SPFW: veja o resumo do quinto dia da 51ª edição do evento
Victor da Justa – Foto: Divulgação

Por Rodrigo Yaegashi, Marcela Palhão, João Victor Marques e Larissa Romano, com colaboração de Evelyn Gross

Neste domingo (27.06), aconteceu o quinto dia da 51ª edição do São Paulo Fashion Week. Dando continuidade ao maior evento de moda da América Latina, nove marcas apresentaram suas coleções que valorizam a trajetória da moda nacional.

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Veja abaixo os destaques das apresentações – todas seguindo modelo 100% digital do SPFW:

Wilson Ranieri

O estilista Wilson Ranieri retorna ao SPFW com uma coleção que marca o que ele faz de melhor: uma construção minuciosa de peças feita através de tecidos e alfinetes na técnica de moulage, direto no manequim.

“O pensamento aqui é personalizar… A gente quer personalizar tudo: os tecidos, as peças, os acessórios, que tudo seja feito de acordo com o que a pessoa ou a loja quiser. E que essas peças possam se misturar a tantas outras que faremos e as que já existem”, conta o designer.

Soul Basico

Estreante no SPFW, Soul Basico, que nasceu digital e tem como característica de persona o abraço, apresenta um desfile que brinca com a passagem do tempo através da luz, começando com uma paleta mais leve e que vai escurecendo, o que nos remete à transformação do dia para a noite.

Com inspiração na narrativa do cineasta David Lynch, Zeh Henrique, criativo por trás da marca, reflete e nos leva a refletir sobre o tempo e a nossa urgência em viver em um ritmo descompassado por meio da coleção “Re-Verso”. Com uma desconstrução da modelagem masculina tradicional, Zeh Henrique e Wilson Ranieri, que assina o estilo da label, apresentam peças que se transformam, com tecidos tecnológicos e ecológicos.

Victor da Justa

A coleção “Cognição Faminta”, de Victor da Justa, aborda dualidades que fazem parte da vida de todos – e se intensificaram no cenário pandêmico: o excesso de informações e a divulgação de fake news, a dependência do digital e a saudade do analógico. Através da figura do garfo, que remete a simbologias como um banquete de tragédias e as mentiras contadas à Ariel, da história “Pequena Sereia”, o designer constrói uma apresentação que trava a garganta.

O quanto dependemos e, ao mesmo tempo, sofremos com esses itens? A reflexão é impressa nas estampas hipnotizantes da coleção, incluindo o patchwork de livros, fotos, filmes e jornais criado por Victor e o chamado “pied de code”, um pied de poule da contemporaneidade inspirado nos QR Codes. Uma reflexão poderosa sobre os tempos atuais de desinformação.

Projeto Ponto Firme

Dando continuidade ao Projeto Ponto Firme, Gustavo Silvestre usa o crochê como ponto de partida – e de chegada – para reinserir socialmente detentos e ex-detentos de um presídio em Guarulhos (SP). A nova coleção, apresentada no SPFW, utiliza a técnica do upcycling – todos os looks foram feitos a partir de retalhos e sobras de tecidos -, propondo uma reflexão sobre o ciclo de vida das roupas e o consumo consciente.

A ideia central por trás de toda coleção foi uma máscara, feita a partir de pedaços de pano que o artesão e reeducando Anderson Figueiredo desenvolveu e que inspirou as demais criações ao lado de Silvestre. Como sempre, os desfiles deste projeto provam que é possível e necessária a união entre a moda e mundo social. Espetacular apresentação!

Renata Buzzo

“Júpiter e Saturno”, texto autoral de Renata Buzzo e que norteia a sua segunda coleção para o SPFW, levanta discussões sensíveis e íntimas da marca, como a sustentabilidade (a label é vegana e zero waste) e a busca de formas de enaltecer a mulher. Esse olhar para planetas distantes configura muito o que passamos hoje, a loucura que vivemos imersos em nossas casas quase nos faz ver o externo como outra galáxia. A projeção surreal desta pandemia elevou os discursos sobre quem de fato somos e o que queremos vestir.

A sacada inteligente da diretora criativa foi apostar em destacar os acabamentos, como punhos e barras, com franjas vindas do resíduo proveniente do próprio corte do produto. Destaque para os tricôs e teares, que dão um acalento máxi que tanto almejamos, assim como a cartela de cores quentinha, com tons de ocres, vinhos e alaranjados que predominam a coleção que dança num landscape isolado de dar inveja!

Weider Silveiro

Já que é para estrear, Weider Silveiro estreou e estamos no céu! E não esperávamos menos do que o que o diretor criativo propôs: inovação, desejo e respeito histórico desfilaram no skyline da cidade de São Paulo. Silene Zepter, modelo ícone das passarelas brasileiras dos anos 90 é a grande convidada para vestir a coleção que brinca com o fato de estarmos encapsulados.

Saias amplas em organza, long Johns mascarados e alfaiataria translúcida em color blocking modernizam a década sem perder a finalização clean, assim como as selfies e interferências digitais criadas em parceria com a Apple! Seja bem-vindo, Weider, queremos mais e mais!

Walério Araujo

Walério Araujo retorna ao line-up do SPFW fazendo o que eternizou o seu nome: quebrando padrões e glamourizando toda e qualquer peça de roupa. Com uma coleção que resgata figuras icônicas dos seus 30 anos de carreira – incluindo a origem de seu nome, as crenças de sua mãe, sua terra natal e a amizade com a eterna Elke Maravilha -, o estilista coloriu o céu de São Paulo.

Impossível não entrar no ritmo da trilha sonora, sentir saudades de se montar e não ser tocado por pelo menos um elemento do fashion film apresentado. Walério prometeu dar continuidade ao projeto nas próximas coleções – e nós já estamos ansiosos!

Flavia Aranha

Flavia Aranha encerra o SPFW com o filme “Sopro”, em que arquétipos de mulheres se encontram em comunhão com a natureza. A coleção, criada a partir de resíduos acumulados pela marca no último ano, une o trabalho da estilista à colaborações, como o patchwork criado em parceria com Artesãs de Muquém (GO) e Artesãs de Maciel (MG) e a tapeçaria feitas à mão por mulheres da Associação de Tapeceiras de Lagoa do Carro (PE).

Vídeo, coleção e parcerias encerram o SPFW, que tinha o tema “Regeneração”, com uma mensagem muito clara: quando todos os elementos estão em sintonia, o mundo pode respirar com tranquilidade.