, ele acrescenta mais um capítulo ao seu portfólio de pequenos grandes detalhes.

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