Camilla de Lucas usa Mayara Bozzato – Foto: Reprodução/Instagram/@mayara.bozzato.brand

Por Jorge Wakabara

Diretamente de Americana, onde tem seu ateliê, Mayara Bozzato liga a câmera e conversa com Bazaar em uma manhã de terça-feira. É um outro ritmo, tranquilo, e ninguém diria que é dos croquis dessa mesma Mayara e da pequena cidade do interior de São Paulo que saem alguns dos looks mais fashionistas de Priscila Alcântara (a ganhadora do “Masked Singer Brasil”), Anitta, Pabllo Vittar, Maiara e Maraisa, Manu Gavassi, Duda Beat, Jade Picon, Maria Eugênia Suconic – a lista segue, praticamente infinita.

Eliana usa Mayara Bozzato – Foto: Reprodução/Instagram/@mayara.bozzato.brand

Mayara saiu da equipe de Adriana Degreas, onde passou cerca de dois anos e meio, e que considera uma grande escola (“foi um intensivo na moda”), para fazer uma pós de alta-costura de dois anos em Paris. Quando voltou, em 2013, foi para Americana, sua terra natal, porque não queria mais morar em uma cidade muito agitada. De lá, começaram a pintar os desenvolvimentos exclusivos, que é onde se destacou: são roupas especiais para clipes, shows, tapetes vermelhos que conseguem um superalcance, tudo produzido “100% do interior”, como ela mesma brinca.

Giovanna Lancellotti  usa Mayara Bozzato- Foto: Reprodução/Instagram/@mayara.bozzato.brand

E aí a marca homônima da Mayara começou em 2019, com um drop por ano, vendendo pela internet. “Cada coleção tem vários processos, dá trabalho. Por exemplo, todo bordado é feito aqui, internamente. E eu quero vender um produto no qual a mulher se sinta maravilhosa, que ela chegue no lugar e todo mundo olhe para ela. Não pode ser uma pessoa tímida, tem que gostar de aparecer para usar minha roupa!”

Manu Gavassi usa Mayara Bozzato – Foto: Reprodução/Instagram/@mayara.bozzato.brand

A criadora segue com os exclusivos paralelamente, agora em menor quantidade, já que a label toma bastante tempo. E considera que as coleções que lança também são atrativas para as celebs porque são roupas criadas para chamar a atenção. Ela afirma que existem as que compram com o próprio dinheiro, apoiando a empreitada financeiramente e ainda marcando o arroba nas publicações das redes mesmo assim, sem jabá! “Uma vê a outra usando, quer saber de onde é e as conexões aumentam cada vez mais, com um crescimento orgânico”, explica.

Ludmilla usa A.Rolê – Foto: Reprodução/Instagram/@a.role_

É o sonho de toda marca consolidada, mas temos visto cada vez mais criações autorais, de labels pequenas, ocupar esse espaço de “queridinha das famosas”, coisa que gera buzz e clientes. E nem é de hoje: Walério Araújo e Eduardo Caires, por exemplo, também têm essa relação orgânica com artistas. Outra que chama atenção é A.Rolê, marca de Luiza Gil, que começou em 2019.

Pabllo Vittar usa A.Rolê – Foto: Reprodução/Instagram/@a.role_

Quando trabalhava como produtora de moda com stylists como Yasmine Sterea, a gaúcha Luiza percebeu um gap de mercado. Desenvolveu peças justas, sensuais, performáticas e supercoloridas, coisa que não achava no Brasil e que acabou virando a marca da A.Rolê. Resultado: já vestiu Anitta (olha ela aí de novo), Ludmilla, Sabrina Sato, Liniker, Luisa Sonza, Marina Sena, Pabllo Vittar. Tanto ela quanto Mayara se beneficiam da amizade que tem com produtores e stylists para vestir esse circuito pop com seus looks – mas, claro, isso só acontece porque eles agradam, trazem um clima alegre e festivo.

E como Mayara enxerga essa relação das famosas com sua marca? “Elas passam confiança para outras pessoas que não conhecem meu trabalho. É como um selo de aprovação, de que o produto é bom e diferente. Fora que é muito legal você ver o que fez atingir esses patamares, são pessoas que têm condição de comprar qualquer marca que quiserem e estão consumindo a minha. Fico muito feliz por mim e pela moda nacional. A gente também consegue fazer coisas bem incríveis!”

Preta Gil usa A.Rolê – Foto: Reprodução/Instagram/@a.role_

Luiza ressalta o alcance orgânico que essas famosas têm e também remete a esse apoio que não envolve dinheiro: “Nunca dei um look nem paguei para estar nesses lugares, até porque a gente é uma empresa pequena até hoje.” E completa: “Tenho a referência pop na minha visão estética e o lance de outras pessoas poderem comprar a roupa que a famosa usou por 300, 500 reais, e poderem se sentir um pouco parte daquela história também é importante.” Querendo ou não ser uma celeb… Que tal ao menos experimentar se vestir como uma?