Foto: Nicolau Spadoni
Foto: Nicolau Spadoni

Não é fácil consolidar uma neomarca e encarar um desfile. Mas há uma turma de jovens designers que não só aceitou o desafio como está sacudindo as principais semanas de moda do mundo. O movimento tem se mostrado desafiador, porque troca tendências por experimentações, linearidade por provocações, e tem nas verdades de cada estilista o gás para colocar de pé uma coleção.

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Tipo “se vira nos 30” e “acredita no axé” que vai dar certo, ainda que seja preciso virar noites trabalhando e convocar os amigos. Sustentabilidade, inclusão, representatividade, sem gênero, cultura e pesquisa de materiais estão na pauta desses millennials que estão levando suas próprias inquietações para a passarela. E, com isso, chamando a atenção de editores e ganhando destaque em premiações.

Thebe Magugu - Foto: Reprodução/Instagram/@thebemagugu
Thebe Magugu – Foto: Reprodução/Instagram/@thebemagugu

Dois nomes que, definitivamente, saltaram este ano foram Thebe Magugu, vencedor do LVMH Prize, plataforma do poderoso conglomerado de luxo que lança novos criadores, e Christopher John Rogers, que levou o primeiro lugar no CFDA Fashion Awards. Sediado em Johanesburgo, na África do Sul, Magugu tem o mérito de reinterpretar para o ready-to-wear a herança cultural de seu país por meio de lentes modernas. De certa maneira, seu colega norte-americano segue caminho semelhante, ao trazer um olhar estético particular para as roupas de festa.

Christopher John Rogers - Foto: Reprodução/Instagram/@christopherjohnrogers
Christopher John Rogers – Foto: Reprodução/Instagram/@christopherjohnrogers

Nascido em Louisiana – estado rico nas culturas crioula e cajun – e morando no Brooklin, Rogers faz uma moda festa irreverente em cores vibrantes e silhuetas volumosas. O estilista, que trabalhou para Diane Von Furstenberg e já vestiu Rihanna, Cardi B e Michelle Obama, estreou na última semana de moda de Nova York. Além do talento inquestionável de ambos, podem ser vistos como uma ação da indústria para redimir um aspecto delicado: a quase inexistência de negros em posições de destaque na moda.

Isaac Silva - Foto: Agência Fotosite
Isaac Silva – Foto: Agência Fotosite

Por aqui, Isaac Silva, estreia do último SPFW, tem conseguido unir, de maneira poderosa, a representatividade dos negros, referências à ancestralidade africana e ótimos looks, mas deixando claro que suas coleções não estão fechadas em público específico.

Foto: Nicolau Spadoni
Foto: Nicolau Spadoni

Já sob o viés da sustentabilidade, segue boa parte das novas marcas, da Aluf, de Ana Luisa Fernandes, que reciclou plástico, até o upcycling de Lou Dallas – marca que foi parar no figurino da badalada série Euphoria” –, e Bethany Williams, vencedora do Prêmio Queen Elizabeth II, no início do ano, e que aglutina reaproveitamento com iniciativas sociais.

O formato que une estrutura de ateliê e reutilização criativa de materiais casa perfeitamente com a necessidade de driblar questões econômicas para quem está começando. Ao mesmo tempo, vai ao encontro das preocupações sinceras das novas gerações sobre o futuro do planeta e relações mais próximas com a mão de obra.

Apesar de ser um movimento global, a ascensão de jovens designers com posicionamentos fortes joga luz principalmente sobre Nova York, que viu nascer uma cena moderna tomando partido também em relação a questões políticas e de gênero, como Hillary Taymour, que costuma convocar os amigos LGBTQ+ para a passarela de sua marca,
Collina Strada.

Foto: Reprodução/Instagram/@noirkeininomiya
Foto: Reprodução/Instagram/@noirkeininomiya

Há, ainda, a ascensão de designers orientais. Dois ótimos nomes para ficar de olho: o japonês Kei Ninomiya, protegido de Rei Kawakubo, leva para sua marca própria, Noir, além do apreço pela cor preta, um trabalho minucioso com volumes; e a chinesa Susan Fang, que costuma fundir percepção e matemática para criar shapes, texturas e cores. Empolgantes e cada um com sua bandeira, a nova geração de designers está sacudindo a poeira e trazendo novos ares para a moda.

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