Carolina Augusta Neumann – Foto: Katja Stückharth/Divulgação

Carolina Augusta Neumann ainda era criança quando se apaixonou pela esgrima. Hoje, aos 30 anos, acompanha de longe o esporte, que é considerado o mais antigo do Ocidente, mas a tática, a elegância e até o anonimato, forçado pelo traje que cobre inclusive o rosto, a acompanham. “É um esporte moderno em vários aspectos. Por exemplo, nunca se sabe se é homem ou mulher quem está por trás da máscara”, diz ela.

Esse universo inspirou suas primeiras peças, desenvolvidas ainda durante o curso na École de la Chambre Syndicale de la Couture Parisienne. Recentemente, resgatou esses trabalhos como inspiração para a coleção do próximo inverno europeu de sua marca, a Augusta.

Foto: Katja Stückharth/Divulgação

“Foi muito bacana voltar aos arquivos”, conta a designer germano-brasileira. Radicada em Paris, estava por aqui quando veio a pandemia. O período com a família, em Brasília, propiciou o retorno ao passado. Dele, saíram peças que resgatam a essência romântica da esgrima, trabalhadas em materiais como o veludo.

Enquanto não chega o lançamento da nova tiragem limitada e numerada de suas criações couture-à-porter, produzidas em pequenos ateliês franceses e brasileiros, ela continua trabalhando a primeira coleção deste ano – são apenas duas a cada 12 meses – que pode ser vista nas araras da multimarcas Pinga, em São Paulo, e no ateliê, em Paris.

Foto: Katja Stückharth/Divulgação

A Augusta nasceu slow fashion e vegana há quatro anos, mais uma vez inspirada pelo estilo de vida de Carolina. O nome, que veio do seu, está ligado ainda à sua família. Pai e avô trazem “Augusto” no prenome. “E minha avó tinha uma amiga feminista que ela admirava, chamada Augusta. Acabei herdando dos dois lados”.

E também sob influência definitiva da sétima arte. É que a moda entrou no seu radar pelo viés do figurino, em sua primeira graduação em cinema, em Buenos Aires, iniciada aos 18 anos. “Fui para Paris estudar sobre ópera e roupas de época”, explica. Vem daí, certamente, detalhes oriundos de vestimentas de séculos passados em encontros preciosos com silhuetas dos anos 1930 e pegada contemporânea.

Foto: Katja Stückharth/Divulgação

O resultado é cool e atemporal, porque a estilista não é afeita a tendências, e pelo rigor que dedica tanto à técnica quanto à matéria-prima, escolhida a dedo. “Sou perfeccionista, invisto bastante tempo nesse trabalho”, comenta.

E também cria todas as peças do zero, chega a refazer cada uma delas quatro, cinco vezes, até que esteja satisfeita. Ela recorda que, na época da escola de moda, era a única vinda do cinema. Foi nesse ambiente que iniciou os primeiros testes com peças para si mesma e com materiais sustentáveis. “As pessoas gostaram e começaram a pedir”, conta, acrescentando que foi um período bastante experimental pela ausência de oferta de biotecidos e insumos certificados. “Eu queria trazer isso para o luxo”, contextualiza.

Foto: Katja Stückharth/Divulgação

O próximo passo, agora, é obter a certificação B, selo internacional que chancela empresas que unem lucro a benefícios socioambientais, idealizado pela B.Lab, uma ONG norte-americana. Propósito e história caminham juntos na construção da magnífica Augusta.