Tons pastel ganham destaque na moda de resort 2020

Tendência evidencia o desejo por dias mais leves, com sabor de infância

by Silvana Holzmeister
Chanel - Foto: Divulgação

Chanel – Foto: Divulgação

Há uma nuvem adocicada rondando o novo guarda-roupa. Não são poucas as marcas que vêm abrindo espaço nas coleções para tons clarinhos, do rosa-bebê ao verde-sabonete, em meio a uma enxurrada de cores que vão do branco ao néon. A mensagem é clara. O mundo está ansioso por dias mais leves, lembrando uma infância despreocupada.

Esse movimento já vinha se manifestando por meio do retorno do vestido babydoll e do sapato Mary Jane flat, do laço no cabelo e de referências aos desenhos da Disney, em resposta ao sentimento de angústia e à atmosfera caótica que têm ditado os passos na moda e nas artes. Ainda estão frescas na memória imagens da melancólica Bienal de Veneza de 2019, que colocou o dedo na ferida de um mundo refém de fake news, violência e perseguições. Discussão que também tem impulsionado desfiles papo-cabeça, de Ronaldo Fraga a Prada.

O turn point definitivo é a chegada das coleções para o resort, que clamam por dias mais divertidos. Ainda que pareça “síndrome de Poliana”, esse viés positivo descortina uma verdade: o caos não está dando trégua e, por isso mesmo, o ser humano anda ávido por dias melhores, que podem muito bem começar por uma mudança de atitude no vestuário. É que aquilo que você coloca sobre seu corpo inevitavelmente funciona como um diálogo com o outro. Um exemplo? A silhueta soft e mais feminina que Virginie Viard propõe para a mulher Chanel: apesar de ter aberto e fechado o desfile Cruise no Grand Palais, em Paris, com o clássico duo preto e branco da marca, todo o restante passeou por uma infinidade de cores, mas com ênfase nas candy colors.

Miu Miu - Foto: Divulgação

Miu Miu – Foto: Divulgação

Esteticamente falando, uma das coisas bacanas dessa cartela é que tudo se conversa. Dá para juntar quaisquer cores dessaturadas ou fazer misturinhas espertas com opostos fortes, como fez Miuccia Prada para a Miu Miu. Afinal, a garota contemporânea é romântica, mas não foge da luta. Esse exercício veio amadurecido na Prada. Enaltecendo o algodão, ela misturou, além de cores, padronagens, estampas e texturas em contraponto com monocromáticos aquáticos. A sensação da tendência é o lilás, que funciona como update fresh do rosa.

Kate Spade - Foto: Divulgação

Kate Spade – Foto: Divulgação

A novidade, que foi espertamente destrinchada em nuances por Nicola Glass para a Kate Spade, é aposta forte inclusive para a maquiagem, tanto para os lábios quanto para os olhos.

Chloé - Foto: Divulgação

Chloé – Foto: Divulgação

Natacha Ramsay-Levi e Giorgio Armani seguiram o fluxo. A diferença? Ambos atravessaram o mundo para mostrar as coleções cruise, priorizando lugares que estão em lua de mel com o luxo ocidental. Natacha foi para Xangai e Armani, para Tóquio.

Para a Chloé, ela foi buscar inspiração em filmes conduzidos por nomes como Zhang Yimou, de “Lanternas Vermelhas”, “A Árvore do Amor” e do recente “One Second”, e Hou Hsiao-Hsien, de “Assassina”. São diretores que não escondem as adversidades da vida, mas reservam espaço privilegiado para o amor e a delicadeza. E assim veio temperada a coleção, representada por linhas art déco dividindo espaço com shapes esvoaçantes, e aquele bege como o de um doce cremino cruzando o percurso de um vermelho intenso.

Giorgio Armani - Foto: Divulgação

Giorgio Armani – Foto: Divulgação

A mesma cor esfuziante funcionou como ponto de luz para fechar o desfile da Armani, que tem uma clientela japonesa fiel desde o início da marca, nos anos 1980. Mas foi um detalhe, porque boa parte da coleção teve um leve toque empoeirado, puxando tudo para a sofisticada cartela de acinzentados, inclusive os tons pastel.

Louis Vuitton - Foto: Divulgação

Louis Vuitton – Foto: Divulgação

Reconfortantes por vocação, apareceram pontualmente na coleção da Louis Vuitton, apresentada no histórico TWA Flight Center, de 1962, assinado por Eero Saarinen, e que está sendo revitalizado como hotel. Mais uma vez, Nicolas Ghesquière traz os anos 1980 para o Cruise junto com um charme de destination em looks fortes. Note que os novos tons clarinhos pedem leveza sem perder o romantismo de vista, mas a ingenuidade passa longe.

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