Grãos de feijão – Foto: Jasmine Waheed/Unsplash

Por Carolina Andraus

Primeiro foi o açúcar refinado: alvo de ataque de médicos e nutricionistas, foi banido dos cardápios saudáveis, não só por seu poder engordativo, mas por estar na origem de uma série de doenças, do ataque cardíaco ao diabetes. Depois, foi a vez da gordura trans, que se provou um veneno ao coração. A artilharia da última década se voltou contra o glúten, proibidíssimo para os intolerantes e nas dietas anti-inflamatórias.

O mais novo vilão a liderar a lista dos alimentos vetados em prol da saúde é a lectina. Guarde esse nome. Segundo a especialista em nutrição aplicada à bioquímica quântica, Catherine Vanazzi, no ranking dos alimentos altamente inflamatórios, ela estaria lado a lado do açúcar e do glúten.

Pouco conhecida, mas abundante nos nossos pratos, a lectina é uma proteína facilmente encontrada em diversos alimentos, principalmente grãos, como soja, gérmen de trigo, lentilhas e feijões, quinoa, além de alguns vegetais e legumes, como o tomate e a berinjela.

O alerta dos especialistas baseia-se no fato de que os grãos e vegetais que hoje consumimos nem de longe lembram os plantados por nossos antepassados. Devido ao uso abusivo de fertilizantes e pesticidas nas plantações, e as mudanças transgênicas pelas quais os grãos vêm sendo expostos nas ultimas décadas, a lectina, que nas plantas serve como uma arma defensiva contra ataques de patógenos e predadores, como bactérias, fungos e insetos, também se transformou.

Os grãos e brotos tiveram que se adaptar para melhorar a proteção contra agentes externos e, assim, explica Catherine, a lectina passou a ter um tamanho muitas vezes maior que a forma que era encontrada originalmente.

Desta forma, perdemos a capacidade de metabolizar essa proteína, já que a parede intestinal não consegue absorvê-la no seu tamanho aumentado, o que faz com que ela fique estacionada nas paredes do intestino e cause a inflamação. As consequências práticas para a nossa saúde? Um aumento generalizado de pessoas com tireóides problemáticas, doenças de retina e pequenas rupturas nas paredes intestinais, com quadros de inflamações crônicas sem explicação ou motivo aparente. Ao eliminá-la da dieta, automaticamente, o resultado é uma cintura mais fina, livre de inchaço, e o fim de uma série de outros males como cansaço, mau funcionamento do intestino e indisposição.

Quando Catherine faz o teste quântico para medir as intolerâncias em seus pacientes, a lectina acende um alerta inflamatório para a maioria das pessoas testadas. E o que devemos fazer para nos adaptar a mais essa variável da nutrição do novo milênio? É relativamente simples. Em primeiro lugar, descasque as frutas e legumes sempre que possível, o contrário do que faziam nossas avós, que sabiamente favoreciam as cascas, onde está a maior concentração de vitaminas. Males da modernidade…”Depois, é importantíssimo deixar grãos de molho por pelo menos 12 horas, com algumas trocas de água para lavar os chamados anti-nutrientes e neutralizar a lectina”, como ensina a especialista em nutrição.

Mas, o mais importante é, mais uma vez, aprender a sentir seu corpo e tentar tirar, de tempos em tempos, a lectina da dieta para dar um descanso ao organismo, e reintroduzir cascas e grãos aos poucos, observando como a digestão e a disposição física se comportam.

A forma como nos alimentamos vem sendo transformada – e não é apenas pelo aumento da consciência do que nos faz bem, de forma individual, sem seguir tendências e modismos. Estamos, finalmente, aprendendo a ler rótulos, pesquisar ingredientes e ser mais críticos com o que ingerimos e com as reações do nosso organismo.

Temos o privilégio de ter papel, até certo ponto, ativo nas nossas escolhas alimentares e na forma com que o corpo é exposto ao mundo exterior. Hoje, muitos de nós já conhecem suas próprias intolerâncias, os benefícios e aumento de performance que conseguimos alcançar com uma alimentação mais fitness, orgânica, vegana, proteica ou qualquer que seja a linha a que cada um melhor se adapte. Fica a dica para acrescentar mais esse item, a lectina, à sua listinha na hora de fazer escolhas. Certamente, você ainda vai ouvir falar muito dela.