A dança entre isolamento social e reabertura de espaços públicos fez com que eventos precisassem repensar seus modelos diversas vezes, incluindo a 47ª edição da Casa de Criadores, que ganha versão reformulada que começou na segunda-feira (23.11) e vai até o dia 27.

“Essa edição é um exercício para entendermos como será daqui para a frente. Mesmo quando os eventos presenciais voltarem, teremos que manter o digital muito intenso. Já se exigia o questionamento dessa migração, mas a pandemia acelerou este processo”, analisa André Hidalgo, idealizador do evento.

Assista as apresentações no vídeo acima, e veja um resumo de tudo o que aconteceu no primeiro dia, apresentado por Aretha Sadick:

Dendezeiro

A Dendezeiro fez uma belíssima estreia com uma coleção descomplicada e genderless, em total sintonia com o momento em que vivemos. A dupla de estilistas Hisan Silva e Pedro Batalha apresentou uma série de macacões em tons terrosos que são puro desejo, com fechamento de zíper ou amarrações, com foco no oversized.

Jaquetas mesclam o estilo bomber com a alfaiataria, e os vestidos vestem qualquer pessoa de forma atemporal. Entre os acessórios, bolsas que podem ser usada cruzada no peito ou como pochetes, e os tênis fechados com velcro. Puro conforto!

Trash

Foto: Reprodução/Instagram/@trashrealoficial

A Trash é um projeto de moda upcycling com o propósito de criar roupas novas feitas a partir do reaproveitamento de matéria prima descartada e reutilizável. A marca seleciona e recupera sobras de rolos de tecidos, retalhos e peças de roupa garimpadas. Parte desse material vem de bancos de tecidos, que são comprados por preço mais baixo que o de mercado.

O resultado deste trabalho é uma roupa bastante autoral, com destaque para o patchwork de diferentes materiais, um trabalho artesanal com fios e saídas de praias únicas.

Estamparia Social

Foto: Reprodução/Instagram/@casadecriadores

O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, com mais de 760 mil pessoas. Em sua grande maioria, ao serem inseridos na sociedade após cumprirem a pena, não só não tem apoio de instituições para conseguirem se ressocializar, assim como um a cada quatro condenados reincide no crime, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

É com o objetivo de capacitar egressos que surge a Estamparia Social, que vai muito além de mostrar uma coleção, se focando nesta temporada em um manifesto sobre o sistema carcerário.

Priscilla Silva

Priscilla Silva é adepta do slow fashion e faz roupas sob medida, prezando pelo trabalho manual que salta aos olhos com seus preciosos crochês. Em um vídeo apresentado por um palhaço, o misto é de alegria e tristeza, um turbilhão de emoções que o mundo vive hoje.

Destaque para a alfaiataria do conjunto vermelho que abre a apresentação, assim como a camisa oversized que é usada com um colete de crochê de gola alta. Todas as peças ganham amarrações estratégicas. Peças feitas para impressionar.

X | Brand

“Ora Ye Ye Ô – As Filhas de Oxum” é o nome da coleção da X | Brand, apresentada em um vídeo carregado de axé e resgate da ancestralidade. A estampa de búzios permeia a linha que tem sete looks com uma paleta de cores pequena: apenas branco, dourado e amarelo.

A concha é o fio condutor da história, que ganha um forte aliado: as linhas douradas que decoram vestidos, chapéus e saias com um acabamento elegante. Destaque para a calça com fendas laterais que já nasce com cara de hit. O casting foi formado 100% com modelos negras do projeto PIM – Periferia Inventando Moda.

Rhythim Clothing

Criada por Mônica Barboza, a Rythim Clothing faz moda street carregada de referências ciganas. Também integrante do projeto PIM – Periferia Inventando Moda – a marca apresentou ótimas jaquetas oversized com recortes brilhantes e franjas, um vestido com detalhes rendados e franja em jeans, além de blazer com drogonas e lapelas de cetim.

Destaque para o tecido brocado que dá um ar vintage para a coleção, assim como o minusioso trabalho com retalhos.

Fernando Cozendey

Saudade da boate? Então você vai gostar da apresentação divertida montada pelo mestre dos costumes Fernando Cozendey. Ano que vem não deve ter Carnaval, mas a gente certamente vai se montar em casa.