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Rick Owens – Foto: Divulgação

David Bowie já estava quase desistindo da carreira quando percebeu que poderia unir performance e música no palco. Começava, ali, o caminho que o levaria à criação do personagem Ziggy Stardust, o ser de outro planeta que caiu na Terra e transformou a vida do cantor e de um séquito de fãs, que se sentiram livres para usar ousar nas roupas, cabelo e maquiagem.

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Sua importância, porém, é muito mais abrangente. Com Bowie, o glam rock se consolidou como movimento musical e abriu espaço para a fluidez de gênero e o resgate do decorativismo no visual masculino. Talvez seja por isso que o primeiro look do desfile de Rick Owens na semana de moda masculina de Paris, inverno 2020, causou tanto frisson.

O modelo Tyrone Dylan entrou na passarela usando um macacão assimétrico desenvolvido a partir de uma versão semelhante criada pelo estilista japonês Kansai Yamamoto para Bowie, em 1973. Toda a coleção seguiu esse mood e vários looks trouxeram saias e vestidos drapeados, decotes profundos e plataformas contrastando com ombros estruturados e pontudos.

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Vetements – Foto: Divulgação

Owens não está sozinho. A estreia de Guran Gvasalia (irmão caçula de Demna) na Vetements reforçou o caráter democrático que sempre imperou na marca, com modelos andróginos vestindo peças que transitam por qualquer closet.

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Gucci – Foto: Divulgação

Uma ponte para o que se viu também na passarela da Gucci, que desde a estreia de Alessandro Michele, em 2015, abre espaço para questionamentos sobre a visão tradicional da masculinidade. Vestidinhos pré-adolescentes dividiram espaço com referências aos anos 1970 e ao grunge. E ainda contagiado pela parceria com Christian Lacroix para o verão 2020 feminino, Dries Van Noten preferiu falar sobre o poder da sexualidade masculina, sem amarras, livre de regras. Leve.

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Dior – Foto: Divulgação

Mais sintomático de um movimento que ganha força é olhar para marcas que abraçam uma nova estética diferente do que vinham trabalhando. É o caso da Dior Men. O diretor criativo Kim Jones começou a explorar um soft power (muito sutil mesmo) no pre-Fall 2020 da Dior Men, e se soltou mais na coleção para o próximo Inverno, inspirado pela couture dos anos 1950 da marca.

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Valentino – Foto: Divulgação

Silhuetas e bordados que, no passado, reforçaram a estética feminina de Monsieur Dior, agora agregam sofisticação ao masculino desde o primeiro look, arrematado por uma bela capa de tafetá com flor de tecido na lapela. Sinais de um novo tempo. Sutil também é o jardim com flores gigantescas que Pierpaolo Piccioli salpicou pela coleção da Valentino, dando um ar romântico moderninho.

Com cada vez mais marcas aderindo a ações concretas de aumento de diversidade e inclusão – ainda que mais dentro do que fora das passarelas –, as abordagens sobre o homem contemporâneo, que há algum tempo vêm dando pano para manga, parecem estar caminhando para uma imagem híbrida, que não perde a conotação masculina, e rótulos perdem espaço para comportamento e atitude livres de preconceitos.

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