Foto: Maria Lagemann

Atriz e cantora, Clara Buarque, a filha de Carlinhos Brown e neta de Chico Buarque e Marieta Severo procura independência e vive um momento de reconexão com suas raízes. Bazaar passou 24 horas com ela. Veja como passa o seu dia:

10h

Normalmente, acordo tarde. Ainda mais na quarentena, em que a gente está sem rotina, muitos artistas sem trabalho. Dou aquela espreguiçada boa, me alongo, e tento não pegar no telefone logo que acordo, senão atrasa tudo. Quando estava em São Paulo, com o meu ex-namorado (Felipe El), tinha uma rotina regrada de acordar, decidir repertório, ensaiar e fazer lives.

11h

Tomo um suco de laranja ou de tangerina, não sinto muita fome de manhã, mas gosto de tapioca, queijo quente ou açaí. Nunca pratico exercícios em jejum. Faço aula de ioga ou ginástica (antes da pandemia, era acompanhada pela avó Marieta Severo). Comecei porque sentia necessidade de alongar mais meu corpo, melhorar a postura, a respiração. Mas não sou aquela pessoa ‘uhull, zen’.
12h

Tomo banho e desenvolvo meu lado criativo. Escuto música, faço lista de afazeres, projetos e coisas que quero botar em prática. Gosto de música brasileira, de cultura popular, de raiz.

13h30

Procuro almoçar com a família, gosto muito desse momento (ela mora com a mãe Helena e os irmãos Francisco, Cecília e Leila, de 24, 13 e 11 anos – todos também filhos de Carlinhos Brown). Não sou vegetariana, mas meu prato é bastante variado. Comecei a cozinhar por necessidade.

15h

Às vezes, leio: agora estou lendo “Para Educar Crianças Feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie. Às vezes, vejo um filme. Gostei do documentário do Caetano Veloso, “Narciso Em Férias” e “O Dilema das Redes”. Na maior parte do tempo, estou pensando em música, no que quero gravar. Componho, mas não muito. Não sou fera em nenhum instrumento, sou mais familiarizada com percussão e violão.

16h

Antes da pandemia, fazia aulas de canto e violão. Também estava fazendo artes cênicas, parei para integrar o elenco de Novos Baianos (paralisado por causa da Covid-19). Com o espetáculo, minha cabeça pipocou… Sou cantora, atriz, dançarina? Parei a faculdade de dança, mas ano que vem quero mudar para São Paulo para estudar Música. Converso muito sobre carreira com meu pai. Não tenho pressa para me lançar como cantora (apesar de já ter dividido vocais com o avô Chico Buarque em “Dueto”, de 2017) e nunca me vi como modelo, porque nunca tive a pretensão (embora já tenha sido clicada para uma campanha por Giovanni Bianco, aos 18 anos e, mais recentemente, estrelou outra, da Animale). Tudo vai acontecer no tempo necessário. Preciso criar meu eu independente, é nisso que preciso trabalhar. Vou gravar coisas com meu avô, meu pai e com amigos, gente da nova geração.

Foto: Maria Lagemann

18h

Se ninguém estiver trabalhando ou estudando, convoco a família para jogar baralho: buraco e mexe-mexe. E jogos como Uno e Dixit.

20h

Estou fazendo aulas de dança afro. Desde os 15 anos, já fiz maracatu, coco, ritmos brasileiros. Está em mim!

22h

Vejo um filminho ou a gente se reúne para cantar, ensaiar, tocar violão e conversar. Não tenho rotina de skincare, antes de dormir. A única coisa que faço é cuidar do cabelo. Fiz transição capilar há pouco tempo. Todo dia me olho e agradeço por ter conseguido passar por esse processo. Comecei a querer me reconectar e conhecer minhas raízes. Meus cachos fazem parte disso! Nós, mulheres, somos pressionadas a seguir padrões de beleza. Era natural para mim querer ter cabelo liso, loiro, corpo bonito, ser magra, ter peito, bunda…É lindo ter força e ir contra esses padrões. Porque, no fundo, não quer dizer nada. Vou dormir por volta de 1h.