Rihanna usa casaco Chanel, brincos Mateo New York. Batom Líquido Stunna Lip Paint Longwear Fluid Lip Color na cor Uncensored, Fenty Beauty – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Por K Ahlana Barfield

Conhecer uma megaestrela pela primeira vez pode causar certo nervosismo. Você nunca sabe o que esperar. Portanto, mesmo diante da vista do tranquilo rio Hudson, a partir do rooftop de um estúdio fotográfico em Manhattan, eu me sentia um pouco agitada. Foi quando a campainha do elevador tocou, a porta se abriu e Rihanna saiu.

Rihanna usa casaco e vestido Bottega Veneta, e brincos Harry Kotlar. Bronzer Cheeks Out Freestyle Cream Bronzer na cor Hunnie Glaze, Fenty Beauty – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Era 2007. Eu era editora-assistente de beleza na época. Rihanna tinha acabado de lançar seu bem-sucedido terceiro álbum, “Good Girl Gone Bad”. Era uma das mais badaladas artistas do mundo. Então, a observei atentamente enquanto ela entrava, como se tivesse acabado de sair do metrô, vestindo um moletom oversized com capuz, jeans, gorro e duas de suas amigas de Barbados a reboque.

Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Ela apertou as mãos da equipe de produção, cumprimentando cada um com um sorriso. Quando se virou para mim, larguei meu bloco de anotações, esperando o aperto de mão. Para a minha surpresa, veio até mim e me abraçou. “Oi, sou Robyn”, disse.

Vestido vintage John Galliano na One of a Kind Archive e brincos Maria Tash do acervo de Rihanna – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Na hora eu soube o tipo de pessoa que Rihanna era. Por baixo do véu dessa estrela meio super-heroína, ultramagnética, megadescolada, Robyn Rihanna Fenty era real, não um real fake, mas um real de verdade: uma garota negra que não estava tão envolvida em sua própria fama a ponto de não conseguir reconhecer outra garota negra. Claro, foi só um abraço, mas o gesto foi maior que isso. Rihanna exalava uma vibe que você esperaria de uma garota que conhece desde os tempos de escola.

Camisa e calça Fenty, top Chanel, colar e tornozeleiras do seu acervo pessoal. Hidrante-Protetor Solar Hydra Vizor Invisible Moisturizer Broad Spectrum SPF 30 Sunscreen, Fenty Skin – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Apesar da fama, Rihanna, de alguma forma, sempre conseguiu manter os pés no chão, pela causa, por seu povo. Sempre passou a sensação de que é uma de nós. A posição da cantora como celebridade global, com mais de 85 milhões de seguidores no Instagram, com certeza a ajudou a forjar avanços onde outros encontraram obstáculos, mas ela nunca se esquivou de usar essa plataforma para falar a verdade àqueles que estão no poder.

Sapatos Manolo Blahnik – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Em 2018, Rihanna recusou o convite para se apresentar no intervalo do Super Bowl em solidariedade a Colin Kaepernick, quarterback da NFL que foi afastado da liga depois de se ajoelhar durante o hino nacional para protestar contra o racismo sistêmico e a brutalidade policial. Em seu discurso no NAACP Image Awards deste ano, ela convocou amigos e aliados da comunidade negra para fazerem parte do movimento e ficarem ao lado da justiça.

Camiseta vintage Artifact NY, biquíni Savage X Fenty, óculos Fenty, choker Yvan Tufenkjian, colar Amwaj, luvas Gaspar Gloves e sapatos Amina Muaddi – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Em 2012, a cantora fundou a Clara Lionel Foundation, uma instituição sem fins lucrativos batizada com os nomes de sua falecida avó, Clara Braithwaite, e de seu avô, Lionel Braithwaite, de 91 anos. Alguns meses atrás, quando a pandemia de Covid-19 devastava comunidades – especialmente, as comunidades negras – pelos Estados Unidos, a fundação e seus parceiros doaram mais de US$ 36 milhões para os esforços de emergência.

Casaco Max Mara – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

E Rihanna foi uma das primeiras celebridades a se manifestar sobre a morte brutal de George Floyd: “Se ASSASSINATO intencional é a consequência para ‘drogas’ ou ‘resistência à prisão’…então qual é a consequência para ASSASSINATO???!”, ela escreveu no Instagram.

Anéis e pulseiras Amwaj e Yvan Tufenkjian, braceletes Anabela Chan e Le Vian – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Avançando 13 anos desde nosso primeiro encontro, em adição aos álbuns de sucesso e às turnês mundiais, Rihanna construiu um gigantesco império de moda e beleza, que inclui uma linha de maquiagem, a Fenty Beauty; uma fashion house chamada Fenty, sediada em Paris e criada em parceria com o conglomerado de luxo LVMH; uma coleção de roupas íntimas inclusiva, a Savage X Fenty; e a nova linha de produtos para a pele, altamente esperada, que lançou em julho, a Fenty Skin.

Camiseta vintage Artifact NY, biquíni Savage X Fenty, choker Yvan Tufenkjian, colar, anel e pulseira Amwaj, anel e pulseira Yvan Tufenkjian, braceletes Anabela Chan e Le Vian, e sapatos Amina Muaddi – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

A mudança bem-sucedida de um setor para outro é uma façanha que poucas pessoas foram capazes de realizar – muito menos mulheres negras. Pense: além da Oprah, quantas mulheres negras conseguiram conquistar várias indústrias? A lista é muito pequena, e o nome de Rihanna está, sem dúvida, perto do topo – um feito que se tornou ainda mais notável pelo modo como ela o conduziu. O estilo de Rihanna aparece em cada produto, foto de campanha, legenda de Instagram e no nome da sombra (Cuz I’m Black).

Sutiã e biquíni Savage X Fenty, saia Miu Miu, brincos Yvan Tufenkjian e Harry Kotlar, e bracelete Le Vian. Batom Slip Shine Sheer Shiny no tom Goji Gang, Fenty Beauty – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Por isso, não foi nada surpreendente a Fenty Beauty ter explodido rapidamente após seu lançamento, em 2017. Segundo a Forbes, a marca vendeu US$ 100 milhões nas primeiras seis semanas, atingindo mais de US$ 550 milhões apenas no primeiro ano de operação.

Camiseta vintage Artifact NY, pulseiras Amwaj e Le Vian, choker Yvan Tufenkjian e colar Amwa – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Ao desenvolver uma coleção de maquiagem realmente inclusiva, Rihanna provocou mudanças em uma indústria que historicamente – e quase exclusivamente – atendia às mulheres brancas. A Fenty Beauty lançou 40 tons de base, mais que o dobro oferecido por muitas das principais marcas até então. (E inspirou o que passou a ser conhecido como Efeito Fenty: 40 é agora a quantidade de tons considerada referência para uma linha de bases).

Tricô Celine por Hedi Slimane, meia calça Falke, brincos e pulseira (direita) Yvan Tufenkjian e pulseira (esquerda) Le Vian – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Mas a abordagem de Rihanna para a Fenty Beauty ressoou nas pessoas de uma forma mais profunda. Além de atender às pessoas negras, que careciam de uma base acessível que realmente combinasse com sua pele, a mudança parecia comunicar: “vejo você quando ninguém mais vê.”

Trench coat Saint Laurent por Anthony Vaccarello – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

“A determinação implacável de Rihanna em fazer da beleza uma indústria inclusiva – e sua insistência para que seja democrática – mudou o jogo”, diz a atriz Tracee Ellis Ross que, no ano passado, lançou a própria marca de beleza, Pattern, com uma gama de produtos e objetos projetados para cabelos naturais. “Ela parece partir do princípio de que está em um mundo onde não há limites, convidando todos nós a fazermos o mesmo.”

Com a Fenty Skin, Rihanna procura trazer a mesma sensibilidade para o skincare. Foram mais de dois anos de desenvolvimento, o que levou a uma linha com curadoria rigorosa, com três produtos multifuncionais 2 em 1: demaquilante/limpeza, sérum/tonificante e um hidratante com fator de proteção solar. “Sempre vi a Fenty como mais do que uma marca de maquiagem e sabia desde o início que queria ter tratamento facial”, diz ela. “Era apenas uma questão de acertar. Você tem de lidar com as fórmulas por um tempo e testá-las de várias maneiras. É muito diferente de maquiagem nesse sentido. Leva bastante tempo.”

Rihanna nunca parou diante de limitações e o sucesso no mundo da beleza é prova de algo que está muito mais no seu interior, é menos sobre como seus fãs a abraçaram e mais sobre como ela os abraçou.

Vestido, lenço e meias Christian Dior, sutiã Savage X Fenty – Foto: Gray Sorrenti, com direção criativa de Jen Brill

Quando nos falamos pela primeira vez em 2007, enquanto comia arroz frito de um restaurante local, Rihanna compartilhou uma história sobre sua mãe, que trabalhava em uma loja semelhante à Sephora. “Ela sabia tudo sobre perfume, cremes e maquiagem”, Rihanna contou. “Nunca me deixava usar, mas, em segredo, eu era fascinada. Então, quando ela saía de casa, eu brincava com a maquiagem dela.”

Rihanna entendeu cedo que a beleza é muito mais do que aparência: é sobre descoberta, identidade e como você se sente, tanto quanto sobre o seu visual. O impacto dela no universo da beleza é um microcosmo de mudança no próprio mundo – um mundo que agora está finalmente se expandindo além do protótipo da loira, alta e magra, para incluir o corpo cheio, a pele escura e natural em suas noções de força, sucesso e, sim, beleza.

Rihanna abriu portas para mulheres de todas as raças, tamanhos, orientações e credos serem vistas e ouvidas, o que não é apenas um conceito que ela agarrou e capitalizou, mas uma realidade que ela viveu. Assim como o abraço de uma garota negra para outra, isso não se pode fingir. Nem com toda a base ou corretivo do mundo.