Branca Vianna – Foto: André Giorgi/Divulgação

À frente da produtora de podcasts Rádio Novelo, a apresentadora Branca Vianna, do tão falado “Praia dos Ossos”, divide sua rotina entre narrativas em áudio e andanças pelo Rio de Janeiro. Leia abaixo:

6h

Acordo bem cedo, tem dias que às cinco e meia já estou de pé. Moro em uma casa no Leblon e a primeira coisa é abrir a porta para os cachorros entrarem (Aurora e Zezé). Sigo para meus exercícios de musculação, raras vezes um personal me acompanha de forma online. Se deixar para mais tarde, acabo não fazendo. Corro ao ar livre duas vezes por semana – a essa altura tenho um monte de lesões. Também faço bicicleta ergométrica, mas odeio com todas as minhas forças. Ponho uma série engraçada para o tempo passar rápido, como as divertidas “Dix pour cent” ou “Disque Amiga para Matar”. Geralmente, faço exercícios em jejum porque não dura muito tempo – cerca de meia hora, todo dia. Gosto de ir à academia, mas desde o início da pandemia nunca mais fui.

8h

Como uma fruta, granola, ovo, suco de laranja ou tangerina. Adoro tomar café da manhã na companhia do podcast de mesmo nome, da “Folha de S. Paulo”. Ouço quase todo dia, ou o BBC Newshour para me informar. Tem gente que ouve rádio, músicas, notícias, tínhamos a rádio-novela que era muito popular, só que não temos tradição em histórias narrativas, como os Estados Unidos ou a Inglaterra. O podcast consegue fazer isso por conta da não-limitação de tempo.

Deixo a manhã para as coisas difíceis. Se tiver de escrever ou ler alguma coisa mais puxada, acadêmica, como pesquisa para um programa, reservo de uma a duas horas. É quando minha mente está fresca e, quase todo mundo, dormindo. Até às 10h, esta parte está resolvida. Na Rádio Novelo, há muita reunião online, às vezes passo o dia inteiro no Zoom ou em gravação. Acabei montando estúdio em um quarto acolchoado, funciona superbem. Raramente, vou ao estúdio. Gosto de gravar lá porque não sou técnica de som. Prefiro que a qualidade não seja responsabilidade minha (risos).

Daqui para o final do ano, temos para lançar dois grandes projetos narrativos e de não-ficção. Temas importantes para o Brasil: um local e o outro assunto está sendo discutido no mundo inteiro. Este segundo repete a equipe central do “Praia dos Ossos” (sucesso com mais de 2 milhões de downloads, sobre o feminicídio da socialite Ângela Diniz): eu, Paula Scarpin e Flora Thomson-DeVeaux. Não sei se dará tempo de lançar este ano, mas temos outros dois projetos menores. E mais dois grandes para 2022, em fase de produção.

13h

Antes da pandemia, comia muito fora quando ia para o escritório, em Copacabana. Agora todo mundo tem de cozinhar e faço muita comida vegetariana porque meu marido (o documentarista João Moreira Salles) não come carne, mas eu como de tudo. Faço chilli vegetariano, lasanha… Não há hipótese de cozinhar um ovo sem ouvir podcast. Se estou sozinha, boto na caixinha de som para não ficar com o fone de ouvido o tempo todo. Hoje é difícil ouvir sem desconstruir. Mesmo quando não tem nada a ver com a Novelo. Sempre presto atenção na forma, processo, captação, roteiro, escrita, nos truques. Acaba sendo um trabalho, mas não me incomoda. Me interessa a mecânica do troço (risos).

Outro crime famoso, quando tinha 14 anos, mas que não vou fazer, é o da morte de Cláudia Lessin, que morreu poucos meses depois da Ângela, em 1977. Se alguém quiser fazer uma história de true crime, não é o meu caso, é uma boa a ser investigada. A história nunca ficou muito clara e não tenho coragem de mexer nisso.

14h

Branca Vianna – Foto: André Giorgi/Divulgação

Minha rotina se resume a reunião, gravação, leitura e escrita. Vai alternando, dependendo do dia. E lives! Com a pandemia, mais eventos. Sempre ouvi podcasts, mas antes de existirem, ouvia muito audiolivro até em fita cassete. Quando comecei a dar aula de interpretação na PUC (sou intérprete simultânea de formação e tenho mestrado em linguística), passei a recomendar aos alunos para treinarem a língua. É ótimo!

16h

Entre o almoço e o jantar, sempre faço um lanche. Geralmente, fruta. Passo o dia inteiro ouvindo podcasts, ainda tem muita coisa a ser tratada: raça, desigualdade, mudança climática e meio ambiente, direitos humanos, justiça. Muitos, a gente faz. É um ótimo jeito de falar sobre assuntos difíceis de maneira mais leve. Talvez a pessoa não queira sentar para ler uma matéria longa sobre violência no campo, mas se o áudio for bem feito, com boa captação, sonoplastia legal e história bem contada, pode receber a mesma informação. E vai impactá-la de uma maneira íntima. É o apresentador e o ouvinte, uma relação de um para um. Muita coisa fica a cargo da imaginação. Cada indivíduo imagina diferente, a partir de sua experiência pessoal.

Depois das 17h, não funciono direito. Chamo de minha hora idiota. Só dá pra fazer coisas bem tranquilinhas, mal sei escrever meu nome (gargalha). Se tiver uma reunião séria, o pessoal do trabalho já sabe: não dá. Marcar entrevista depois das 18h só se realmente não tiver outro jeito. Às vezes, acontece de ter uma importante. Mas vou tirar uma soneca à tarde de uma meia hora. Minha cabeça já não funciona direito depois das 19h.

Na companhia do meu marido, jantamos algo leve, como uma sopa ou um omelete. Depois, sentamos para assistir filmes ou séries. A última boa foi uma francesa, chamada “The Bureau”. Adoro histórias de espionagem! À noite pode ter algo mais sério na TV, filmes cult, documentários… Antes de ir para a cama, por volta das 21h30, lavo o rosto e passo cremes, que avançam de acordo com a idade. Vou na dermatologista, que receita: um para o olho, outro para o pescoço, rosto…. Adoro e me relaxa! Até às 22h, deixo o celular na sala desligado e vou dormir.