Bella Hadid – Foto: Arquivo Harper’s Bazaar

“A pele do couro cabeludo é pele, como qualquer outra região do corpo, que precisa ser tratada, com uma higienização adequada e rotina de skincare para a área. Quanto mais saudável estiver a pele do couro cabeludo, mais bonitos e sedosos estarão os fios, reduzindo a tendência de dermatite seborreica r inúmeras doenças que acometem a região”, ressalta o dermatologista Alessandro Alarcão, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, atual conselheiro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), assim como Membro da Academia Americana de Dermatologia.

O especialista desmistifica um tema relacionado aos cuidados com os fios. “A pele do couro cabeludo também deve ser tratada de forma frequente. Sendo assim, é importante lavar o couro cabeludo diariamente: quanto mais lavar o couro cabeludo, menor será a incidência de queda de cabelo (é ao contrário do que dizem ‘as lendas’), embora para as mulheres de cabelos longos isso sempre é mais difícil, então pelo menos três vezes por semana”, sinaliza.

Seguem abaixo algumas dicas do especialista para a saúde desta região:

Oleosidade em excesso

“Se o couro cabeludo está bem tratado, os fios ficam soltos e sedosos. A gordura naturalmente produzida pelo organismo, distribuída ao longo de toda a fibra capilar (deixando os fios macios e brilhantes), não deixa o cabelo pegajoso”, explica o médico. Porém, quando a região não está saudável, a beleza do couro cabeludo sofre consequências, deixando oleosidade excessiva, que consequentemente pode causar inflamação da região”

Couro cabeludo não tratado: principais prejuízos

“O paciente que tem tendência a ter dermatite seborreica ou caspa irá ter uma piora do quadro. Já os pacientes que têm uma predisposição à sensibilidade do couro cabeludo, também pode ter um agravamento da condição”, explica o dermatologista. Segundo o especialista, a dermatite seborreica pode piorar pela presença de fungos na região. Mas alerta: a questão mais evidente é a genética, do aumento do excesso de oleosidade, decorrente da disfunção das glândulas sebáceas. “E o estresse, a ansiedade excessiva e o frio intenso também podem prejudicar a dermatite seborreica”, ressalta.

Tratamentos estéticos dos fios

Outros fatores como química, com alisamento dos fios, por exemplo, ou a descoloração, também agridem o couro cabeludo, causando irritação. “O excesso de produtos como géis, mousses e pomadas capilares, se não higienizar adequadamente os fios e couro cabeludo, irá causar problemas mais sérios na pele do couro cabeludo”, acrescenta.

Produtos para cuidar do couro cabeludo

“Atualmente temos como novidades xampus específicos para couro cabeludo sensível. Quando o paciente apresenta essa condição, muito sensível, os produtos que contêm sulfato acabam irritando a região. Neste caso, o ideal é o uso de produtos adequados, prescritos pelo dermatologista”. Dica do especialista: outra estratégia para tratar os cabelos sensíveis, é evitar os xampus com pH para dermatite seborreica, porque acabam atingindo mais a região, deixando inflamado o couro cabeludo.

Água fria X Água quente na lavagem dos fios

“Quanto mais o cabelo for lavado, com a água em uma temperatura menos quente possível (ideal de morna para fria), menor será a ativação das glândulas sebáceas que aumentam a oleosidade. Lembrar que o secador de cabelo esquenta o couro cabeludo e aumenta oleosidade, o que faz com que a região fique mais suja e sensível”, indica.

Peeling do couro cabeludo, tecnologias e receitinha DIY

Existem produtos para se fazer peelings do couro cabeludo. “Da mesma forma que se faz peeling na face, também pode ser feito na pele do couro cabeludo. Os peelings deixam o couro cabeludo com a pele mais jovem e mais saudável”.

Há ainda receitas caseiras, como o peeling com açúcar e mel: coloca num recipiente três colheres de sopa de mel com duas colheres de chá de açúcar. Faz uma misturinha e aplica no couro cabeludo. Espera cerca de 10 minutos e enxagua. “Desta forma o couro cabeludo ficará mais esfoliado, mais limpo e também, consequentemente, com uma pele mais saudável – só é preciso ter cuidado para não esfoliar demais, tirando a oleosidade do couro cabeludo em excesso, senão irá ocorrer um efeito rebote, com uma piora do quadro”, orienta Alessandro.

Uma alternativa, em termos de tecnologia, são os LEDs, que são luzes que aumentam a circulação no couro cabeludo, aumenta a absorção dos radicais livres e estimula a produção de colágeno. “Afinal, a pele desta região também envelhece. Então, quanto mais jovem estiver o couro cabeludo, consequentemente mais saudável estará a região”, sinaliza.

“Outra possibilidade são os lasers, como o Fraxel, que deixa o couro cabeludo mais rejuvenescido. Há ainda o Lavieen, que transporta as medicações até o couro cabeludo. Atualmente existe um ácido hialurônico chamado HCPR da Toskani, próprio para o couro cabeludo, deixando-o mais hidratado e jovem, consequentemente com menos doenças na região”, indica o médico.

Câncer de pele na região

“Vale lembrar ainda sobre os cânceres de pele no couro cabeludo (carcinoma basocelular, espinocelular e até melanoma). Para vocês terem uma ideia, perdi recentemente uma paciente de 42 anos, jovem, que não prestou atenção em uma pinta que tinha no couro cabeludo e veio a falecer de melanoma, porque o diagnóstico veio a ser feito de forma tardia”, orienta o dermatologista.

“Então é preciso examinar o couro cabeludo com um dermatologista, mantê-lo saudável. E para quem tem pouco cabelo, é indicado o uso de protetor solar e tomar cuidado com as lesões provocadas pelo câncer (queratoses actínicas) em quem tem a região do couro cabeludo mais calva”, finaliza.