Balenciaga – Foto: Divulgação

Por Jorge Wakabara

A experiência luxuosa do diretor criativo Demna Gvasalia finalmente estará ao nosso alcance: a primeira loja Balenciaga da América do Sul tem previsão de abertura para o fim deste mês, no JK Iguatemi, em São Paulo e também no e-commerce 365. Se você não quer ficar boiando nas conversas fashionistas do Clubhouse, aqui vão cinco flashes sobre a marca que tem conquistado cada vez mais consumidores pelo mundo para te deixar por dentro do hype:

Balenciága ou Balenciagá?

Balenciaga – Foto: Divulgação

Existe uma confusão na pronúncia da marca por causa de suas origens. O nome vem do seu fundador, Cristóbal Balenciaga, espanhol da região basca. Mas a difusão do nome para o mundo da moda se deu a partir de Paris, mais especificamente no salão da avenue Georges V que ele abriu nos anos 1930. Balenciagá seria uma pronúncia afrancesada. Hoje, as pessoas costumam falar na pronúncia espanhola, mesmo.

Fãs e súditos ilustres

Christian Dior dizia que Cristóbal Balenciaga era o “mestre de todos nós”; Coco Chanel comentava que ele era o “único couturier, no verdadeiro significado da palavra”. Muito original e com uma técnica incrível, o criador, sempre em seu jaleco branco, tinha protégées: Oscar de la Renta, André Courrèges… Era tão generoso com os amigos que, quando ficou insatisfeito com os rumos da alta-costura e fechou as portas do ateliê parisiense em 1968, deixou sua valiosa cartela de clientes para Hubert de Givenchy.

Mas enquanto permaneceu no front da couture da capital francesa, tinha fãs fervorosas, como a condessa Mona von Bismarck. Ela chegou a comprar 88 looks dele em apenas um ano! A mítica editora de moda da Harper’s Bazaar Diana Vreeland estava hospedada na casa da condessa em Capri e recebeu a notícia do fechamento da maison por telefone. Ela costumava contar que Mona não saiu do quarto por três dias, em luto pelo fim da label amada.

A it-bag dos anos 2000

Kate Moss usa a bolsa “City” – Foto: Getty Images

Demorou para a marca Balenciaga ressuscitar. Os direitos do uso do nome foram comprados em 1986 pela Jacques Bogart S.A. (Cristóbal morreu em 1972). Mas só em 2000 que Balenciaga definitivamente não sairia da boca dos fashionistas por causa da bolsa que sempre fazia parte do look de Kate Moss: a City.

Balenciaga por Nicolas Ghesquière – Foto: Divulgação

A estratégia de seu criador, o então diretor criativo da marca Nicolas Ghesquière (atual Louis Vuitton), foi deixar as modelos usarem a City primeiro, circulando por aí. E elas usavam muito – e amavam. Resultado: uma das it bags mais reconhecidas do milênio e a compra de 91% das ações da Balenciaga pelo então Gucci Group (atual Kering), em 2001.

O começo do hype

Como fica claro no item anterior, não foi só Gvasalia que criou desejo na era pós-Cristóbal. Ghesquière, diretor criativo da Balenciaga de 1997 a 2012, foi muito influente nesses 15 anos. A meia opaca preta com minissaia e vestido curto, bem sessentinha? Ghesquière na Balenciaga. Jodhpur? Idem. O lenço volumoso no pescoço, que se desenrolou para a moda do lenço palestino, também teve as mãos dele. E até a sandália gladiadora. O estilista juntou a aura mais arrojada da maison e as imagens impactantes de Cristóbal ao seu gosto por ficção científica e silhuetas longilíneas. Era sempre um dos desfiles mais imperdíveis.

Hype atual

Balenciaga por Demna Gvasalia – Foto: Divulgação

Depois de uma passagem não muito marcante de Alexander Wang na diretoria criativa, a Balenciaga encontrou um outro match que, até agora, a manteve no Olimpo fashion. Gvasalia, que então era “o” nome quente por causa da Vetements, entrou no cargo em 2015. A crítica especializada não botou muita fé, mas ele decidiu dar uma inesperada injeção de ironia na tradição. E deu certo! De bolsa inspirada na Ikea até uma extravagante crocs plataforma, a gente pode dizer que ele sabe criar um buzz.

E, claro, também moda: power doudoune (o prenúncio da tendência gorpcore?), segunda pele bem justa servindo de base do look (a bota meia!), cachecol-logomaníaco, o foco nos ombros, o tênis chunky Triple S (uma das últimas grandes trends do street style), bolsa com logo impresso, o verde fluorescente. Entendeu por que estamos sempre esperando ansiosamente pelo próximo hit da label?