As camistas com logo são hit das coleções da Balmain – Foto: Reprodução/Instagram/@balmain

Por Diogo Rufino Machado

Logomania, para quem não sabe, são os logos que representam as marcas. Eles podem vir de diversas formas, como estampas, caixa alta ou em combinações de letras. Empresas de alimentos, eletrônicos ou de automóveis… todos têm um logo para chamar de seu.

O logo serve para criar ligação entre um grupo de pessoas que possuam afinidade com certo propósito, marca ou identidade. A moda tratou logo de incorporar esse conceito. Que grande marca não possui um logo que possa valer tanto quanto o patrimônio da marca?

A Louis Vuitton tem um dos logos mais famosos do mundo – Foto: Reprodução/Instagram/@louisvuitton

A Louis Vuitton, que possui um dos logos mais icônicos do mundo também possui um dos mais antigos (até onde se tem notícia, pois com certeza a história pode ter sido marcada de logos muito importantes, mas que não foram registrados), remonta de 1896. E para quem despende um pouco do seu tempo sabe que outras grandes marcas (de luxo ou não), possuem um logo para chamar de seu. Gucci, Dior, Versace, Nike, Adidas… poderíamos escrever linhas e até folhas só de marcas com logos.

O “GG” da Gucci é inconfundível – Foto: Reprodução/Instagram/@gucci

Pesquisas de cool hunters apontavam outras tendências fashion para os tempos atuais, porém a logomania seria coisa do passado. Aliás, viveríamos um apogeu da alfaiataria e declínio do streetwear, segundo Virgil Abloh. Isso tudo se não fosse uma pandemia, o isolamento social e a queda brusca de consumo. Uma pandemia que ainda dura. Um isolamento que não termina nunca. E o consumo de roupa que só caí.

O setor de vestuário já não ia bem no mundo todo. Mas com a Covid-19, as coisas despencaram. Os números são assustadores. Afinal, as pessoas estão consumindo menos. Qual o motivo de comprar roupas se você está dentro de casa? Ao passo que o setor de beleza  cresceu (mas isso é outro assunto). O relatório State of Fashion comprova bem isso. uma queda brutal de 93%, nos lucros da indústria da moda, de 2019 para 2020. Precisa falar algo mais?

O logo da Prada traz sua cidade de origem, Milão – Foto: Reprodução/Instagram/@prada

Terminadas as principais temporadas internacionais de moda (Nova York, Paris, Milão e Londres) vimos a consolidação do digital e o inegável aumento da logomania. Mas por que a moda se importa (tanto) com este tema?

A resposta para tudo isso é simples e básica. Ainda mais quando se trata de mercado de luxo. Se é o seu primeiro item de marca, você quer mostrá-lo. Se você já é consumidor, você quer manter essa identidade com a marca, mostrando que usa produtos específicos. E como você mostra, se identifica ou se projeta dentro de uma marca? Usando, vestindo e estampando logos.

O icônico logo “YSL”, da Saint Laurent – Foto: Reprodução/Instagram/@ysl

Em que pese a falta de criatividade, de trabalho artístico e de elaboração em muitos produtos que só trazem o logo, eles vendem. E isso é o principal dentro do sistema em que vivemos.

Eles continuam rendendo para grifes e marcas de luxo. E dentro de um mercado incerto, cujas portas foram basicamente foram fechadas pelo consumidor, é melhor apostar no certo. Um logo é uma expressão, uma identidade e um objeto de desejo. E isso explica consideravelmente a obsessão contumaz da moda por logos.