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Por Camila Salek

Na década de 1990, quando todos tentávamos entender o que era a internet, muitos não acreditaram na sua força. Negligenciaram um movimento em rede que foi pouco a pouco conquistando cada um de nós. No início, eu que trabalha em marketing digital fazendo os primeiros sites de marcas como a Avon, precisei desenhar slides em powerpoint para explicar o que viria a ser um site corporativo. Muita gente entendia, outros não estavam muito a fim de fazer este esforço e, assim como está acontecendo com o metaverso, muitas marcas acham que é uma realidade distante. Como na década de 1990, o novo ainda assusta. De maneira muito simples venho dizendo que devemos pensar no metaverso como a forma que vamos usar a internet no futuro. Assim fica bem mais simples entender seu poder e papel nos próximos anos.

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Uma das palestras que mais curti durante a NRF 2022 foi com a “Meagan Loyst”. Uma mulher de 24 anos, que tem como principal negócio ser curadora de startups criadas pela geração Z e que receberão aportes de investimento da geração X e Boomers. Basicamente ela é uma olheira de negócios que tendem a ser bem-sucedidos em um futuro próximo. Na sua fala durante a NRF ela trouxe uma definição de metaverso que eu curti muito: “o metaverso é um mundo virtual onde as pessoas podem socializar, trabalhar, fazer compras e se divertir”. E como isso acontece?

Basicamente de três maneiras:

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Realidade Virtual (Virtual Reality – VR)

A realidade virtual se refere a um ambiente que acontece virtualmente e no qual podemos nos inserir para fazermos parte da experiência. Tudo em VR é digital, o ambiente, as interações, os efeitos visuais etc. Basicamente estamos falando de uma possibilidade de imersão em um mundo digital simulado virtualmente.

Um excelente exemplo de uso da realidade virtual na moda, são as chamadas Digital Twins como a nova flag virtual da Fendi. As Digital Twins são lojas que representam réplicas perfeitas de ambientes físico existentes, recriados digitalmente em VR. 

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A Gucci foi outra marca que apostou neste formato e para comemorar seu 100º aniversário, criou uma versão física e uma virtual da exposição Gucci Gardens.

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Realidade Aumentada (Augmented Reality – AR)

A realidade aumentada esta diretamente ligada à integração do mundo virtual com o mundo real através de uma câmera. Esta é uma experiência interativa que acontece no mundo físico, sobrepondo elementos e ambientes criados digitalmente. Ambos os mundos se fundem numa realidade única através da tecnologia de AR. 

Na moda, muitas marcas já utilizaram esta ferramenta e um bom exemplo para mim é o tênis Gucci Virtual 25 projeto por Alessandro Michele, diretor criativo da Gucci, que só existe virtualmente e que pode ser experimentado usando a realidade aumentada para “calçar” pés que andam desfilando milhares de posts em redes sociais.

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Games (Virtual Worlds)

Uma vez ouvi uma frase durante um evento de inovação que falava sobre o videogame ser uma soma entre cultura, entretenimento e tecnologia e que se incluíssemos o comércio – cada vez mais forte nos games – teríamos um novo varejo. Acredito que seja exatamente isso que começamos a viver agora. Plataformas como o Roblox já têm mais de 200 milhões de usuários ativos mensais e um forte engajamento diário. Este jogo tem 1,3 milhão de desenvolvedores ganhando Robux (moeda virtual) e esses criadores estão a caminho de ganhar US$ 500 milhões com suas criações de jogos este ano. É impressionante! 

Atualmente, a Roblox é uma das empresas mais valorizadas do metaverso e ainda está no início de todo um processo de cocriação com marcas, franquias e artistas em sua plataforma. Segundo a Fast Company, a Roblox está entre as dez empresas mais inovadoras do mundo, ao lado de marcas como Tesla e Microsoft.

Você deve estar tentando encaixar tudo na sua cabeça neste momento, buscando algo que lhe pareça familiar como: É tipo um Second Life? Já te respondo que não é. A maior discrepância entre o fracasso do Second Life e o sucesso do Roblox, é que o Second Life não era realmente um jogo e não conseguiu criar mecânicas que mantivessem os usuários envolvidos. A idade média do usuário no Second Life era de 32 anos, enquanto no Roblox o foco vai de 9 a 12 anos. Segundo um ex-arquiteto-chefe do Second Life, “a razão pela qual não funcionou, é simplesmente pelo fato da maioria dos adultos ainda não se sentirem à vontade para se envolverem com novas pessoas, socialmente, em um contexto multijogador online”.

Estamos falando de um novo mundo virtual, onde a possibilidade de criar experiências é infinita! Vou compartilhar alguns cases bem bacanas e super atuais que estão rolando dentro do Roblox.

A Ralph Lauren anunciou o lançamento de seu Winter Escape no Roblox, em dezembro de 2021. O destino virtual com tema de férias inclui atividades como patinação no gelo, torradas de marshmallow, gincanas e compras na Ralph Lauren Digital Collection, disponível para compra exclusivamente no Roblox.

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A Nike lançou a Nikeland no Roblox, em novembro de 2021. O mundo virtual permite que os usuários vistam seus avatares com equipamentos virtuais da Nike e explorem as arenas, campos e edifícios da Nikeland que abrigam vários minijogos.

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Vans World, lançado em setembro de 2021, é um skatepark virtual no Roblox onde os jogadores podem praticar truques de skate, crie seus próprios tênis e skates Vans e experimente equipamentos virtuais.

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Para as novas gerações, o metaverso é uma válvula de escape às estruturas falidas do mundo atual. Esta dimensão traz o rompimento de barreiras e acessos que as estruturas físicas não possibilitam. Segundo a Bloomberg Intelligence, até 2024, o metaverso pode gerar receita global de aproximadamente US$ 800 bilhões.

O que vejo atualmente é que, quando se trata de preencher a lacuna entre o mundo digital e físico, a indústria da moda parece ser a mais pronta para abraçar o metaverso, como evidenciado por este último ano cheio de parcerias e ativações em várias plataformas. Como entusiasta de novos movimentos de consumo, estou adorando acompanhar e já sigo testando e implantando muitas destas soluções para as marcas com as quais trabalho aqui no Brasil. Fica a dica: não subestimem a METAFORCE!

@camilasalek – Sócia-fundadora da Vimer Experience Merchandising integrante do grupo de empreendedoras de sucesso do programa “Winning Women Brasil” da Ernst Young e colunista da Harper’s Bazaar Brasil. Referência em varejo e visual merchandising, está por trás de evoluções significativas da experiência de consumo e do desenvolvimento do conhecimento da área, através da implementação de projetos inovadores e compartilhamento de conteúdos ministrados em aulas, palestras, treinamentos e publicações nacionais e internacionais voltadas para moda e tendência.