Pingente "Persiana" em prata e cristal (R$ 1.160) - Foto: Divulgação
Pingente “Persiana” em prata e cristal (R$ 1.160) – Foto: Divulgação

A joalheira Flavia Madeira passou três anos procurando o apartamento de seus sonhos até encontrá-lo em um edifício histórico de São Paulo. Para deixar o espaço ainda mais perto do coração, não pensou duas vezes antes de encarar uma obra. Foi a deixa para aprofundar as pesquisas em um universo que adora: o de ferragens e afins.

O bônus, além do apê no jeitinho que queria, é a série “Janelas”, que abre um mundo de possibilidades para quem usa. “Janela tem um quê de portal, de manifestação”, compara a designer. Articulados, os brincos e pingentes batizados de “Persiana” podem ser usados abertos, parcialmente fechados ou totalmente fechados, ótimo recurso para deixar pistas do seu humor.

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Brincos Persiana: em prata, cristal, dolomita branca e espinélio negro e em prata, cristal, jade verde e espinélio (R$ 2.100) - Foto: Divulgação
Brincos Persiana: em prata, cristal, dolomita branca e espinélio negro e em prata, cristal, jade verde e espinélio (R$ 2.100) – Foto: Divulgação

Flavia conta que começou a coleção no final de 2017 e que investiu seis meses de trabalho apenas no recurso que permite o movimento das lâminas, sobrepostas a uma janelinha retangular com vidros de cristal. O segundo modelo, a “Jardineira”, tem charme retrô e permite inserir outros elementos, de pingentes a flores e folhas.

Essa possibilidade de acrescentar objetos já virou marca registrada da joalheira. “Gosto de pensar que são joias vivas”, diz ela, que busca manter-se como um canal criativo, incentivando o outro a sair da caixa e experimentar novas possibilidades. “Quero sempre ir para o lado oposto. Fico chocada com a bolha que é esse mercado”, conta, acrescentando que se permitiu seguir a joalheria quando entendeu ser possível seguir na contramão.

Brincos "Jardineira" em prata, cristal e granada e em prata, cristal, lápis-lazúli e espinélio negro (R$ 1.700) - Foto: Divulgação
Brincos “Jardineira” em prata, cristal e granada e em prata, cristal, lápis-lazúli e espinélio negro (R$ 1.700) – Foto: Divulgação

“Estava na Grécia e vi, em uma loja, joias feitas de tecido. Depois, aprendi que cocares são preciosidades entre os índios durante uma aula.” A essas descobertas, Flavia agregou lembranças da infância e adolescência ao lado da irmã, Luiza, que, na sua opinião, sempre foi meio engenheira. “Morávamos na Granja Viana (na Grande São Paulo) e sempre havia martelo ou serra por perto. Fizemos aulas de marcenaria, e ela chegou a ganhar um prêmio com um triciclo e foi a primeira a se interessar por ourivesaria”.

Foi assim o primeiro contato de Flavia com o caminho que segue atualmente. Disposta a experimentar, trocou o curso de Relações Públicas por joalheria e não parou mais. Sua primeira peça foi um pingente feito com uma moeda comemorativa descartada, com a imagem em relevo de Pedro Álvares Cabral, que ela dividiu em quatro partes dentro de uma moldura. “Quando percebi a liberdade que a ourivesaria poderia dar, me encantei pela profissão. Isso, literalmente, me tirou da depressão”, recorda, acrescentando que o apoio da irmã foi imprescindível. “Ela entendeu e deu força para eu seguir em frente.”

Brincos "Jardineira" em prata, cristal e granada e em prata, cristal, lápis-lazúli e espinélio negro (R$ 1.700) - Foto: Divulgação
Brincos “Jardineira” em prata, cristal e granada e em prata, cristal, lápis-lazúli e espinélio negro (R$ 1.700) – Foto: Divulgação

Até a carreira impulsionar, Flavia passou pela equipe de estilo do grupo Arezzo, na mesma época em que os designers Caroline Baum, Marcelo Von Trapp, Lane Marinho e Pedro Silva estavam por lá. “Nos conectamos criativamente, foi uma fase ótima.” Com Pedro, também dividiu o ateliê.

Da moeda comemorativa, Flavia passou a reinterpretar objetos do cotidiano. Parafusos, canos de cobre, engrenagens, porcas, antenas, cabides, rodas de bicicleta e escadas de incêndio já emprestaram formatos para as peças feitas em prata ou ouro. Engana-se, entretanto, quem pensa que são apenas apropriações. Ao transformá-los em joias, entram em cena poesia e senso crítico, expressado em fina ironia, para ser interpretado de acordo com a bagagem de cada um.

É o que aproxima suas joias de um contexto artístico. Com a mesma pegada são os móveis e objetos de decoração que vem desenvolvendo paralelamente. Começou com os móveis do ateliê, misturando granito bruto e madeira; depois, vasos de pedra e latão; e, agora, quer fazer fontes com pedra-talco, enquanto já planeja o desdobramento de joias para a série Janelas. Na mira de Flavia estão portas, gavetas e dobradiças. Afinal, apartamento novo é sempre inspirador.

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