Versace – Foto: Divulgação

As coleções internacionais desembarcam, finalmente, neste mês de março, em solo brasileiro, recheadas de peças de cintura baixa com a estética fervida dos anos 1990, que vingou durante o boom da MTV e dos videoclipes.

Na esteira do sucesso das estrelas da música americana jovem, o visual de cós bem abaixo da cintura adotado por elas, virou instantaneamente ícone fashion. Quem não se lembra da Madonna no clipe de “Beautiful Stranger”, tema de Austin Powers, seduzindo Mike Meyers com uma calça que deixava bem mais que o umbigo de fora?

Britney Spears, uma das grandes influenciadoras de moda da época, valeu-se do apelo sexy das calças que só cobriam o púbis para pôr abaixo o apelido de “princesinha” e dar vida à poderosa persona que assume até hoje, nas redes sociais, em seus vídeos hilários. A primeira apresentação live de “I’m a Slave 4 U” da cantora foi o ápice e colocou a silhueta de cintura baixíssima no topo do desejo daquela geração.

É mais natural do que parece, ver em plena pandemia, em tempos de recolhimento, o conhecido recurso inspirando, de forma quase viral, os principais criadores de moda. O viés de agora continua tendo o apelo sexy, sim. Provocação evidente ao aprisionamento causado pelo isolamento social e o desejo de liberdade que sentimos.

Mas o resgate da peça também muito se deve à necessidade de conforto que os dias de hoje nos impõe. Em tempos sisudos, até a alfaiataria clássica sucumbe à pegada relaxada conferida à peça. O equilíbrio entre comfy, sexy e corte precisos dá cara ao estilo atual.

Hermès (à esquerda) e Louis Vuitton (à direita) – Foto: Divulgação

Ainda que tradicionais maisons, como Hermès e Louis Vuitton, tenham aderido à tendência de forma mais sutil, com uma simples nesga de barriga à mostra, sinalizam que a new generation de compradores está na mira, incluindo os que nem chegaram aos 20 anos, porém, já consomem o luxo a seu modo.

Fendi (à esquerda) e Balmain (à direita) – Foto: Divulgação

Na Fendi e na Balmain, a criação das coleções utiliza a trend para desconstruir e reconstruir um novo look office – esse que criamos virtualmente e que tem nas calças e bermudas de cós baixo o conforto, imperceptível às câmeras dos laptops, mas, apreciado por quem as usa. Obviamente, a praticidade das calças de moletons e pijamas soltos, uniformes incontestáveis, não seria esquecida pelos designers.

Isabel Marant – Foto: Divulgação

Modelagens esportivas aderem à cintura caída e mostram como um simples twist e mais um improvável mix de ideias transformam o banal em desejo. Outro exemplo brilhante é a francesa Isabel Marant, que laminou joggings e os combinou a tops festivos.

Miu Miu – Foto: Divulgação

Miuccia Prada, mestra de boas sacadas, traz, em sua Miu Miu, saias-envelope associadas a jaquetas e blusas super up. Assim como as cantoras empoderadas dos idos dos anos 1990, hoje, liberdade e força seguem sendo a máxima do movimento feminista, e a estética do corpo livre continua em vigor – mas com força e significado surpreendentes.

Versace – Foto: Divulgação

O desfile de Donatella Versace à base de saias, shorts e calças de cintura baixa reafirma a ideia. Em suma, pouco pano e muita pele estão dando bandeira. Vamos nessa!