LED – Foto: Divulgação/Ana Pazian

Por Rodrigo Yaegashi, Silvana Holzmeister, Marcela Palhão e João Victor Marques

O terceiro dia de São Paulo Fashion Week, que aconteceu nesta sexta-feira (06.11), reuniu alguns estreantes, como MisciRenata Buzzo, e alguns nomes que já passaram por outras edições do evento, como HandredJoão Pimenta.

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Entre os destaques do dia, Lucas Leão encantou com uma apresentação feita com realidade virtual 3D. Outro ponto alto foram as inspirações escolhidas pelos estilistas, que olharam para o Brasil e para suas próprias produções para criar novas coleções. Veja o resumo do dia abaixo:

Lucas Leão

 

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“A ideia é digitalizar todas as peças para eternizar todo o trabalho”. É assim que Lucas Leão fala sobre sua nova coleção, que abriu o terceiro dia de SPFW. Na verdade, não foi bem um desfile: pela primeira vez no evento, uma marca transformou todo o novo trabalho em um vídeo em realidade virtual 3D, totalmente computadorizado, onde é possível ver as peças e os looks de todos os ângulos.

Para que isso acontecesse, a nova coleção batizada de “Aether” – elemento químico existente na camada acima da atmosfera – foi fotografada e, logo em seguida, digitalizada para o universo virtual. Nele, passeamos em um deserto cheio de dunas de areia e oásis que alimentam o ser humano. A coleção de Lucas Leão conversa muito com a proposta trazida pela marca com estampas tecnológicas que fazem relação direta com televisões fora do ar.

Entre as peças, um destaque interessante é um chapéu que cobre dos olhos até a parte de trás da cabeça, presente em muitos looks. Todas as peças estarão à venda a partir de amanhã no site da label, e é possível interagir com cada uma delas a partir de filtros lançados no seu perfil oficial da marca no Instagram. Para quem perdeu, o desfile virtual também será transmitido amanhã às 20h35 no BR Immersive Fashion Week. Mais um passo a diante para o mundo da moda encontrar o universo digital.

LED

Finalmente no line up oficial do SPFW, a LED apresenta nesta temporada 36 looks com temática brasileira, passando pela bandeira do País a peças revisitadas da casa da avó – vide as toalhas de mesa. O foco de Célio Dias, diretor criativo da label, foi mostrar versatilidade para seus clientes.

De fáceis tops e confortáveis bottons, o conjunto sai do óbvio quando expõe uma alfaiataria certeira, correta e desejável, como do look pink. Pelas lentes do querido amigo de Bazaar, Carlos Queirozi, o vídeo apresenta a cover girl da nossa edição de outubro e vencedora do reality Born to Fashion, do canal E! Brasil, Cecília Gama, vestindo o melhor dessa estreia da Led que amamos.

Misci

Estreante no SPFW, a Misci enxergou a mudança de formato do evento como uma oportunidade de apresentar uma proposta que não seria possível dentro dos perímetros de uma passarela. Com uma performance que aborda assuntos espelhados na coleção “Brasil Impúbere”, a marca apostou em cortes retos, cores contrastantes e bordados enquanto ilumina a situação que Atafona, litoral do Rio de Janeiro, está enfrentando.

Na região, que serviu como cenário para a apresentação da coleção, o mar avança cada vez mais em direção a construções costeiras e a prefeitura da cidade calcula que, nos últimos 50 anos, cerca de 500 casas já foram destruídas. A escolha do cenário, da modelo e da estética seguida prova mais uma vez que moda vai muito além de apenas roupas.

Renata Buzzo

Renata Buzzo estava com tudo pronto para participar da Casa de Criadores quando veio o convite do SPFW, mas a estilista teve de optar pelo novo caminho em função da proximidade das datas. A nova coleção vem do poema “Estudos Melancólicos”, que ela escreveu em fevereiro. “Os versos dialogam com fases de torpor, depressão, máscaras sociais que colocamos para sobreviver, meu lírico feminino, maternidade e medos”, conta.

O verso “não costuro meus degraus”, por exemplo, conversa com os bordados feitos com retalhos – lembrando plumas, em nós ou soltos fazendo o efeito drapeado –, quase sempre cetins e musselinas. “O aspecto denota fragilidade”, analisa, como os remendos que surgem no poema.

Juliana Jabour

Foto: João Arraes

Juliana Jabour retorna ao São Paulo Fashion Week, após dois anos longe das passarelas, mantendo-se fiel ao seu DNA que mistura o streetwear ao romântico. Desta vez, a marca aposta em em uma parecia com a New Era, que completa cem anos em 2020 e é líder mundial em bonés – que amarram os looks de ares vitorianos da label.

Laços e babados são contraponto aos já desejados moletons que Juliana sempre apresenta. Destaque para a temática beisebol nas listras e patchs que a Bazaar ama. Entre saias longas, vestidos amplos, ternos e diversas referências ao universo esportista, a silhueta vitoriana equilibra as duas paixões da estilista.

Handred

Foto: Divulgação

Assim como diz seu nome, Copacabana é a principal inspiração da nova coleção da Handred, apresentada no São Paulo Fashion Week. “O bairro tem um contexto de moda há muitos anos. Foi onde tive meu primeiro emprego, onde fica o ateliê da marca, para onde me mudei este ano”, explica André Namitala sobre onde esta história começou.

A coleção foi adaptada do inverno para o alto-verão, ao mesmo tempo em que o estilista lidava com as transformações de sua marca graças à pandemia. Tecidos mais leves, como linho e seda, criam modelagens fluídas que remete às clássicas imagens do Rio de Janeiro dos anos 1970. Destaque para o delicado trabalho manual feito com a seda, tanto patchwork quanto o bordado.

João Pimenta

 

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O terceiro dia do SPFW terminou com um desfile totalmente alegórico e maravilhoso de João Pimenta. Inspirado na ideia de que estamos vivendo em um ano que é impossível respirar, o estilista escolheu vestir os modelos da cabeça aos pés, literalmente, não sendo possível identificar suas características físicas na passarela, levantando a bandeira da roupa sem gênero e de uma moda menos preconceituosa.

As roupas são exageradas, cheias de tecidos sobrepostos, com uma gama gigantesca de materiais e retalhos. Os looks misturam peças de alfaiataria com rendas, crochês, tricôs, babados, balonês e mangas bufantes. As golas de babados e botas cinzas de salto alto estiveram presente em todos os looks.

Para Pimenta, a ideia de não mostrar quem é quem na passarela transmite o que ele entende do papel dos desfiles de moda. “Moda é para todo mundo: gordos, magros, brancos, pretos. Não tem distinção”. Fechou a noite com maestria.