Sofia e a mãe, Tânia, em Baalbek – Foto: Arquivo Pessoal

De Marrakesh a Capri, amo estar em lugares especiais com a minha família. E o Líbano não poderia ser diferente. Viajei com os meus pais, Marcos e Tânia Derani, para as bodas de ouro do casal Yeda e Raul Saigh, por sete dias, e o mais divertido foi que estávamos em um grupo de 50 amigos e familiares de todas as gerações. Me senti em casa: tenho origem libanesa dos dois lados (Calfat Salem e Derani) e, durante o roteiro, tive a chance de conhecer a cidade de Zahlé, onde nasceram meus bisavôs, e de encontrar primas queridas que moram lá.

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Na mala, levei muitos caftãs, vestidos longos e roupas esvoaçantes, para entrar no clima de glamour que tanto encanta no pequeno país. Beirute, a capital, foi nossa base, e de lá fizemos as visitas e os passeios pelos arredores na companhia da Lívia, uma guia baiana muito simpática.

A vista para a Zaitunay Bay, em Beirute – Foto: Arquivo Pessoal

Ficamos hospedados no Phoenicia Beiruth, hotel icônico que hoje é do grupo InterContinental. É o melhor da cidade, com vista surreal para a Zaitunay Bay, uma piscina neoclássica maravilhosa e um café da manhã de comer de joelhos. O pão sírio papel era feito na hora, quentinho, com coalhada, e havia um milhão de doces!

Tatuagem de hena: tem de fazer – Foto: Arquivo Pessoal

Uma das minhas primeiras experiências libanesas foi em um salão de cabeleireiro pertinho do hotel, onde fizeram tatuagens de hena em minhas mãos. Prática milenar na cultura árabe, essa arte enfeita as mulheres e é um hit entre as jovens. Dia a dia, descobri muitas tradições e tesouros. Como o Museu Nacional de Beirute, o principal de arqueologia do Líbano, com 100 mil objetos datados desde a pré-história até o período medieval dos mamelucos. Também rodamos a cidade – o calçadão da orla, com uma coleção de restaurantes e lojas, nos mostrou o renascimento do centro.

As ruínas da antiga cidade romana – Foto: Arquivo Pessoal

Entre os passeios de um dia, Baalbek foi espetacular. É o maior dos complexos romanos do Líbano, com o Templo de Baco, monumental. Ali dei uma volta de camelo e, por alguns instantes, parecia ter viajado no tempo. O almoço naquela tarde foi ao ar livre, nos vinhedos do Château Marsyas, no Vale do Bekaa, a 900 metros de altitude.

Já em Byblos, o mais antigo povoado continuamente habitado (do período neolítico), construído sobre camadas de ruínas arqueológicas na costa do Mediterrâneo, caminhei pelas ruelas estreitas e charmosas cheias de lojinhas e me senti em um cenário do filme Aladdin. Um lugar mágico!

Sofia com os pais no Palácio de Beiteddine – Foto: Arquivo Pessoal

Outro dia, visitamos o magnífico Palácio de Beiteddine, na vila de mesmo nome, grande exemplo da arquitetura libanesa do início do século 19, com suas arcadas, galerias e mosaicos bizantinos. Por toda a viagem, a comida não poderia ser melhor, e muito familiar, é claro. Destaco o hommus, sempre delicioso, e a carne de carneiro predominante em todas as receitas.

Em Sheriff foi, de longe, o melhor restaurante de Beirute, e o mezze (combinação de pequenos pratos) quente e frio, inesquecível. A noite de celebração das bodas de Yeda e Raul foi com um ritual autêntico, com direito a cânticos dos padres, na Igreja Ortodoxa Église de l’Annonciation. Depois, um jantar na Maison Linda Sursock, antiga casa bizantina exuberante e cenográfica. E assim, como uma das fábulas árabes, terminou minha primeira de muitas viagens ao Líbano.