Três marcas de moda praia que vão incrementar o verão 2020

Conheça a bossa das grifes Emi, Ley Swimwear e Laura Cangussu

by Silvana Holzmeister
Emi, verão 2020 - Foto:: Divulgação

Emi, verão 2020 – Foto:: Divulgação

Setor forte da moda nacional, a moda praia chega ao verão 2020 com marcas que estão engatinhando no mercado, endereçadas a garotas moderninhas, ansiosas por biquínis e maiôs com bossa, que vão do mar à piscina, além de roupas para um pós que não se limita ao trajeto de volta para casa. A ideia é de fluidez embalada na leveza dos dias que passam devagar.

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Como acontece na praia de Patacho, em Alagoas, inspiração para a Emi, da carioca Anna Luiza Vasconcellos, ou no litoral italiano, referência da paulista Laura Cangussu para a primeira coleção da marca que leva seu nome. Outra novidade é a Ley Swimwear, da ex-modelo Marcela Ley, lançada há dois anos em Nova York e que acaba de desembarcar no Brasil, onde ela passa também a produzir suas peças.

Clima de paraíso

Emi, verão 2020 - Foto:: Divulgação

Emi, verão 2020 – Foto:: Divulgação

A praia do Patacho, em Alagoas, está, definitivamente, no radar de Anna Luiza Vasconcellos. A carioca conheceu o lugar no último Réveillon e foi paixão à primeira vista pelo cenário de águas translúcidas que se transforma na maré baixa, quando o mar seca, criando várias piscinas naturais. Tanto que tons da natureza, coqueiros, corais, animais marítimos e silvestres inspiram o verão 2020 da Emi. “É um paraíso e isso se reflete nas modelagens: ora divertidas, ora despreocupadas, e sempre confortáveis”, contou ela, por telefone, de Patacho, para onde retornou no mês passado, desta vez para realizar a cerimônia de seu casamento. “Já trouxe várias peças comigo”, diz.

Pensada para a dinâmica das cariocas, que vão da praia a sunset parties, a coleção não se limita a biquínis e maiôs – que viram tops e bodies sem esforço. Panôs e outras peças, como calças e vestidos, dão corpo à coleção “Mangabeira”. O forte são as estampas. “Pinto desde os 12 anos. Por isso, os desenhos são feitos à mão para, então, serem digitalizados”, conta Anna Luiza, que trabalhou na Farm, por dois anos, antes de lançar a própria marca. “Lá, aprendi a botar arte na moda”, afirma.

Emi, verão 2020 - Foto:: Divulgação

Emi, verão 2020 – Foto:: Divulgação

Formada em moda pela PUC Rio e com cursos no IED (Istituto Europeo di Design), em Milão, e na Central Saint Martins, em Londres, explica que começou a grife quando ainda estava estudando. Outro carro-chefe é o DNA biodegradável, ao privilegiar tecidos que se desintegram após quatro anos se forem corretamente descartados em aterros sanitários. “Acrescentamos um aditivo comestível pelas bactérias. Assim, a decomposição ocorre rapidamente em lugares com uma grande quantidade de micro-organismos.”

Emi, verão 2020 - Foto:: Divulgação

Emi, verão 2020 – Foto:: Divulgação

Etiquetas plantáveis, que dão origem a margaridas e manjericão, e uso das sobras de tecido para confecção das embalagens, também são ações que garantem a pegada sustentável. Ao unir bossa e propósito, a Emi – que, em japonês, significa (e) pintura, (mi) oceano e feminino – conquistou espaço na Galeries Lafayette, em Paris, e no El Corte Inglés, em Portugal, na Pinga, em São Paulo e no Shop2gether, além da loja própria, no Leblon. “Agora, quero expandir para os Estados Unidos”, projeta Anna Luiza.

Swingue carioca

Ley Swimwear, verão 2020 - Foto: Divulgação

Ley Swimwear, verão 2020 – Foto: Divulgação

Desde que deixou o Rio de Janeiro para trabalhar como modelo no exterior, há 14 anos, Marcela Ley sempre aproveitava as visitas à família para encher a mala com biquínis. Foi a dificuldade de se adaptar à modelagem gringa que a levou a criar, em 2017, a Ley Swimwear, que acaba de desembarcar no Brasil. “Queria lançar uma moda praia de alma brasileira em Nova York”, conta Marcela, que já tem entre as fãs amigas, como Alessandra Ambrósio, Lais Ribeiro e Martha Graeff, e celebridades nacionais, a exemplo da apresentadora Sabrina Sato e da atriz Thaila Ayala.

A nova coleção, “Oasis”, é inspirada no refúgio litorâneo dos nova-iorquinos, os Hamptons. Nos biquínis, modelagens confortáveis dividem espaço com recortes que acrescentam uma sensualidade sutil. “E as saídas de praia têm uma leveza sem igual”, conta Marcela, que acaba de se aposentar da profissão – ela chegou a ser modelo de prova da Vionnet – para focar no comando criativo da grife, enquanto o marido, Tomas Jokl, toca o financeiro. “Sempre escutamos que é muito difícil conciliar casamento e trabalho, mas, para a gente, funciona muito bem. A comunicação é a chave do negócio.”

Ley Swimwear, verão 2020 - Foto: Divulgação

Ley Swimwear, verão 2020 – Foto: Divulgação

Ocupando araras no Hotel Delano, em Miami, e no St. Regis Resort, nas Maldivas, além da loja Hot 8 Yoga, em Los Angeles, a marca já está em multimarcas por aqui: na goiana Emporium Lolithá, na catarinense Persona e na mineira Clô. “Amo a sensação de finalmente trazer a marca para o meu país de origem”, conta Marcela, que confeccionava na Colômbia e agora optou pelo selo “made in Brazil”, o que a fará intensificar o movimento na ponte aérea.

Costura de memórias

Laura Cangussu, verão 2020 - Foto: Divulgação

Laura Cangussu, verão 2020 – Foto: Divulgação

Laura Cangussu fez uma imersão em sua história de vida para lançar a marca homônima e sua primeira coleção, batizada de “Dracena”, nome da cidade do interior de São Paulo onde ela nasceu, e também de uma folhagem decorativa que virou, inclusive, estampa. Já seu sobrenome designa, ainda, uma onça em extinção adotada como personagem frequente no sertão representado por Guimarães Rosa.

Na marca, evoca uma brasilidade poética e artística. “Olho para um estilo de vida contemporâneo, integrando artesanato e design minimalista”, conta ela. A busca por refúgios solares permeia a coleção de estreia, que já está na Pinga e no e-commerce próprio. Mezzo italiana mezzo brasileira, a designer foi buscar inspiração também na Itália, especificamente nas praias charmosas e paradisíacas das regiões da Puglia, Liguria e Costa Amalfitana, que sempre permearam os verões de sua família.

Laura Cangussu, verão 2020 - Foto: Divulgação

Laura Cangussu, verão 2020 – Foto: Divulgação

Essa junção de referências virou túnicas de seda, que vão do pós-praia ao escritório, maiôs que viram bodies e biquínis elegantes, acompanhados de acessórios, como os brincos feitos de contas e canutilhos, lembrando a flor da dracena, e a bolsa de vime trançado com alça de bambu que atualiza um modelo dos anos 1970 pertencente à mãe de Laura e que ela desenvolveu com a ajuda de artesãos do interior de Santa Catarina. O próprio surgimento da marca tem a ver com um momento decisivo de sua vida.

Laura Cangussu, verão 2020 - Foto: Divulgação

Laura Cangussu, verão 2020 – Foto: Divulgação

Formada em Direito, com atuação na área ambiental, estudou fashion styling no IED (Istituto Europeo di Design), em Milão, e trabalhou na redação da Bazaar. Parou tudo para cuidar da saúde. Diagnosticada com artrite reumatoide e lúpus, uma doença inflamatória autoimune, conta que o período que passou hospitalizada a obrigou a reduzir o ritmo e a olhar para a vida com outros valores. Daí surgiu a vontade de iniciar uma marca com movimento slow, comprometida em criar produtos de maneira social e ambientalmente responsável.

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