Candice Feio – Foto: Divulgação

Coloco o despertador para às 5h30, mas sigo na cama e vou no “modo soneca” de 5 em 5 minutos. Acordo, de fato, por volta de 6h15 e a primeira coisa que faço é pegar meu celular. Como estamos “atrás” do Brasil no fuso horário, sinto que acordo atrasada. Olho os grupos do WhatsApp para ver se tem alguma mensagem dos editores da Globo News com algo que aconteceu na madrugada, para uma possível entrada urgente em algum jornal.

6h15

Levanto sempre muito bem-humorada, porque a maneira que você acorda, vai determinar o teu dia. Como moro longe da família, geralmente, dou um check-in nas pessoas que amo no Brasil: falo com a Mônica, minha namorada, que mora no Rio; também mando mensagem em um grupo de amigas – todas moram aqui em Nova York. Todo dia, a gente manda mensagem com a energia e a pilha lá em cima, ainda mais na quarentena que é muito fácil ficar dentro de si. No meu livro, falo sobre a avalanche emocional que quem vive aqui passou e ainda passa. Fotos que fiz registram momentos históricos, como um ciclista passando por um caminhão-frigorífico, necrotério improvisado, em pleno Village. Por essas e outras, damos aquela forçada de barra de manhã para não deixar o dia cair. A gente se manda música neste grupo. Lançamos Daniela Mercury, Olodum logo cedo para começar o dia bem.

7h

Faço meu café da manhã porque sou daquelas que o cérebro não funciona sem cafeína e sem comida. O menu é sempre o mesmo: ovo frito com um pão tostado, abacate e café preto com açúcar mascavo.

7h30

Não vivo sem música. Então, tenho o costume de colocar um som para tocar enquanto tomo café da manhã e converso com meus editores. A trilha sonora costuma ter Gal Costa e Duda Beat, que tenho escutado bastante. Depois disso, já começo a ler e a preparar os textos do dia.

8h

É hora de montar o estúdio dentro de casa. Moro em um apartamento no Harlem, com uma amiga gaúcha. Com isso, não posso monopolizar a sala e deixar montado sempre. Por conta dos jornais ao vivo, que variam muito de acordo com o que acontece no mundo e no dia, nunca sei exatamente a que horas vou entrar ao vivo. Preciso estar a postos a partir deste momento para qualquer coisa que precisar. Nas fases mais duras da pandemia e dos protestos, como estava no epicentro do drama, as entradas eram frequentes.

14h30

Costumo almoçar logo em seguida ao Estúdio I, que acaba às 14 horas (horário de Nova York). Eu não sou muito boa na cozinha. Tem alguns pratos que levo jeito. Geralmente, ou é uma massa com cogumelos frescos ou é uma salada com quinoa, legumes, tudo misturado em uma tigela. Americano tem essa mania de almoçar salada e eu, mesmo amando salada, nunca consegui entender muito o porquê. Raramente, faço carne. Não sou vegetariana, mas é um pouco questão financeira – carne boa é cara aqui – e também ambiental e de saúde. E sempre café preto! Tomo mais café depois do almoço.

16h

Nos dias que não tenho mais entrada ao vivo, costumo ler com mais calma as matérias do dia. Quando estava escrevendo “Asfixia”, esse era o horário em que me concentrava para contar a história que vi de perto, duas crises que eclodiram ao mesmo tempo em Nova York, pandemia e protestos pela morte de George Floyd. Lembro que durante um desses protestos, uma enfermeira me disse no meio da rua: “Estamos no meio de uma pandemia, mas tem uma outra acontecendo há 450 anos nos Estados Unidos”. Foi muito impactante. Agora, aproveito esse tempo, também, para fazer a minha coluna no G1 que se chama “Rumo à Casa Branca” e vai continuar durante 2021. Falo sobre política norte-americana.

17h

Faço aula de voz por FaceTime. É um hobby, é terapêutico trabalhar a voz, botar para fora. Faz sentido para o meu trabalho e para minha vida porque, sempre que eu fico doente, a primeira coisa que ataca é a garganta. São vários exercícios de respiração, trabalhos com o diafragma e prática da voz.

18h

Tenho um match de ioga, faço em casa mesmo. Fora isso, criei o hábito de fazer escalada indoor. Também tento praticar uma hora de aeróbico, dançando sem parar.

19h

Uma vez por semana, tenho terapia. Tenho TDAH diagnosticado, mas não quero tomar remédio. Por isso, uso recursos para exercitar a atenção, como post-its coloridos. Tenho mania de ter caderninhos para fazer anotações também.

20h

Eu e minha namorada Mônica falamos horas no telefone sobre nosso dia; às vezes, vemos série juntas, ao mesmo tempo, com o FaceTime ligado e cada uma em seu computador. A última que vimos foi “This Is Us”.

21h

Eu janto tarde para os parâmetros dos Estados Unidos. Checo o andamento das vendas do meu livro, parte será destinada para o projeto Mães da Favela, da CUFA.

22h

Já estou de meias e camiseta de manga longa, pronta para ir para a cama. Tenho muito frio.

0h

Me forço a deitar um pouco antes da meia-noite. É difícil porque sou uma pessoa que produz bem à noite. Mas o trabalho me espera logo e bem cedo.