Colombina - Foto: Divulgação
Colombina – Foto: Divulgação

Colaborou Eduardo Viveiros

Há três anos, o designer Eduardo Caires fez uma máscara com meia arrastão e bordados de strass para compor sua fantasia de Carnaval. O acessório fez sucesso e ele acabou criando, para a marca que leva seu nome, um nicho que tem conquistado um séquito de foliãs famosas, da apresentadora Sabrina Sato à modelo Izabel Goulart.

Ser folião e transformar o prazer em business é história que se repete em várias marcas com formato de ateliê. Daí, também, que o posicionamento político e o resgate cultural batem forte nas coleções, impulsionados pela visão de mundo dos criadores e pelas influências regionais. Bazaar saiu em campo e mostra o que oito marcas propõem para você cair na folia. Afinal, com o boom dos bloquinhos e um carnaval de 50 dias, como o do Rio de Janeiro, não dá para aliviar na montação:

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Máximo efeito

Paeteh - Foto: Divulgação
Paeteh – Foto: Divulgação

O Carnaval de rua paulistano é um fenômeno recente, mas já tem seus clássicos. A pop up store da Paeteh é um deles. Funcionando ao lado do Copan, no centro da cidade, a loja temporária costuma marcar o início do verão e abrir os trabalhos para quem já está se preparando para a festa em fevereiro, com um mix de marcas convidadas e sua coleção própria, sempre agarrada no brilho. Tocada pelo estilista Estéfano Hornhardt, enfrenta sua quarta temporada de folia com clientela conquistada, especialmente, entre o público LGBTQIA+. Desta vez, trouxe estampa de folhagem inspirada no clássico vestido da Versace para a cantora Jennifer Lopez, além de seus ícones em novas versões, como leggings, hotpants e quimonos ultraextravagantes cobertos de paetês gigantes. Afinal, não há motivo para discrição na Praça da República.

Carlos Penna

Carlos Penna - Foto: Divulgação
Carlos Penna – Foto: Divulgação

Prestes a completar cinco anos de marca, o mineiro Carlos Penna fez seu nome com acessórios que pouco têm a ver com Carnaval. Sua pegada é minimalista, com muito trabalho em metal mesclado a uma extensa pesquisa de materiais e cores neutras. Esta época do ano se tornou, então, uma desculpa para ir além. “É quase um momento de escape”, define ele, que percebeu que, em fevereiro, havia um aumento da demanda por peças menos cotidianas – especialmente aquelas criadas para marcas como Apartamento 03 e Tom Martins. Sem fugir da sua pegada, Penna coloca em órbita materiais como pluma de avestruz, paetês gigantes, franjas de algodão, strass e glitter. Os materiais continuam requintados e as peças, delicadas. Tanto que o mood é para um carnaval mais chique de salão – ou para aquele bar pós-folia.

Podre de chic

Podre de Chic - Foto: Divulgação
Podre de Chic – Foto: Divulgação

A Podre de Chic é uma brincadeira que tem dado certo quase sem querer, em São Paulo. A marca nasceu da união de Iwana Raydan e Viviane Tiezzi, duas figuras que se definem como “muito empolgadas” com o Carnaval. “Sempre fizemos nossos próprios adereços. E as pessoas queriam comprar, arrancar das nossas cabeças”, conta Iwana. Para 2020, as duas chegam com maxitiaras, adereços de samambaias, brincos com glitter e viseiras exuberantes. Chiques, mas bem debochadas.

Me veste Merisse

Me Veste Merisse - Foto: Divulgação
Me Veste Merisse – Foto: Divulgação

“O sertão é sinônimo de resistência. Enfrenta tudo e todos e está ali acreditando, mesmo quando tudo está seco.” É assim que Iana Merisse define o clima 2020 da Me Veste Merisse, marca especializada em Carnaval. Paraibana radicada em Recife, Iana é produtora de figurino e trabalha com roupas para a festa de rua há cinco anos, três deles na marca própria. Como boa nordestina, a grife bate forte na festa como resistência política. “Este carnaval vem mais intenso, por causa do momento que estamos passando”, conta, incluindo no mix de referências o filme “Bacurau”. Daí que suas guerrilheiras vestem bodies afrontosos, com decorações e ombreiras, e se adornam com headpieces da Viva!, marca parceira de acessórios. Também há uma vontade de fugir do descartável. “Estamos em um momento de refletir o consumo. A coisa que mais gosto é chegar no bloco e ver meninas com roupas de coleções passadas.”

Osada

Osada - Foto: Divulgação
Osada – Foto: Divulgação

Não é fácil rolar topless. Por isso, uma dica é testar um nipple tassels ou tapa-tetas, como define Roberta Rodrigues, faz-tudo da marca carioca Osada. Roberta não é da moda: sua profissão oficial é professora particular de inglês. O projeto veio para complementar os rendimentos nos meses de férias, quando os alunos rareiam. E tem sua origem lá em 2004, quando criou tassels para os amigos curtirem o festival “Burning Man”, em Nevada, nos Estados Unidos. Nos últimos cinco anos, recuperou o acessório, que já foi das dançarinas de cabaré, e vende para as corajosas que enfrentam, de peito aberto, o machismo e ainda a censura do Instagram, que costuma apagar imagens de mamilos femininos. Mas sem abrir mão da diversão. “Funciona como brinquedo, dá um frisson, um movimento”, define. São 17 linhas, das redondinhas às lúdicas, em formato de cereja, diamante e afins. Roberta sabe que sair com suas criações pode não ser uma experiência fácil, mas diz que a liberdade vale a pena.

Eduardo Caires

Eduardo Caires - Foto: Divulgação
Eduardo Caires – Foto: Divulgação

Desde que o designer Eduardo Caires criou o ateliê que leva seu nome, há pouco mais de um ano, em São Paulo, seu universo criativo transita entre o preto e o branco, traduzindo, em itens exuberantes feitos de strass, as referências que absorveu do movimento punk e dos anos 1980, principalmente do universo de Yves Saint Laurent. Para este carnaval, ele se permitiu ir além e, pela primeira vez, brinca com as cores. E já que é para ousar, que venham metalizados com pegada disco e glam: azul, dourado e pink, dando irreverência a peças que já se tornaram assinatura do trabalho de Caires, como as pochetes de couro com franjas, body chains, saias, tops, brincos, colares e head pieces. “Não penso em fantasia, mas em como o acessório pode transformar o visual”, diz ele.

Santa Maria

Santa Maria - Foto: Divulgação
Santa Maria – Foto: Divulgação

Será que, um dia, a paz vencerá a guerra? É com esse mote que Stephanie Sartori conduz a coleção deste ano da Santa Maria, marca que somente existe em épocas do carnaval carioca, do Burning Man norte-americano e do Halloween. Vivendo entre Los Angeles e Rio de Janeiro, Stephanie é escritora e artista visual no restante do ano, mas conta que planeja dedicar-se cada vez mais à marca criada em 2015, depois de fazer várias peças para si mesma. Batizada de “Sonho de uma Noite de Carnaval”, a coleção deste ano traz dez peças femininas e cinco masculinas, inspiradas em personagens clássicos, como pierrô e arlequim. “Que ficam à margem da sociedade”, diz. “Me preocupo com a mensagem, mais do que com a roupa”, afirma ela, que acredita no ato de vestir como um ritual.

Colombina

Colombina - Foto: Divulgação
Colombina – Foto: Divulgação

Direto de Recife, a Colombina é prova máxima de que moda de carnaval não é coisa só de gente jovem. Quem conta é Lucia Nunes, que abriu a marca em 2013, ao lado da sócia Carmela Bezerra, depois de, recém-aposentada, fazer uma graduação em Design de Moda. As vestimentas de festa sempre existiram. Com o tempo, passaram a ser emprestadas para os filhos – entre eles o apresentador Caio Braz – e para os amigos dos filhos, até se tornar profissão. Os looks releem personagens que pipocam pelo carnaval de Recife e Olinda. A homenagem, desta vez, vai para os Clóvis, figuras mascaradas que rondam os blocos de castanholas nas mãos.

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