Saint Laurent, verão 2019 - Fotos: Divulgação
Saint Laurent, verão 2019 – Fotos: Divulgação

Por Chantal Sordi

Apesar da temporada de verão 2019 não ter trazido tantas mensagens políticas como a anterior, o impacto que o movimento #metoo causou na indústria da moda ainda reverbera nos desfiles internacionais.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Gucci, verão 2019 - Fotos: Divulgação
Gucci, verão 2019 – Fotos: Divulgação

Enquanto algumas marcas caminham pelo escapismo em coleções surreais, que misturam um pensamento lúdico com uma maneira completamente única de vestir, como a Gucci, outras têm abraçado o sex appeal como fio condutor, seja pelo próprio histórico da maison, ou simplesmente para fortalecer a mensagem de que as mulheres têm, sim, o direito de usar o que quiserem e mostrar o corpo como preferirem, sem que as julguem por isso.

Saint Laurent, verão 2019 - Fotos: Divulgação
Saint Laurent, verão 2019 – Fotos: Divulgação

Na Saint Laurent, por exemplo, Anthony Vaccarello não poupou esforços para criar uma imagem feminina ultrassensual e poderosa. Em seu quinto desfile à frente da maison francesa, o designer norte-americano mesclou looks de alfaiataria boyish com produções dignas de rockstars, compostas por microshorts e jaquetas sequinhas de mood western, acompanhadas de maiôs cavados, bem oitentistas.

Saint Laurent, verão 2019 - Fotos: Divulgação
Saint Laurent, verão 2019 – Fotos: Divulgação

A proposta segue uma linha de pensamento similar à de seu fundador, um dos responsáveis pela glamorização da liberdade sexual dos anos 1970, ao lado do icônico fotógrafo alemão Helmut Newton. Por trás das imagens de Saint Laurent e Newton sempre houve uma intenção de enaltecer as mulheres pela maneira sexy e sofisticada de vestir.

Tom Ford, verão 2019 - Fotos: Divulgação
Tom Ford, verão 2019 – Fotos: Divulgação

É possível argumentar que, ao colocar o corpo feminino em evidência, este passa a ser um objeto, mas essa nunca foi a real intenção da dupla, muito menos de designers como Tom Ford, altamente criticado pelas imagens provocativas de mulheres e homens nus que criou nos anos 1990.

Tom Ford, verão 2019 - Fotos: Divulgação
Tom Ford, verão 2019 – Fotos: Divulgação

Em uma entrevista recente ao “The Independent”, Ford revelou que sempre apoiou o feminismo. De acordo com o designer, a nudez feminina é extremamente poderosa, assim como as mulheres que retrata. “Minhas mulheres não estão sentadas esperando por alguém, elas estão assumindo o controle.”

Celine, verão 2019 - Fotos: Divulgação
Celine, verão 2019 – Fotos: Divulgação

Infelizmente, esse conceito de liberdade tem sido mal-interpretado ao longo da história e, muitas vezes, usado como desculpa para justificar o assédio sexual. Hoje, graças à notoriedade de movimentos feministas como o #metoo, estilistas como Vaccarello e Hedi Slimane – que, em sua estreia na Celine (agora sem o acento), também enfatizou uma imagem sexy com minicomprimentos e bastante pele à mostra – lideram um grupo de designers que utilizam o sexo e a sensualidade como elementos de poder e não de objetificação.

Christopher Kane, verão 2019 - Fotos: Divulgação
Christopher Kane, verão 2019 – Fotos: Divulgação

Junte isso a um pensamento global cada vez mais conservador e você terá outros top players do mercado entrando na briga pela liberdade feminina, como Miuccia Prada, Christopher Kane e Victoria Beckham, entre outros.

Prada, verão 2019 - Fotos: Divulgação
Prada, verão 2019 – Fotos: Divulgação

No backstage do desfile da Prada, em Milão, Miuccia revelou à imprensa que sua coleção foi baseada no medo desse cenário ultraconservador que tomou forma nos últimos anos, especialmente após a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos.

Em um clash constante de opostos, a estilista evidencia o conservadorismo por meio de looks comportados, como os conjuntos de bermuda com blusa de gola alta, ao tempo em que o confronta com decotes generosos, uma profusão de minicomprimentos e tecidos transparentes. As prints tie dye e a cartela que mixa tons pastel e néon arremataram as produções com frescor e leveza.

Em Londres, Christopher Kane trabalha o sexo de uma maneira mais subversiva e igualmente provocativa. Enquanto as peças de shape amplo, como casacos e vestidos com maxiombreiras, ganharam recortes e aberturas, as rendas e os tecidos translúcidos dividem a cena com vestidos tomara-que-caia e saias extremamente curtas.

E, para não deixar dúvidas quanto ao tema proposto, estampas com a frase “Sexual Cannibalism” foram impressas em camisetões e vestidos agigantados.

Celine, verão 2019 - Fotos: Divulgação
Celine, verão 2019 – Fotos: Divulgação

Pernas de fora também foram destaque na Celine de Slimane, que novamente impôs sua visão glam deluxe na passarela. No desfile, que contou com 96 looks, entre masculinos e femininos, a sensualidade das garotas foi exacerbada pelos vestidos de perfume oitentista, bem curtos e decotados.

Talvez as fãs da ex-diretora criativa Phoebe Philo não queiram investir nas novas peças quando chegarem às lojas, porém, uma outra turma pode se interessar e muito. Uma vez que as produções masculinas também serão vendidas ao público feminino, o estilista francês oferece um guarda-roupa genderless que está em sintonia perfeita com a geração Z que tantas marcas brigam para conquistar.

Mas, independentemente de quem irá usar ou como, o mais importante é defender esse direito e não há melhor lugar do que a indústria da moda para isso.

Leia mais:
Três looks de Guo Pei que Rihanna usaria no MET
Cinco lições de estilo de Yolanda Hadid
Estilo: Glenn Close possui o melhor “sex appeal” do cinema