Looks da collab Gucci + Dapper Dan – Foto: Divulgação

Por Gabriel Green Fusari

Billie Eilish, Travis Scott, Tyga e Bad Bunny têm muito em comum, além de disputarem o topo dos charts mundiais. Eles são os mais comentados do momento por seus figurinos em performances e aparições públicas. Isso não por acaso, já que eles são adeptos do bootleg.

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Embora esse termo seja do mundo da música, neste caso estamos aplicando na moda. Produtos não oficiais feitos com a matéria-prima de determinada marca, sendo uma customização leve ou mais radical. Isso significa que aquele conjuntinho da Louis Vuitton que Billie Elish usou no Coachella de 2019 não foi criado por Virgil Abloh.

O bootleg não é novidade no mercado. Ele data do início dos anos 70, com a ascensão de marcas europeias que ainda não produziam roupas, apenas artigos de couro, como exemplo Gucci, Louis Vuitton e Goyard.

O material lustroso e monogramado destas malas chamou a atenção de Dapper Dan, alfaiate do Harlem que confeccionava figurinos para celebridades da cena do hip-hop e moradores da região. Ele comprou algumas bolsas Louis Vuitton, cortava seu tecido, modelava ao corpo e costurava peças novas antes mesmo da casa ter sua linha prêt-à-portèr.

Nos anos 1990, no ápice do sucesso da logomania, o rei do bootleg teve sua decolagem abreviada devido processos judiciais pelo uso indevido de imagens de marcas consagradas. Curiosamente em 2017 seu nome voltou à mídia. Alessandro Michele foi acusado de se apropriar de referências estéticas de Dan em seu desfile de resort 2018 na Gucci.

Diane Dixon veste Dapper Dan – Foto: Reprodução

A jaqueta Louis Vuitton de mangas bufantes usadas pela atleta Diane Dixon foi reproduzida sob a lona da casa italiana sem nenhum crédito direto ao artesão. Em resposta a polêmica, a Gucci se desculpou e promoveu parcerias com o artista, criando coleções-cápsula e até o auxiliando na reabertura do seu atelier no Harlem.

Imran Potato

Foto: Reprodução/Instagram/@imran_potato

Hoje, outros nomes estão em ascensão. O primeiro da lista é Imran “Potato” Moosavi, que começou a combinar logos e confeccionar peças depois que se formou. Divulgando suas criações no Instagram, conseguiu se tornar um viral que acabou caindo nas graças do grupo musical Migos, fazendo roupa para apresentações. Desde então, ele se apropria e reinventa símbolos, criando para estrelas do momento.

Etai Drori

Foto: Reprodução/Instagram/@etai.la

Mas o artesão mais criativo de todos sem dúvidas é Etai Drori. Nascido de uma família com comércio de moda em Tel’ Aviv, Etai diz que começou a customizar desde os seis anos de idade. Hoje, ele lança cadeiras e até talas de fratura com estampa de marcas de luxo. A última criação do designer – e também a mais brilhante – foi uma bermuda feita a partir de uma dust bag Louis Vuitton.

Vandy the Pink

Foto: Reprodução/Instagram/@vandythepink

De todos, Vandy the Pink é o mais consumido. Além de ter uma linha onde paródia símbolos de marcas conhecidas, ele personaliza sneakers e caixas, faz uniforme de basquete monogramado, e seus tons pastel são usados com frequência para trazer uma atmosfera alimentícia.

Sua aclamação é tamanha que é o “bootlegger” mais copiado, tendo recentemente denunciado em seu instagram que haviam copias de seus produtos circulando e ele ensinava como as identificar, indo de Vans customizados até conjuntos.

Juliana Ali

Foto: Reprodução/Instagram/@julianaali

Aqui no Brasil, há quem faça isso com muita maestria. É o caso da artesã e jornalista paulistana Juliana Ali, que começou há dez anos inspirada pela Lady Gaga. “Eu vi uma foto da Gaga onde ela rabiscou uma Hermès. No momento eu pensei ‘Que contravenção! Quero fazer isso também’. Daí eu customizei uma Vuitton minha, em que eu desenhei uns grafites e coloquei umas tachinhas”, relembra.

A princípio, a customização causou estranhamento, mas depois o sucesso foi tanto que juliana recebeu inúmeros pedidos de customização. Ilustradora desde criança, Juliana não parou mais desde então, e faz trabalhos em qualquer peça, de bolsa, tênis e até casaco, que sejam em denim, couro e canvas.

Rodrigo Penido

Foto: Reprodução/Instagram/@dreamscustom

No sul do Oaís, quem se destaca é Rodrigo Penido, diretor criativo da Dreams Custom, da cidade de Florianópolis. Inspirado por Jay-Z com seu boné do time de Brooklyn Nets customizado na aba e strap de couro, ele movimentou amigos para criar roupas tunadas e o resultado deu muito certo.

Com o tempo, Rodrigo foi aprimorando técnicas e testando novos materiais: “Ampliei o nosso leque de produtos, comecei a trabalhar com materiais ‘high end’, comprando bolsas, desmontando e customizando novas peças, desde isqueiros até máscaras de dormir”, enumera.

No passar dos anos, seu projeto artístico deslanchou fazendo-o pousar em solos internacionais, rendendo parcerias com Dominic “The Shoe Surgeon” de Nova York e Melvin Lamberty, diretor criativo da alemã Born Originals. “Essas são grandes influências que conheci pessoalmente, mas minha principal influência é Dapper Dan, que foi o pioneiro no ramo de customização”, conclui.