Dior, inverno 2021 – Foto: Divulgação

Por Jorge Wakabara

No início do mês passado, a cantora Anitta tuitou que havia conseguido “entrar na onda mais profunda e louca do mundo” com 15 minutos de meditação transcendental. E ela não está sozinha: no primeiro trimestre de 2021, a compra de aplicativos voltados para a área da saúde e bem estar aumentaram em 25% na Play Store (Android) e App Store (iOS), da Apple, vários deles trazendo guias para a prática da meditação como um de seus recursos.

Também tem lançamento de livro de Deepak Chopra chamado “Meditação Total” (o nome já diz tudo!) e até série da Netflix, a “Headspace – Meditação Guiada”, narrada pelo dono do app Headspace Andy Puddicombe.

Transcender

Kenzo, inverno 2021 – Foto: Divulgação

Transcender virou um luxo. A indução a um estado alterado de consciência é possível pela meditação e também por drogas psicoativas, como maconha, ecstasy e LSD. Pesquisas com canabidiol e microdosagem do ácido lisérgico como tratamento (de epilepsia, esquizofrenia, ansiedade, esclerose múltipla…) estão avançadas e são polêmicas, talvez pelo preconceito com alucinógenos, mesmo que estes sejam administrados com controle medicinal.

No Brasil, o canabidiol já é vendido em farmácia apenas com receita tipo B, de numeração controlada. E as drogas em si, você sabe, não são legalizadas. O relatório “Future Consumers 2023” do WGSN aponta, como uma de suas tendências sob o impacto da pandemia, produtos que trazem alteração de humor e aprimoramento sensorial – um mercado de sensações do qual já fazem parte no nosso País os óleos essenciais, florais de Bach e tudo que envolve aromaterapia e cromoterapia.

Marni, inverno 2021 – Foto: Divulgação

“Em meio à maior crise de saúde mental da história, soluções psicodélicas têm o potencial de ajudar as pessoas a lidar com a situação, alterar a forma como interagem com suas emoções a longo prazo e alcançar a autorrealização”, explica Mariana Santiloni, especialista em tendências do WGSN Brasil.

Reflexo na moda

Dior, inverno 2021 – Foto: Divulgação

OK. Mas isso se reflete na moda? E como? Aos poucos, cores vibrantes e ondas fortes (trocadilho incluso) chegam para as coleções internacionais de inverno 2021. Na Dior, a passarela trouxe um coração paz e amor no look final e faixas coloridas na saia de outro vestido.

Carolina Herrera, inverno 2021 – Foto: Divulgação

Falando nele: corações transbordam nas criações de Carolina Herrera, com a top Alek Wek fazendo pose em look meio psicodelia oitentista.

Dolce & Gabbana, inverno 2021 – Foto: Divulgação

Já a Dolce & Gabbana está mais para os anos 1990. Você lembra do psytrance? Os clubbers também beberam da fonte da psicodelia e agora voltam montadérrimos com toques de cyberpunk.

Da esquerda para a direita: Stella McCartney, Loewe e Emilio Pucci – Fotos: Divulgação

E ainda tem curvas no macacão de uma manga só de Stella McCartney (a cara de Ziggy Stardust por Kansai Yamamoto), na estampa à moda Pucci da Loewe e… na própria Emilio Pucci, claro. Esses arabescos são conectados à arte psicodélica de cartazes: Wes Wilson, Garry Grimshaw, Victor Moscoso e outros beberam da Art Nouveau. A ideia é que essas formas orgânicas simbolizem uma “viagem” – deu certo, o imaginário pop nunca esqueceu dessa ligação.

Psilocibina

Santiloni ainda dá um spoiler sobre o futuro da moda citando a psilocibina, que é o composto alucinógeno derivado dos cogumelos: “A geração Z, ansiosa, já vem adotando a estampa de cogumelos. Em 2021, a mágica do micélio irá crescer. Os cogumelos são a parte visível do micélio, e o micélio é o material e o ingrediente do futuro, que chega ao mercado como substituto sustentável para couro e plástico.” Preparada para embarcar?

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