Foto: Divulgação
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Vestidos de festa costumam ser um capítulo à parte no closet de qualquer mulher. Não raro exibem ricos bordados, transparências, rendas e outros detalhes que acabam restringindo seu uso.

Foi seguindo esse pensamento que a estilista Maria Ribeiro da Luz propôs um novo caminho estético para a Trinitá. Trazendo na bagagem o olhar afiado de 10 anos em Paris, onde integrou as equipes de estilo da alta-costura da Martin Margiela e prêt-à-porter da Rue du Mail, ao lado da diretora artística Martine Sitbon, ela enfatizou modelagem reta, reduziu o volume de tecido e a quantidade de adereços.

O resultado é uma imagem purista e feminina, sofisticada e elementar. “Faço alfaiataria para festa. Não é um exercício fácil, mas está sendo muito bacana”, diz Maria, na sala de provas do showroom, que funciona numa charmosa casa com muito verde, em São Paulo.

Foram três anos e cinco coleções de transição e experimentações até o lançamento da série de vestidos do momento. Mesmo o segmento noivas foi renovado. “Fui garimpando tecidos e ajustando o caimento.”

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Trabalhando crepes de seda com pesos diferentes, quase sempre nacionais, e rendas francesas, Maria deu forma a peças perfeitas para as festividades de final de ano, que podem transitar tranquilamente entre formatura, Natal e réveillon ou casamento.

“A ideia é mudar acessórios, por exemplo, para ampliar o uso da peça”, complementa Renata Raimo, criadora da marca. Não era exatamente o target dez anos atrás, quando o projeto nasceu, mas o novo trajeto vem atraindo uma legião de mulheres cool.

Segundo Renata, desde que as mudanças começaram, a Trinitá cresceu 60%. “A ideia é ampliar. Até abril, lançaremos a segunda etiqueta, com foco no dia a dia, mas que permita esticar para um programinha à noite”, sinaliza.

Formada pela Faculdade de Moda Santa Marcelina, Maria integrou o time criativo do estilista Reinaldo Lourenço. “Foi ótimo. Ele me ensinou tudo”, recorda. Assim como o mestre, foi se especializar com a icônica Marie Ruckie, na Esmod, em Paris. “No final do curso, ela me indicou para a equipe de Martine Sitbon” – a francesa estudou na mesma escola, nos anos 1970.

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Já na Maison Margiela, foi contemporânea de Demna Gvasalia. Ele estava no prêt-à-porter e ela, na artisanal line. O belga Martin Margiela já não estava mais à frente da marca, apesar de o conceito de desconstrução e reinvenção ainda comandar os trabalhos das equipes de estilo.

“Foi enriquecedor, porque há, lá fora, um respeito muito grande pela linha de raciocínio, e os criadores não são tão influenciados por tendências”, comenta. “Hoje, tenho um método meu de trabalho, que sempre parte de algo que me inspira. Acho que a força de um estilista está no fato de ter uma assinatura.”

E Maria quase sempre começa por referências pinçadas da arte contemporânea. Para anunciar o reposicionamento da Trinitá, se inspirou em sete artistas donas de personalidades fortes para mergulhar no universo feminino: olhou para as esculturas de Sheila Hicks, Françoise Grossen e Rikako Nagashima; cores, geometrias e texturas vieram dos universos de Tauba Auerbach e Hayley Eichenbaum; enquanto a pegada minimalista e as transparências foram inspiradas no trabalho de Sarah Oppenheimer e os plissados, no de Haegue Yang.

São referências sutis que aparecem em detalhes, como um tressê contornando um decote. Sua outra paixão é surfar, esporte que retomou ao voltar para o Brasil. “É quase uma terapia. Observar uma onda evoluir é como meditar.”

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