Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar

Alessandro Michele, diretor criativo da italiana Gucci, anuncia mudanças radicais no calendário de lançamentos da marca, que vai deixar de pensar em temporadas e redefinir seus desfiles. “Abandonarei o ritual desgastado das sazonalidades e shows para montar uma nova cadência, mais próxima do meu meio de me expressar. Nos reuniremos apenas duas vezes por ano, para compartilhar os capítulos de uma nova história. Capítulos irregulares, alegres e absolutamente livres, que serão escritos combinando regras e gêneros, alimentando-se de novos espaços, códigos linguísticos e plataformas de comunicação”, aponta uma carta escrita por ele e publicada no perfil da marca no Instagram.

“Quero deixar para trás toda a parnafenália do passado: cruise, pre-fall, verão e inverno. Acredito que isso ficou velho. As marcas perderam seu significado e se desligaram da realidade. Nós podemos construir o amanhã com uma nova personalidade”, finaliza.

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A postagem é uma das 18 que se refere a seis cartas que vão de 29 de março a 16 de maio, escritas durante o isolamento social de Michele.

A pandemia de coronavírus abala a indústria de várias maneiras, pois o bloqueio em países ao redor do mundo interrompeu a produção, o fechamento forçado de lojas, cancelou shows de resorts e eventos comerciais e levou as empresas a revisar as entregas.

Os designers têm reconsiderado calendários, novos formatos de exibição de coleções e revisão de estoques, já que a digitalização é necessariamente a prioridade do momento – vendas online só tendem a crescer.

Dries Van Noten encabeçou uma petição por um calendário de moda mais sensível e sustentável – entregas posteriores para coleções de outono devido a paralisações de fábricas na Europa . O fórum propõe que as coleções de outono de homens e mulheres sejam comercializadas nas lojas de agosto a janeiro, com descontos em janeiro; e as coleções de verão exibidas de fevereiro a julho, com descontos em julho.

Giorgio Armani e Saks Fifth Avenue também estão pedindo uma desaceleração no ritmo da moda, com entregas mais oportunas às necessidades dos consumidores e descontos apenas no final das temporadas.

Marcas e designers foram gradualmente revelando como planejam mostrar suas coleções. A Saint Laurent, por exemplo, deixou a semana de moda de Paris e estabeleceu seu próprio ritmo para exibir coleções durante o ano.

Logo após a Camera della Moda revelar o lançamento de uma nova Milan Digital Fashion Week, a ser realizada em julho, Armani afirmou que a Giorgio Armani fará seu desfile apenas em setembro, em um formato ainda a ser definido. Ele também estabelecei que o show da Armani Privé será adiado para janeiro de 2021 e será realizado em Milão e não em Paris.