À la Garçonne – Foto: Divulgação

Quando as coleções para o verão 2020 e inverno 2020 foram desenvolvidas, se alguém imaginasse algo como a Covid-19 com certeza soaria mais um tema de filme sobre pandemia. Realidade, o vírus tem se mostrado desafiador. O mundo precisou parar e se trancar em casa para conter a contaminação.

Neste novo cenário, tivemos de repensar nossas roupas, engrossando o rol de adeptos do conforto. O atual momento social, que vai marcar para sempre a virada desta década, fortalece a estética baseada em elementos que existem dentro de casa e no homewear.

Essa imagem começou a ser delineada mais fortemente no ano passado, em torno de algo como home to go. Agora, se mostra perfeita para ficar entre quatro paredes e para aqueles raros momentos de escapada até o mercado.

Fendi – Foto: Divulgação

Influenciada pela leveza dos dias de sol relaxantes na casa de veraneio da família em Ponza, a ilha que fica entre Roma e Nápoles, Silvia Fendi propõe, para este verão no hemisfério norte – sua coleção de estreia como diretora criativa da Fendi -, estampas singelas, como florais de “lençol antiguinho” e de “cortina de chuveiro”, matelassados em tons pastel e tecido atoalhado.

O material foi parar, inclusive, em uma bolsa Baguette que, com certeza, arremataria o visual de Carrie Bradshaw. É o tipo de proposta que só de olhar você já se sente envolto em uma atmosfera de aconchego.

Sensação semelhante traz a mais recente proposta da À La Garçonne. Com desfile adaptado para o formato virtual, depois do susto da chegada do novo coronavírus ao País, Fabio Souza (direção criativa) e Alexandre Herchcovitch (Estilo) apostaram em casacos felpudos, bolsas de couro macio com shape de travesseiro, pijamas e jeans com sobreposição de quimono.

Partindo do isolamento que já era realidade na China e na Itália àquela altura, a dupla não somente estava em sintonia com a macroestética como deu, de imediato, a possibilidade aos fãs da marca de incrementarem o visual de ficar em casa.

Dries Van Noten – Foto: Divulgação

E essa roupa que tem cara de acolhimento não precisa ser desprovida de glamour, na visão de Dries Van Noten. Para ele, pijamas e quimonos funcionam como um tempero casual para uma exuberância vinda das noites agitadas das décadas de 1970 e 1980, em uma conversa estreita com o grunge dos anos 1990, por meio dos xadrezes.

São contrapontos de cores, estampas, texturas e silhuetas que seguem a fluidez característica do seu universo. A proposta, segundo ele, é que, a partir de seu processo criativo, cada um desenvolva suas próprias ideias.

Burberry – Foto: Divulgação

Pode ser, simplesmente, jogar uma peça linda sobre aquele look bem caseiro, como a gente viu na passarela da Burberry. Finalizado por um trench coat cinza revisitado e decorado com cristais transparentes, é o tipo de visual que vai do supermercado à festa, bastando trocar os acessórios.

Erdem – Foto: Divulgação

É o mesmo approach de requinte que transmite o quimono de cetim matelassado da Erdem, com perfume dos anos 1920 e que remete tanto a uma “colcha” jogada sobre os ombros quanto ao shape dos casacos inspirados no visual oriental que invadiram o closet de mulheres elegantes no início do século passado, assinados por Paul Poiret.

À la Garçonne – Foto: Divulgação

Mas nada como o casaco de lã ultramacia com franjas expressivas no mesmo material que Daniel Lee emplacou para o próximo inverno da Bottega Veneta. Conforto, aliás, foi uma das preocupações da coleção, com fios stretch dando o tom em boa parte das peças.

Chloé – Foto: Divulgação

Na feminina coleção inspirada nos anos 1970 de Natacha Ramsay-Levi para a Chloé, o look desfilado por Gigi Hadid, um casaco quentinho sobre um vestido tie-dye e uma manta no braço, resume toda essa estética que exala tanto glamour nonchalant que vai ser difícil desapegar quando estivermos de volta à balada ou ao escritório.