Rita Comparato revela roteiro da Guatemala e do Panamá

Descubra a arte e passeios incríveis nos dois países

by Antonella Salem
Rita em San Blas, arquipélago no Panamá com mais de 300 ilhas banhadas pelas águas azuis do Mar do Caribe - Foto: Arquivo Pessoal

Rita em San Blas, arquipélago no Panamá com mais de 300 ilhas banhadas pelas águas azuis do Mar do Caribe – Foto: Arquivo Pessoal

Sempre que penso em viajar, procuro lugares “fora da caixa”, que instigam a minha curiosidade e criatividade. Foi assim desde o Marrocos, em 2001, onde enlouqueci com as cores, a cultura e o artesanato, e, depois, no México, na Índia, Vietnã, Laos, Cambódia, África, Istambul… Tenho um livro chamado “Textiles: A World Tour”, que dá a volta ao mundo das civilizações e sua cultura rica em tecidos e artesanatos originais. É a minha “bíblia” de destinos; aos poucos, vou ticando um a um.

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Chegou a vez da Guatemala e do Panamá, este último com suas famosas molas (arte têxtil). Viajei em junho, por 20 dias, com uma velha amiga, Aglaia Kauss, que, como eu, ama “arrastar o sári no mercado”. Não é todo mundo que tem pique para viagens assim. Os dois países da América Central me impressionaram de formas diferentes.

A estilista à beira do Lago Atitlan, na Guatemala - Foto: Arquivo Pessoal

A estilista à beira do Lago Atitlan, na Guatemala – Foto: Arquivo Pessoal

A Guatemala, com a simpatia do povo, a hospitalidade e infinidade de produtos feitos à mão, entre tecidos, sapatos, bolsas, joias, artigos para casa e cozinha, todos de extrema elegância e refinamento. Já o Panamá é muito mais rústico e hostil, mais intrigante também.

O roteiro começou na Cidade da Guatemala e lá fiz o que faço assim que chego a um lugar diferente: um reconhecimento da cultura por meio dos mercados. A Guatemala é o paraíso dos mercados, com muitos produtos e cores. Depois, seguimos para o Lago Atitlan, ponto alto do país. É uma pequena cidade em volta do lago, cercada por três vulcões que formam uma das paisagens mais lindas que já vi.

Um dos quartos do Sunset Lodge Atitlan - Foto: Arquivo Pessoal

Um dos quartos do Sunset Lodge Atitlan – Foto: Arquivo Pessoal

Ficamos no Sunset Lodge Atitlan, hotel sensacional de frente para o lago. O quarto tinha vista panorâmica e até do banheiro conseguíamos contemplar o cenário. Fora a natureza exuberante, existem inúmeros povoados para visitar de barco e simplesmente se deliciar com o artesanato. No fim do dia, voltávamos para a tranquilidade do hotel, fazíamos sauna e caíamos no lago. Com certeza, é um lugar que recomendo e onde viveria feliz da vida.

Aliás, por toda a Guatemala você encontra europeus e americanos, que trocaram seu país de origem pelos encantos guatemaltecos. Um passeio fantástico foi a ida ao Mercado Chichi Castenango, o maior do país, que acontece somente às quintas e aos domingos. Do Lago Atitlan, fica a apenas uma hora de carro. Difícil não sair atordoada, no bom sentido! De lá, seguimos para Antígua, outra preciosidade, a antiga capital da Guatemala, daí seu nome.

Charme nas ruas de Antígua, antiga capital da Guatemala, uma espécie de Paraty cercada por vulcões - Foto: Arquivo Pessoal

Charme nas ruas de Antígua, antiga capital da Guatemala, uma espécie de Paraty cercada por vulcões – Foto: Arquivo Pessoal

É uma espécie de Paraty cercada por vulcões. Em Antígua, encontrei de tudo – do luxo ao mercado de rua. As lojas de doces parecem joalherias. Me deliciei jantando ao ar livre no restaurante Saberico. E o Centro de Arte Popular reúne boa parte de todo artesanato original da Guatemala, que é de enlouquecer, com todos os trajes originais e preços tabelados, o que é tranquilizante, porque você nunca sabe se está fazendo um bom negócio.

ROOTS
O Panamá já é uma viagem que precisa de mais coragem, não é facilmente encantador como a Guatemala. A Cidade do Panamá é americanizada e o highlight foi o Museu da Biodiversidade, assinado pelo arquiteto canadense Frank Gehry, feito de chapas metálicas coloridas.

Mulheres indígenas responsáveis pelas molas, o artesanato feito com sobreposição de tecidos coloridos e bordados - Foto: Arquivo Pessoal

Mulheres indígenas responsáveis pelas molas, o artesanato feito com sobreposição de tecidos coloridos e bordados – Foto: Arquivo Pessoal

Mas o principal motivo da minha ida ao Panamá foi para ir às ilhas de San Blas (três horas de carro e mais três de barco), um arquipélago com mais de 300 ilhas rodeadas pelas águas azuis do Mar do Caribe, ocupado pela população indígena guna yala, uma sociedade matriarcal em que as mulheres têm o poder central e se vestem da maneira mais absurda e instigante que já vi, responsáveis pelas molas – artesanato feito com sobreposição de tecidos coloridos e bordados: simplesmente alucinante.

Desenho de Rita inspirado na viagem pela América Central - Foto: Arquivo Pessoal

Desenho de Rita inspirado na viagem pela América Central – Foto: Arquivo Pessoal

Não vá esperando conforto, são pousadas bem rústicas e nem tão baratas assim. O chão do meu quarto era de areia, o banheiro ao ar livre, sem água encanada, sem eletricidade, e as refeições eram peixes pescados na hora. Foi uma sensação desafiadora, porém libertadora. Eu e Aglaia caímos na risada muitas vezes, pensando nas amigas que topariam tais circunstâncias. Dessa experiência toda extraí as estampas e cores da nova coleção. Próximo destino? São tantos que ainda quero conhecer: Mongólia, Rússia, Bolívia e Peru.

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